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Uma delicada tela em tom pastel de Degas que pertenceu ao fundador de uma revista pornográfica, um elegante trabalho de Modigliani e um auto-retrato de Francis Bacon que nunca havia sido posto à venda, além de vários Picassos, estão entre as estrelas dos leilões que começam na segunda-feira em Londres.
A temporada de leilões, que atrai colecionadores de todo o mundo, começa na Sotheby's com uma venda de arte impressionista e moderna, com dois dias de duração e que prevê totalizar 115 milhões de libras (213 milhões de dólares), num momento em que o mercado de arte "está muito forte e saudável".
"Novos colecionadores de economias emergentes como China, Rússia e Índia estão impulsionando os preços no mercado de arte a níveis sem precedentes, mas não é um mercado fundamentalmente especulativo", disse Samuel Valette, diretor-adjunto de arte impressionista e moderna da Sotheby's.
Na primeira noite, na segunda-feira, a Sotheby's arrematará La Sortie du Bain (A Saída do Banho), um pastel de Degas cotado em 6,5 milhões de libras (12 milhões de dólares), que pertenceu ao barão Bob Guccione, fundador da revista Penthouse, que se desfez do quadro há cinco anos.
"É fascinante pensar que esta obra absolutamente clássica esteve na coleção de Guccione durante muitos anos. Talvez o inspirou", disse Philip Hook, diretor do departamento de arte moderna da Sotheby's, ao apresentar a coleção à imprensa.
Esta casa oferece ainda uma bela tela de Modigliani, Jeanne Hebuterne (au chapeau). Avaliado em 22 milhões de dólares, o quadro foi pintado em 1919, dois anos depois de Modigliani conhecer a mulher que foi sua amante, esposa e musa, até a morte do artista, em 1920.
Um óleo erótico de Picasso, El Pintor y su modelo, pintado pelo artista espanhol em 1963, é a "obra mais importante desta série que aparece no mercado em várias décadas", disse Helena Newman, especialista da Sotheby's, estimando que será vendido entre 9 e 13 milhões de dólares.
Um dia depois será a vez da Christie's, que prevê que suas vendas de arte impressionista e moderna, inclusive arte austríaca, totalizarão 87,7 milhões de libras (162,3 milhões de dólares).
A Christie's porá à venda na noite de terça-feira a tela Girassóis ou Sol de Outono, do expressionista austríaco Egon Schiele, que tem uma história assombrosa.
Pintado em 1914, o quadro foi roubado em 1939 pelos nazistas ao marchand austríaco Karl Grunwald, e não se voltou a saber dele até que o ano passado um colecionador pediu à Christie's que avaliasse a peça. Ao saber que era uma obra roubada, a restituiu à família Grunwald.
"É uma obra-prima, que reflete o ânimo sombrio de Schiele às vésperas da Primeira Guerra Mundial e que honraria qualquer museu", disse Jussi Pylkkanen, presidente da Christie's na Europa, que estimou que se vendesse em mais de 10 milhões de dólares.
A Christie's também oferece várias aquarelas eróticas de Schiele, magníficas obras de artistas franceses - Cézanne, Renoir, Berthe Morisot, Camille Pisarro, entre outros -, assim como várias pinturas de Picasso e Max Ernst.
Os leilões continuam na quarta-feira com a venda de arte do pós-guerra e contemporânea na Sotheby's, que está previsto que totalizem 42 milhões de libras (77,6 milhões de dólares), e um dia depois na Christie's, que estima que arrecadará 29 milhões de libras (53 milhões de dólares).
Entre as obras postas à venda pela Sotheby's destacam-se Splash, de David Hockney, que é a obra mais importante do artista britânico já oferecida em leilão e que, estima-se, possa alcançar 5,5 milhões de dólares.
Esta casa venderá ainda um retrato de Mick Jaegger de autoria de Andy Warhol (1,1 milhão de dólares), assim como obras de William de Kooning e Gerhard Richter e um nu de Lucien Freud, que se estima que superará os 3,5 milhões de dólares.
A estrela da venda de arte do pós-guerra na Christie's é um tríptico de Bacon, um auto-retrato que poderia ser vendido por 14 milhões de dólares, impondo um recorde para o artista britânico, vaticinou a especialista desta casa de leilões, Pilar Ordovás.
Esta casa oferece ainda duas esculturas do espanhol Chillida, que também poderia bater um recorde, assim como obras de Basquiat, Warhol, Lucio Fontanna e Yves Klein, entre outros.
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