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Teatro
Sexta, 5 de março de 2004, 15h36 
Falabella e Raia encenam clássico do besteirol
 
Fernanda Castello Branco
 
Gilberto Marques/Virgulando
Miguel Falabella e Cláudia Raia na hora do casamento de Nélio e Ângela
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Com lágrimas nos olhos, Miguel Falabella falou do amigo Mauro Rasi, morto no ano passado. As declarações foram feitas na entrevista concedida à imprensa para falar de Batalha de Arroz num Ringue para Dois, escrita há 19 anos pelo dramaturgo paulista e que ele encena e dirige a partir desta sexta-feira, no Tom Brasil, em São Paulo.

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Atores falam da peça. Assista a cena!

Pela terceira vez, Falabella sobe ao palco para interpretar esse texto, considerado por ele uma das obras-primas de Rasi. Depois de ter ao seu lado as atrizes Bia Nunnes e Cláudia Jimenez, é a vez de Cláudia Raia, que como expectadora já viu a peça três vezes, dar vida a Ângela, a mulher que percorre quatro "bodas" (divisões do espetáculo) ao lado do conturbado marido Nélio.

"Não consigo entender fazer teatro sem disciplina total. E a Cláudia é uma figura impressionante, a capacidade de trabalho dela é enorme", elogiou Falabella, fazendo questão de ressaltar que a atriz é sua amiga e vizinha.

Claúdia Raia, por sua vez, também não poupa elogios ao colega de elenco. "O Miguel é um homem de teatro. É um gentleman, impecável, cuida bem das mulheres que trabalham com ele. Temos uma relação de muito respeito", afirmou.

Considerado um dos nomes mais atuantes no chamado teatro do besteirol, nome, aliás, detestado por ele ("é pejorativo", disse), Miguel Falabella considera Batalha de Arroz num Ringue para Dois uma "peça emblemática" do gênero. "Pelo diálogo fino e preciso e pela distorção dos personagens", explicou. "O Mauro Rasi tinha isso: ele pegava uma lente de aumento que distorcia, mas ao mesmo tempo deixava tudo crível."

No palco, as figuras distorcidas são Nélio e Ângela, casal que passa por diversas situações (ou bodas, como define o texto). "É o mesmo casal, em situações distintas. O Mauro mostra, na verdade, a mulher atolada e destruída pela figura masculina", conta Cláudia Raia.

As bodas
Na primeira parte do espetáculo, o público acompanha o casamento dos personagens. Realizando um sonho pessoal de usar um vestido de noiva de Walter Rodrigues, Cláudia Raia surge imponente no palco. "Eu me sinto uma rainha com esse vestido", disse. Depois, a crise começa a surgir e o casal passa pela Bodas do Ciúme. "Eles têm uma relação doentia", explica a atriz. "Moram no Itaim Bibi (bairro de classe média alta, na zona oeste de São Paulo), mas ela faz compras no Tatuapé (bairro da zona leste) porque ele já fez confusão com toda a vizinhança", conta Miguel Falabella, aos risos.

Na segunda parte da peça, que, como todas do besteirol, é dividida em esquetes, o público verá a Bodas da Idolatria. "Nessa parte, ela não consegue nem falar. Só fala na respiração dele", explica Raia. O personagem de Miguel Falabella, nesta parte da peça, é um homem preocupado com o mundo, mas nunca com a família.

A terceira parte mostra a Bodas da Supressão, na qual Cláudia Raia exibe toda a sua versatilidade corporal (a atriz, que é bailarina profissional, vai se "quebrando fisicamente em cena"). "É a melhor parte. A mais densa", define Falabella. "Tudo o que ela tenta fazer dá errado, quebra e cai. Ela é uma marionete", diz a atriz. O público cai na gargalhada exatamente por causa da contradição que há nesse homem que vê defeito em tudo o que a mulher faz - ou tenta fazer - mas sempre da forma mais educada possível. "Ele destrói ela, mas é muito carinhoso", conta Raia.

Para encerrar, a Bodas da Paixão é o "delírio total", segundo palavras do diretor e ator. "Ele vai embora e ela não quer perdê-lo. Ela vira uma gueixa louca. Por amor, para que ele não vá embora", diz.

Em sua terceira montagem de Batalha de Arroz num Ringue para Dois, Miguel Falabella faz questão de ressaltar que a atual é uma releitura, inclusive com cenários e figurinos novos. Cláudia Raia concorda e, para não se deixar influenciar pela atuação de Jimenez, nem quis assistir ao DVD gravado no Rio de Janeiro, ano passado. "Ela é minha amiga querida, amiga dos meus filhos, mas somos diferentes. Eu não poderia fazer como ela", explica.
 

Redação Terra