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 Natalie Portman, ao lado de Clive Owen: considerada uma das zebras do Globo de Ouro |
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A 62ª edição do Globo de Ouro, realizada na noite de domingo em Beverly Hills, trouxe algumas vitórias previsíveis (Jamie Foxx como melhor ator em um drama, por Ray, e Annette Bening, por Being Julia) e várias zebras (Natalie Portman na categoria de atriz coadjuvante por Perto Demais). Mas a premiação da Hollywood Foreign Press Association dá pistas do que pode acontecer no Oscar, em fevereiro, e, de quebra, deixa alguma "lições" sobre a situação atual da indústria do cinema.
Se os principais filmes que estavam no radar da imprensa nas últimas semanas eram Sideways ¿ Entre Umas e Outras, O Aviador e Ray, o Globo de Ouro deixa claro que Clint Eastwood continua intocável em Hollywood. Ele levou o prêmio de melhor diretor por seu Menina de Ouro (A Million Dollar Baby), em que também trabalha como ator e assina o roteiro. A influência do veterano ajudou até Hilary Swank a vencer na categoria de melhor atriz em um drama.
O Globo de Ouro também trouxe sinais de mudança de maré para Martin Scorsese. Considerado um dos mais importantes cineastas do mundo, ele nunca recebeu um Oscar de melhor diretor. Com Eastwood no páreo, pode ser que ele continue sem a estatueta. Mas com a vitória do Globo de Ouro de melhor drama para O Aviador, as chances parecem maiores. Como os produtores do filme é que fizeram os agradecimentos na cerimônia, no entanto, fica a impressão de que Hollywood continua em falta com Scorsese.
Outra lição do evento: atores jovens conhecidos por trabalhos comerciais, como Leonardo DiCaprio e Natalie Portman, finalmente são levados a sério em Hollywood. O ator, que foi historicamente esnobado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na época de Titanic, ganhou o Globo de Ouro pelo papel do bilionário Howard Hughes em O Aviador.
Portman, que por muitos anos deve continuar sendo associada ao papel da rainha Amidala, de Guerra nas Estrelas, vira atriz séria depois de ganhar o prêmio de melhor coadjuvante por Perto Demais. A categoria equivalente masculina ficou com Clive Owen, o ator inglês de filmes como Croupier e A Identidade Bourne, que nunca tinha conseguido chamar muita atenção nos Estados Unidos.
Apesar de não ter emplacado vencedores nas categorias de atuação (em que tinha boas chances), Sideways ficou com os importantes prêmios de melhor comédia ou musical e roteiro. Desde que estreou no New York Film Festival, em outubro, a fita teve um faturamento modesto (US$ 25 milhões), mas uma brilhante carreira de premiações em todo o país. É muito provável que apareça em múltiplas categorias quando as indicações do Oscar forem anunciadas, no dia 25.
Entre os filmes que não ganharam reconhecimento, ficam algumas dúvidas. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, dirigido por Michel Gondry e com roteiro de Charlie Kaufman, seria muito complexo e sofisticado para Hollywood? Kinsey, que gira em torno das pesquisas sexuais do cientista nos anos 50, seria muito incômodo? E por que Os Diários da Motocicleta, um filme que já arrecadou US$ 16 milhões nos Estados Unidos, acabou perdendo a estatueta de melhor filme de língua estrangeira para o espanhol Mar Adentro? Estas e outras perguntas podem começar a ser esclarecidas na cerimônia do Oscar, no dia 27 de fevereiro.
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