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Arte
Quinta, 22 de abril de 2004, 12h37 
Bienal descarta trator de Matthew Barney
 
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O excesso de peso de um trator florestal usado por Matthew Barney em Salvador fez o curador Alfons Hug desistir de levar para a 26ª Bienal de Artes de São Paulo parte da intervenção que o artista norte-americano fez no Carnaval baiano deste ano.

No lugar, Hug tentará exibir o vídeo feito por Barney durante o uso do trator, no percurso do bloco carnavalesco De Lama Lâmina, apesar de até o próprio artista ignorar quando o vídeo ficará pronto. A 26ª Bienal começa em setembro.

"Fizemos um estudo técnico que mostrou que o chão da Bienal não aguenta o peso do trator de 38 toneladas. O projeto se inviabilizou", disse Alfons Hug à Reuters na segunda-feira, em uma entrevista por email.

"Uma alternativa pode ser o vídeo que Matthew fez na Bahia", completou, sem dar detalhes. Os filmes da série Cremaster, que fizeram a fama de Barney pelo mundo, não estão em negociação com a Bienal.

Em entrevista à Reuters, Barney disse que ainda não sabe quando irá lançar o filme, "o que é uma sensação boa, depois de trabalhar de uma maneira mais predeterminada nos últimos 10 anos".

De Lama Lâmina, nome do bloco carnavalesco criado por Barney e pelo músico norte-americano Arto Lindsay, desfilou no Carnaval baiano em fevereiro. O artista filmou todo o percurso do grupo com três câmeras.

O bloco era composto por um trator florestal, que carregava a sua frente uma árvore de seis metros arrancada pela raiz. Em cima dela, uma mulher a escalava. No meio das ferragens do trator estava um homem seminu.

O trator ainda puxava uma estrutura toda coberta de lama seca, imitando uma caixa de terra. Em cima, os músicos iam tocando, liderados por Lindsay. Na trilha, músicas de Carnaval, improvisações de guitarra e refrões mântricos.

Alfons Hug, que também foi curador da 25ª Bienal, viajou a Salvador no dia do desfile para ver de perto o trabalho de Barney.

"Barney é um dos artistas mais importantes de sua geração. Isso por causa de sua ousadia, da criação de imagens inéditas e seu conceito de material muito expandido. É um artista que tem que ser observado de perto e sempre", disse Hug na época.
 

Reuters

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