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O estigma de "termômetro do Oscar" ficou esmaecido pelas recentes medidas da Academia de Hollywood, que incluíram a antecipação da cerimônia para o dia 29 de fevereiro. Ainda assim, o Globo de Ouro continua sendo referência para a premiação, e as atenções de toda a indústria cinematográfica estarão voltadas para a noite de domingo, quando serão conhecidos os melhores do ano pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood.
É pelas entrelinhas da lista de indicados ao Globo de Ouro que se percebe quais filmes podem efetivamente levar as principais estatuetas no Oscar, e quais passarão em branco. Mas agora as semelhanças entre os vitoriosos das duas premiações serão fruto apenas da coincidência, e não do lobby. Explica-se: a nova data da cerimônia da Academia foi definida para que os jurados entregassem seus votos antes do jantar anual do Globo de Ouro, quando muitos deles compareciam e acabavam sofrendo um poderoso assédio por parte das distribuidoras.
Ambientado na Guerra Civil Americana e estrelado por Jude Law e Nicole Kidman, o épico Cold Mountain (Anthony Minghella) desponta como favorito incontestável. São oito indicações, incluindo aquelas que realmente contam: filme de drama, diretor, ator, atriz e roteiro. Para quem não lembra, Minghella foi o grande vencedor em 1996 por O Paciente Inglês, levando nove estatuetas. Tem, portanto, poder de fogo. Ainda mais quando amparado pela já lendária força da Miramax.
Há apenas três filmes com chances reais de batê-lo (claro que sempre há surpresas), tanto no Globo de Ouro quanto no Oscar: Sobre Meninos e Lobos (belo thriller intimista de Clint Eastwood, com cinco indicações), Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, também com cinco) e O Retorno do Rei (Peter Jackson, com quatro), episódio derradeiro da saga O Senhor dos Anéis. Vale lembrar que as duas primeiras partes da trilogia foram ignoradas pela Academia, e este seria, em tese, o momento da reparação. Mas, afinal, O Senhor dos Anéis vale mesmo tanto quanto apregoa a maioria da crítica?
Filmes como Peixe Grande (Tim Burton, quatro indicações), Mestre dos Mares (Peter Weir, três) e o azarão Seabiscuit - Alma de Herói (Gary Ross, duas) correm por fora. Devem ganhar alguma estatueta, mas nada tanto assim. Tem-se, então, um embate entre dois legítimos representantes do cinemão (Cold Mountain e O Retorno do Rei) e dois trabalhos de caráter mais independente (Encontros e Desencontros e Sobre Meninos e Lobos).
Saindo da disputa entre as produções para a dos astros, Nicole Kidman desponta pela terceira vez consecutiva como favorita. E olhe que seu trabalho em Dogville (Lars Von Trier) foi ignorado pela indústria norte-americana - como de resto a própria carreira do filme nesse mercado. Se não é uma atriz de talento excepcional, ela pelo menos sabe se beneficiar como poucas do seu próprio star system, e o contrapõe com ousadia na escolha de papéis.
Nicole tem no seu encalço uma atriz muito mais talentosa, Cate Blanchett (por O Custo da Coragem), e também revelações como Scarlett Johansson (Encontros e Desencontros) e Charlize Theron (Monster). Também estão na disputa as veteranas Uma Thurman (Kill Bill, que foi ignorado pelo Globo de Ouro) e Diane Keaton (Alguém Tem que Ceder). Entre os atores, a briga acontece entre Tom Cruise, que aposta todas as fichas em O Último Samurai, e Sean Penn, ator de recursos muito mais complexos, que disputa por Sobre Meninos e Lobos - pode ser que no Oscar seu trabalho em 21 Gramas também mereça atenção.
Entre os indicados a filme estrangeiro, a vitória de As Invasões Bárbaras (do canadense Denys Arcand) já é dada como certa. Mas há outros trabalhos elogiados na disputa, como o russo O Retorno (Andrey Zvyagintsev), vencedor do último festival de Veneza, e o alemão Adeus Lenin! (Wolfgang Becker). É esperar até a noite de domingo para ver se essas previsões se confirmam, e também conferir quem exibe as melhores credenciais para deixar o nome inscrito no Oscar 2004.
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