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Produções gravam no exterior em busca de glamour e audiência

Domingo, 5 de junho de 2009, 16h30
Taís Araújo e José Mayer gravaram cenas de 'Viver a Vida' na França
Taís Araújo e José Mayer gravaram cenas de 'Viver a Vida' na França
05 de julho de 2009
TV Globo/Divulgação

Márcio Maio





Enfeitar capítulos de novelas com cenas em locais paradisíacos e distantes da realidade dos telespectadores não é nada fácil para as produções de novelas. Desde o alto custo e dificuldades para autorização de gravações em pontos turísticos às falhas na comunicação entre pessoas que falam idiomas diferentes, muitos são os "perrengues" enfrentados pelas equipes.

Tudo para garantir mais audiência. "Além de chamar o público, tomadas realizadas no exterior geram muita mídia. Isso favorece qualquer lançamento", atesta Alexandre Avancini, diretor de Promessas de Amor, da Record.

Jayme Monjardim parece compartilhar da ideia. E já garantiu espaço nos veículos de comunicação com a viagem da equipe de Viver a Vida, próxima novela das 21 horas da Globo, à Jordânia. Mas sua passagem pelo país não foi nada fácil.

Além do calor seco enfrentado, Jayme se deparou com outras complicações para gravar as cenas que, aqui, serão vistas a partir do décimo capítulo da trama. "Nas locações de Petra, na Jordânia, você não pode trabalhar com outro tipo de transporte para os equipamentos que não sejam mulas", lamenta o diretor.

Além disso, tomadas importantes de um desfile de moda que, na história, se passa em frente ao Tesouro, monumento mais famoso de Petra, não puderam ser gravadas integralmente. "Não tenho condições de parar um patrimônio histórico. Conseguimos dois dias, a partir das 18 horas, sem ninguém no local, para filmar uma parte. O resto, vamos fazer no Brasil. Mas, no ar, ninguém vai dizer que não aconteceu lá", explica.

Marcos Schechtman também teve de lidar com alguns "pepinos" em sua passagem pela Índia quando rodou algumas tomadas que até hoje são vistas em Caminho das Índias, novela do horário nobre da Globo. O diretor nunca tinha gravado no continente asiático e se surpreendeu com os empecilhos demográficos que encontrou. "Não se pode fechar ruas nem em horários alternativos.

Mesmo nas cenas mais complexas, a circulação das pessoas era livre", argumenta. Com isso, foi preciso atenção redobrada para garantir que tudo saísse como planejado. "Foi preciso equacionar a luz e a falta de silêncio para cumprir o cronograma", ressalta.

Dificuldades nas autorizações para as gravações não foi o único problema da equipe de Poder Paralelo, novela das 22 horas da Record, em sua passagem pela Itália. Durante parte do tempo da viagem, tudo que precisava estar acordado para o bom andamento dos trabalhos não era confirmado. Desde a alimentação dos funcionários ao grupo de figurantes para as cenas.

Até que um dia antes do início das filmagens, dois homens bem vestidos apareceram no hotel onde a produção estava hospedada, acompanhados de cinco seguranças. Perguntavam porque tinham contratado determinadas equipes e, depois, deixaram contatos de empresas que deveriam ser consultadas em viagens futuras.

"Ninguém esclareceu para nós quem eram aquelas figuras. Mas como a região é dominada pela máfia, ficou no ar a ideia de que poderiam ser pessoas ligadas a ela", exagera Márcio Rosário, gerente de produção da novela.

Situação ainda mais engraçada passou a equipe de Alexandre Avancini quando gravou cenas dos capítulos iniciais de Vidas Opostas em Portugal. O diretor pediu autorização para gravar uma passagem de uma Ferrari pilotada pelo ator Nicola Siri pela Ponte 25 de Abril, a mais famosa do país, localizada em Lisboa.

Conseguida a permissão, os trabalhos começaram e, ao rodar a primeira tentativa, Avancini percebeu que precisaria gravar o carro passando mais algumas vezes pelo local para garantir o resultado esperado. Mas quase não conseguiu. "Alegaram que pedi autorização para 'uma' passagem, não para algumas. Levaram ao pé da letra", brinca o diretor, que no dia não achou o mal entendido tão divertido.

Trabalho em equipe
Nem só as equipes de produção passam por dificuldades em gravações fora do país. O elenco também sofre com as diferenças culturais e climáticas ao terem de trabalhar no exterior. Rodrigo Hilbert, por exemplo, estranhou a comida durante o tempo que rodou Viver a Vida na Jordânia. "Nessa hora dá muita saudade do Brasil", brinca.

O elenco de Caras & Bocas também passou por complicações durante as gravações dos capítulos iniciais da novela na África do Sul. Como precisaram gravar com animais silvestres, Flávia Alessandra, Isabelle Drummond e Henri Castelli, entre outros, enfrentaram o medo de determinados bichos e ainda dores musculares por ter de passear em cima de elefantes.

"Não é igual a um cavalo", diverte-se Isabelle Drummond. A mais à vontade com as cenas foi Flávia Alessandra. "Acho que a preparação corporal que fiz para a Alzira, de Duas Caras, me deu outro condicionamento físico", observa.

Instantâneas
# Revelação, do SBT, teve seus primeiros capítulos rodados em Portugal.
# Quando a equipe de Caminhos do Coração, da Record, decidiu gravar cenas nos Estados Unidos, a dificuldade em conseguir os vistos para os profissionais atrasou os trabalhos em aproximadamente um mês.
# As equipes de televisão brasileiras, geralmente, causam espanto quando chegam no exterior. Como a produção de novelas não é tão forte em vários países do mundo, a estrutura levada pelos brasileiros é, na maior parte das vezes, considerada exagerada para os estrangeiros.
# Além das cenas no exterior, a Record quer investir também em participações de atores "hollywoodianos" em suas produções. Lance Henriksen interpretou o médico Dr. Walters nos quatro primeiros capítulos de Caminhos do Coração.

TV Press

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Terra - Brasil
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