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Arte e Cultura
Sexta, 4 de julho de 2008, 12h38  Atualizada às 13h53
Poeta britânico Robert Graves é acusado de plagiar amante
 
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Robert Graves (1895-1985), considerado um dos maiores poetas britânicos do século passado e autor de livros sobre a mitologia grega, foi acusado por um acadêmico de roubar idéias e versos de sua amante americana, Laura Jackson.

Segundo Mark Jacobs, pesquisador da Universidade de Nottingham Trent, no Reino Unido, - que dedicou 20 anos ao estudo de 700 cartas de Laura para Graves -, esta teria percebido semelhanças entre coisas que havia escrito e alguns textos de Graves, e acusou o poeta de plágio.

Jacobs, que atualmente escreve um livro sobre a relação entre Graves e Laura, afirma que esta última teve uma enorme influência sobre a obra do britânico e acredita que é preciso revisar os escritos do autor de Eu, Claudius depois de tal revelação.

Graves e Laura se tornaram amantes em 1920, quando o poeta ainda vivia com sua primeira esposa, Nancy Nicolson, e a nova parceira do autor foi morar na casa do casal pouco depois de uma tentativa de suicídio, à qual ela mesma se refere em uma de suas cartas.

Segundo Jacobs, Laura acusou Graves de ter "roubado" suas idéias, das quais se apropriou como se fossem suas, para utilizá-las em um estudo final sobre a inspiração poética A Deusa Branca, publicado em 1948.

Ainda segundo Jacobs, a obra de Graves foi inspirada em um ensaio que Laura escrevera nos anos 30 e que tem o título de A idéia de Deus.

Graves e Laura foram morar em Mallorca, onde ela deixou seu manuscrito quando o casal teve de fugir da Espanha, no início da Guerra Civil, em 1936.

Segundo Jacobs, o manuscrito - que Laura pediu a Graves para atirar à fogueira -, foi usado pelo poeta como base de A Deusa Branca.

Entre 1926 e 1929, Graves roubou muitas idéias e pesquisas de sua amante para utilizá-las em seus livros, acusa o especialista.

Graves utilizou também quatro versos de um poema que Laura publicara pelo menos 20 anos antes sobre Hércules em seu próprio poema Ogmian Hercules.

Em suas cartas a Jacobs, a escritora acusa, entre outras coisas, seu ex-amante de ter "sugado, sangrado, espremido, saqueado e despedaçado" sua obra depois que ambos terminaram a relação, em 1939, e considera que foi uma vingança.

No entanto, o professor Dunstan Ward, presidente da Robert Graves Society, afirma que há provas suficientes de que Graves havia começado a desenvolver a teoria de A Deusa Branca antes de conhecer Laura.

Além disso, seu poema A History, escrito também por Graves antes do início do relacionamento, e os versos de Ogmian Hercules, supostamente plagiados, são uma homenagem a Laura Jackson.
 

EFE

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