> Diversão  > Arte e Cultura
 notícias por e-mail  fale conosco  rss terra celular

 Sites relacionados
Bienart
Blog
Disney
Fotolog
Fotosite
GLS Planet
Guia de Cidades
Guia de Motéis
O Fuxico
Palavras Cruzadas
Passatempos
Portal Literal
Rádio Terra
Séries de TV
Teatro Chik
Virtual Books

 Fale conosco
Participe e envie suas sugestões aqui!

 Boletim
Receba as novidades por email. Grátis!

Arte e Cultura
Terça, 7 de novembro de 2006, 18h24  Atualizada às 18h58
Isabel Allende lança livro sobre figura histórica chilena
 
Últimas de Arte e Cultura
» Teatro Cultura Artística tem novo foco de incêndio
» Grupo lança primeira editora lésbica do Brasil
» Cultura Artística reembolsa ingressos adquiridos antes de incêndio
» J.K. Rowling é 3ª em lista dos escritores favoritos da Grã-Bretanha
Busca
Busque outras notícias no Terra:
Para escrever seu romance mais recente, a escritora chilena Isabel Allende pesquisou nas entrelinhas dos livros de história para dar vida a uma personagem pouco conhecida que desempenhou papel produtivo na colonização de seu país.

Inés del Alma Mia, lançado esta semana em versão inglesa pela HarperCollins, trata da vida de Inés Suárez, que nasceu em Plasencia, na Espanha, mas se mudou para a América do Sul, onde viveu um caso de amor incendiário com Pedro de Valdivia, um conquistador que fundou várias cidades chilenas, incluindo Santiago.

Quase 25 anos já se passaram desde o primeiro livro de Isabel Allende, A Casa dos Espíritos, e, desde então, ela já publicou 16 obras, incluindo Paula, um livro de memórias sobre a doença fatal de sua filha de 28 anos, que morreu em 1992. No momento a escritora está trabalhando sobre um segundo livro de memórias.

Isabel, 64 anos, que hoje vive na região de San Francisco, falou do papel de mais destaque concedido a Inés Suárez na história e sobre sua obsessão por escrever.

Por que a senhora decidiu escrever sobre Inés Suárez?
Todo o mundo no Chile já ouviu falar dela, mas há muito pouco a respeito dela nos livros de história, que em sua maioria foram escritos por homens. Ela não foi uma esposa bem comportada, mas uma concubina que viveu num tempo e lugar profundamente conservadores. Escrevi o livro porque adoro uma boa história, e essa tem tudo, desde guerra, cobiça e paixão até ciúmes e vingança.

Nunca se sabe o que pode acontecer com um livro. Talvez ninguém o leia, mas talvez ele cause uma mudança. Poderíamos estar em Plasencia. No ano que vem se completarão 500 anos da suposta data do nascimento de Inés, e agora a cidade planeja uma grande festa em homenagem a ela, e possivelmente erguer uma estátua dela. Hoje Plasencia tem uma prefeita mulher que ficou felicíssima em descobrir que existe uma heroína que nasceu ali.

Você descobriu muito sobre Inés nos livros de história?
Muito pouco. Havia alguma menção ao fato de ela ter cabelos ruivos e alguma menção de seus atos. Eu me sentei, liguei o computador, e a primeira frase veio à minha cabeça: "Eu sou Inés Suárez". Eu me tornei Inés. Não existe outra maneira de escrever uma história situada num tempo tão distante. Fui ela durante o tempo em que escrevi o livro ¿ vários meses.

A senhora sempre se envolve tão completamente com seus personagens?
Antigamente não, mas isso vem se intensificando com a idade. Antigamente eu escrevia no meu tempo livre, enquanto tinha outro emprego principal, e o resultado era diferente. Mas, a partir do momento em que comecei a ganhar a vida escrevendo, fui ficando cada vez mais obcecada com isso e cada vez mais focada.

Minha família já está acostumada com isso. Eu me concentro tanto que deixo de ter vida social. Escrevo por 10 a 14 horas por dia. Só vejo minha família, e geralmente fico muito distraída. Vejo meus netos e nem sequer me lembro de seus nomes.

É verdade que a senhora sempre começa a escrever seus livros no dia 8 de janeiro?
Sim. No início, era uma superstição. Comecei meu primeiro livro num 8 de janeiro, e o livro teve sucesso, então resolvi fazer o mesmo com o segundo, depois com o terceiro, e assim fui continuando. Mas se você não reserva tempo para isso, não escreve. Todo o mundo - meu empresário, meus editores, minha família - sabe que não estou disponível durante os seis primeiros meses do ano.

A senhora escreve em espanhol ou em inglês?
Não consigo escrever ficção em inglês. Posso escrever um discurso ou um artigo para um jornal, mas não ficção. A ficção acontece de maneira inconsciente. Mais tarde, eu edito e faço correções. Determinadas coisas só podem ser em espanhol, tais como sonhar, contar, cozinhar ou gritar com meus netos. O inglês não me vem organicamente.

Seu tio Salvador Allende foi presidente do Chile de 1970 até o golpe de Estado de 1973, quando ele morreu, e a senhora era íntima dele. A senhora pretende escrever sobre ele algum dia?
Acho que não. Sou escritora de ficção, então seria difícil para mim escrever uma biografia de Allende. Além disso, sou demasiado apegada ao personagem e à época para conseguir me distanciar.

Dois de seus livros foram adaptados para o cinema em Hollywood: A Casa dos Espíritos e De Amor e de Sombras. A senhora teve algum envolvimento nos filmes?
Nem um pouco. Você assina um papel, e acabou. Uma vez que seu livro é publicado, ele deixa de ser seu filho. As pessoas já fizeram peças e óperas de meus livros. Na Islândia, fizeram um musical baseado em Contos de Eva Luna que se passa numa selva.

O que a senhora está lendo no momento?
Estou lendo diversos livros. Quando escrevo, leio coisas relacionadas à minha história. Se estou escrevendo sobre a conquista do Chile, leio livros de história. Eu leio não ficção, mas prefiro a ficção. Estou lendo o livro de Daniel Alarcón Lost Radio City (ambientado num país sul-americano fictício em que guerrilheiros entram em choque com o governo), que é fantástico.

Que conselho a senhora daria aos candidatos a escritores?
Simplesmente se sente e escreva. Pense que você vai escrever um romance ruim, não o grande romance americano. Sente-se todos os dias para escrever. Se você escrever cerca de dez páginas por dia, pode aproveitar possivelmente uma página dessas dez, e ao final do ano terá 365 páginas. É como treinar para uma maratona. Se você não treinar, não poderá correr. Não quero ouvir falar de como é difícil.
 

Reuters

Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.