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Arte e Cultura
Sexta, 4 de julho de 2008, 14h03  Atualizada às 14h04
Flip é exemplo de festa da democracia cultural
 
Cláudia Marapodi
Direto de Paraty
 
Claudia Marapodi/Terra
Humoristas da Rádio Comida alegram público da Flip
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O sol resolveu aparecer de verdade neste terceiro dia do Flip - Festa Literária Internacional de Paraty - e o clima mais quente parece ter animado os visitantes que, desde cedo, já lotavam os espaços da festa, ficando em alguns trechos do circuito, como a praça da Matriz, difícieis de se locomover.

» Veja fotos dos artistas
» Veja a programação da Flip 2008

O mais legal da Flip é o que acontece fora da programação do evento. São artistas independentes de todas as partes do Brasil que se divulgam e mostram seus trabalhos nas ruas do Centro Histórico e próximos das tendas. Por incrível que pareça, eles atraem a atenção de muitos flipeiros, como o grupo de humoristas Rádio Comida.

O Rádio Comida faz paródias com grandes sucessos da música brasileira e internacional e interpretam cerca de 500 artistas. Afinados e engraçados, fazem com que as pessoas parem para ver o show deles, que dura cerca de vinte minutos. O mais interessante é que quase ninguém se nega a gratificá-los no final.

O grupo formado por Rolando Beltrão, que é chileno, Alexandre, o Ovelha, Cadu e Fernando Kuder, idealizador do trabalho, realiza apresentações em restaurantes da cidade de São Paulo e está pela terceira vez se apresentando na Flip.

Outro achado em Paraty é o itaparicano Gregório Gomes, que veio pela primeira vez à Flip com sua família. Seu objetivo maior é distribuir e divulgar seu primeiro livro, que foi escrito, editado e impresso por ele.

Entitulado O enterro de Lord, o livro é quase um romance curto, que é para as pessoas terem vontade de devorá-lo rapidamente, explica o autor.

A história acontece entre os anos de 1930 e 1940 e conta a vida de personagens que Gregório conviveu quando garoto - pessoas que já morreram - e a saga de uma família de poder, onde os filhos não aproveitam sua condição econômica para a formação cultural e se rendem a extravagância do dinheiro.

Outro que também está divulgando e vendendo seus livros na Festa de Paraty é Paulo Cavalcante, professor de história, paraibano, que está pela quarta vez na Flip divulgando seu trabalho.

O livro de Cavalcante é um romance realista sobre uma seca que durou 21 meses. Nele, ele narra a luta do sertanejo para não fazer o êxodo rural, a mortalidade infantil e a exclusão social, baseado em história real.

Segundo o autor, a construção desse livro foi de oito anos e foi editado pela Universidade Federal da Paraíba e está em sua terceira edição, sendo que mais de dois mil exemplares foram vendidos nesse corpo-a-corpo.

Paulo Cavalcante encontrou uma maneira diferente de chamar a atenção das pessoas. Ele usa chapéu de cangaceiro e utiliza uma espécie de sapato grego, que serve também de porta-marmita, onde ele armazena alimentos.

Outra história interessante é do artista Augusto Cândido do Nascimento, conhecido como Pica-Pau. Seu apelido faz jus ao seu ofício. Pica-pau talha troncos e pedaços de madeira que encontra e transforma em verdadeiras obras de arte.

O artesão conta que desde a infância fugia da escola para fazer artesanato em Olinda, Pernambuco. Há 42 anos, vive do que faz com sua arte. Pica-pau mora em Paraty há nove anos e adotou a cidade para viver, se considerando um caiçara.

Um novo autor que encarou a distância para divulgar seus livros é o jovem de 22 anos, Julianos Sasseron, que veio de Alfenas, Minas Gerais e está vendendo suas obras numa rua do Centro Histórico.

O estilo de Juliano é ficção e misticismo e seu segundo livro, Crianças da Noite, fala de vampirismo. O primeiro, Abençoado, trata da luta entre o bem e o mal. A meta do jovem escritor é vender pelo menos 50 exemplares de seus livros.
 

Redação Terra