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São Paulo, Caracas, Bogotá e Cidade do México estão entre as 16 megalópoles convidadas à 10ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza, que abre suas portas ao público no próximo domingo sob o lema Cidade, Arquitetura e Sociedade.
"As cidades escolhidas são lugares nos quais pulsa uma mutação urbana global e constituem um leque de todas as condições urbanas contemporâneas", disse o diretor da bienal, o arquiteto e urbanista inglês Richard Burdett, professor da London School of Economics, ao apresentar a exposição à imprensa nesta quinta-feira.
A primeira Bienal de Arquitetura em 20 anos dedicada ao papel da cidade é, antes de qualquer coisa, uma viagem pelos cinco continentes, por suas cidades mais emblemáticas, da tecnológica Xangai e a povoadíssima Tóquio à equilibrada Londres e a "acessível" Bogotá. "É uma exposição mais para estudar do que para ver", alertou o presidente da Bienal, David Croff, que convidou a Veneza importantes sociólogos, urbanistas e administradores para refletirem sobre o vínculo entre arquitetura e sociedade.
Para ilustrar os desafios do crescimento urbano na América Latina, Burdett identificou quatro cidades exemplares por sua capacidade de inovação, de mutação e tomada de decisões que as transformou.
"Esta mostra se inicia com uma descrição das cidades do mundo e termina com um desafio para elas: contribuir para mudar", sustentou Burdett.
"A construção, em São Paulo, de 100 escolas públicas, acabou reduzindo o nível de criminalidade da cidade", destacou o arquiteto, que também citou Bogotá pela transformação de sua mobilidade, ao fechar ruas inteiras e reservá-las a pedestres, criar ciclovias e introduzir o sistema de ônibus denominado Transmilênio.
A defesa do "direito universal do uso comum", ou seja, o chamado espaço público, é considerado chave para as experiências vividas em São Paulo, Caracas, Cidade do México e Bogotá para integrar o mais pobre e o diferente.
"Escolas, bibliotecas, centros esportivos e artísticos transformaram a vida de seus habitantes e seu modo de se relacionar com a cidade", destacou o folder da exposição, que apresentou cada metrópole de forma indicativa: São Paulo (Um Motor no Novo Mundo), Cidade do México (Crescimento Ilimitado?), Bogotá (A Cidade Acessível), Caracas (Modernidade e Informalidade).
Preocupados com estimativas segundo as quais em 2050, 80% da população do planeta viverão em cidades, importantes arquitetos, como a iraniana inovadora Zaha Hadid e o renomado Norman Foster, passando pelos italianos Renzo Piano e Massimiliano Fuksas, participarão de debates e mesas redondas organizados durante os dois meses da bienal em torno do desafio de um novo modelo de metrópole que está emergindo no globalizado século XXI.
Nos magníficos e amplos espaços para exposições da Arsenale, antiga fábrica de barcos venezianos, e nos pavilhões nacionais dos Jardins, se celebra a enorme exposição, que ficará em cartaz até 19 de novembro. Em três mil metros quadrados, divididos por bosques, são exibidas imagens das 16 megalópoles, com seus dados estatísticos, fotos autorais, imagens de satélites, projetos arquitetônicos prontos ou por fazer e gráficos tridimensionais.
Além das quatro capitais latino-americanas, os visitantes poderão admirar o crescimento de Los Angeles e Nova York, Xangai, Mumbai e Tóquio, Johannesburgo, Cairo e Istambul, Londres, Barcelona, Berlim e Milão.
Pela primeira vez a bienal se estenderá para a Sicília para ilustrar o papel da cidade-porto.
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