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Uma pia feita com tubos de pasta de dente reciclados e um anel de ouro que se desmonta como um quebra-cabeça são exemplos de como a criatividade brasileira vem transformando o design nacional em produto de exportação.
As duas peças, premiadas no exterior e em exibição na 1ª Bienal Brasileira de Design, em São Paulo, foram criadas por profissionais que integram o jovem setor de empresas brasileiras de design, que começa a tomar corpo com recentes pesquisas e investimentos de olho nas exportação.
Levantamentos divulgados na terça-feira, feitos pela Confederação Nacional das Indústrias, mostraram que, das empresas que investiram recentemente em design, 75% tiveram aumento nos lucros, sendo que 41% delas reduziram custos.
Na Bienal, que reúne 600 peças de design até agosto no parque Ibirapuera, foi anunciado um convênio de R$ 2,38 milhões entre duas entidades - a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Associação Brasileira das Empresas de Design (Abedesign).
Mesmo sem ter uma base das exportações atuais do setor, o objetivo do programa é exportar US$ 3,2 milhões até março de 2007 e aumentar em 30% o número de empresas brasileiras de design exportadoras.
"Queremos levar o diferencial do design brasileiro para conquistar clientes lá fora", disse o presidente da Abedesign, Manoel Muller. "O design brasileiro tem conseguido impor uma marca lá fora pela diferenciação que tem na criatividade, no uso das cores, nos materiais."
O valor investido será usado para missões empresariais, como encontros de designers brasileiros com compradores estrangeiros, material de divulgação e participações em feiras e congressos internacionais.
Segundo Muller, o setor empresarial do design é muito recente, por isso a falta de estatísticas sobre exportações, apesar de notória a presença em negócios com empresas européias e latino-americanas.
A Abedesign congrega 45 empresas, mas estima a existência de outros 300 escritórios de diferentes portes pelo Brasil, sendo a maior concentração no Sul e Sudeste.
VINHOS, MADONNA E CELULARES
Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que visitou a Bienal, sempre houve orientação do presidente para que se desse impulso à produção brasileira, principalmente à "que envolvesse conhecimento, tecnologia, criatividade e agregação de valor".
O presidente da Apex-Brasil, Juan Quirós, comentou que a importância do design de produtos e de comunicação atravessa as áreas mais diversas possíveis, como moda, indústria de calçados, produtos de supermercado, aparelhos médicos e até rótulos e garrafas de vinho.
De fato, a 1ª Bienal de Design apresenta a diversidade da atuação criativa dos brasileiros, exibindo desde produtos recicláveis de baixo custo e estética curiosa, como a pia do escritório Fabíola Bergamo Design Box, a jóias cheias de requinte, como o anel de quebra-cabeça do designer Antonio Bernardo.
As peças estavam entre os 19 produtos e 17 empresas do Brasil premiados este ano com o iF Product Design Award, conhecido como o "Oscar do Design", que acontece anualmente no importante fórum de Hannover, na Alemanha.
Na Bienal, também estão expostos os trabalhos do designer Giovanni Bianco no mais recente álbum da cantora Madonna, cadeiras e iluminárias dos irmãos Humberto e Fernando Campana, uma geladeira da década de 1960 e produtos do cotidiano de hoje como embalagens modernas para celular e cremes para o corpo.
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