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O leilão de uma das obras-primas do expressionismo alemão, Cena de rua em Berlim, de Ernst Ludwig Kirchner, previsto para esta quarta-feira, em Nova York, despertou polêmica na Alemanha, onde alguns criticam as condições em que foi restituída aos descendentes de um colecionador judeu.
A tela, intitulada originalmente Berliner Strassenszene e pertencente ao lote 37, foi pintada em 1913 e é, sem dúvida, uma das maiores obras do expressionismo alemão.
Na noite de quarta-feira, sob o teto dourado do Rockefeller Plaza, de Nova York, o quadro será vendido em leilão na casa Christie's com lances estimados entre US$ 18 milhões e US$ 24 milhões (14 a 19 milhões de euros).
Até agosto passado, o óleo sobre tela era a obra principal do aprazível museu Die Bruecke, situado nos bosques de Grunewald, sudoeste de Berlim.
Desde 1980, este pequeno museu dedicado aos precursores do expressionismo expunha a célebre pintura que retrata duas prostitutas e seus cafetões em meio a uma multidão no centro de Berlim.
Mas depois de dois anos de negociações, o museu teve que entregá-lo à neta de seu antigo proprietário, Alfred Hesse, um fabricante de calçados judeu e colecionador de arte de Erfurt, morto em 1932. Poucos dias depois de sua restituição, em 7 de agosto, a Christie's anunciou sua venda em leilão.
Em 2 de novembro, a Fundação do Museu Die Bruecke pediu à Christie's que cancelasse a venda prevista para 8 de novembro, afirmando que o translado da obra para os Estados Unidos havia sido ilegal.
A fundação garante que a casa de leilões não pediu autorização à Alemanha para exportar a obra.
O quadro pertence à categoria de obras culturais protegidas por um texto europeu de 1992 e a casa de leilões afirma possuir licença de exportação da União Européia.
O pedido da fundação é o último capítulo de uma restituição reivindicada e ligada à intensa história da pintura desde a década de 1930.
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