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Arte e Cultura
Sábado, 19 de julho de 2008, 09h20  Atualizada às 09h14
Broadway planeja produção bilíngüe de 'West Side Story'
 
Julie Bosman
 
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Mais de 50 anos após a estréia do musical West Side Story na Broadway, seu retorno aos palcos está previsto para fevereiro em uma remontagem mais sombria, realista e bilíngüe, disseram os produtores do musical esta semana.

Grande parte dos diálogos falados e cantados será em espanhol, elemento que, segundo o diretor Arthur Laurents, dará ao musical mais paixão e autenticidade.

"Os atores falarão espanhol onde eles naturalmente o fariam", disse Laurents em entrevista por telefone de sua casa em Quogue, Nova York, complementando que haverá legendas de auxílio à platéia.

"As cenas em espanhol serão muito emocionantes porque os atores estarão menos inibidos. Não acho que muitos vão prestar atenção à tradução."

Laurents, autor do livro West Side Story e diretor da atual remontagem para a Broadway de Gypsy, cujo livro também foi escrito por ele, afirma que sua nova montagem será mais realista que a original, um musical romântico de gangues adolescentes, inspirado em Romeu e Julieta, que se passa no lado oeste da Manhattan dos anos 1950.

Com melodias de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim, o musical original estreou na Broadway em 1957, obtendo grande sucesso de crítica. Brooks Atkinson, do The New York Times, disse que a produção era "profundamente emocionante, tão feia quanto a selva urbana, e também patética, sensível e clemente.

Após 732 apresentações, West Side Story virou filme, com Natalie Wood e Richard Beymer, em 1961, para depois retornar aos palcos em novas montagens em 1964 e 1980.

Laurents ainda se incomoda ao falar da remontagem de 1980, que ele considera sem graça. Quanto à versão cinematográfica, ele afirma: "os sotaques, dialetos e figurino eram artificiais. E a atuação também foi péssima."

Interpretações anteriores deram um ar exagerado de inocência aos personagens, Laurents disse. "Esses garotos não devem ser tratados como queridinhos, mas sim pelo que de fato são," ele disse. "Eles são todos assassinos, Jets e Sharks. E a peça fala sobre como o amor é destruído por um mundo de violência e intolerância."

"A idéia de fazer uma remontagem do século 21 surgiu há cinco anos, em parceria com Jeffrey Seller e James L. Nederlander", disse Kevin McCollum, produtor. Mas após várias discussões, a idéia foi posta de lado. "Não era a hora certa."

Dois anos depois, Laurents ligou para McCollum. "Ele me levou ao seu apartamento e disse, 'tive uma idéia'", conta McCollum. "Ele realmente queria explorar uma linguagem mais autêntica, o que nos deixou entusiasmados."

McCollum e Seller também produziram In the Heights, um musical que se passa em Washington Heights e que é repleto de falas em espanhol.

Laurents, que completou 91 anos na segunda-feira, disse que a idéia para a nova montagem foi inspirada em Tom Hatcher, seu companheiro por 52 anos, que morreu em 2006.

Hatcher era fluente em espanhol e em uma visita a Bogotá, Colômbia, assistiu ao espetáculo West Side Story em espanhol. Nessa versão, Hatcher contou a Laurents, a língua transformou a peça: Os Sharks viraram os heróis e os Jets, os vilões.

Foi assim que surgiu a idéia de incorporar o espanhol à nova montagem. "Achei que seria maravilhoso poder igualar as duas gangues," Laurents disse. "Mas tive vários problemas porque dependia muito de Tom, que é fluente em espanhol. E então ele morreu."

Pouco tempo depois, dois amigos de Laurents em Buenos Aires lhe disseram que tinham um roteiro de West Side Story em espanhol, com anotações de Hatcher. "Foi como se ele estivesse me dizendo, 'você tem que fazer isso'", disse Laurents.

Assim, com a ajuda de um tradutor, Laurents começou a adicionar o espanhol ao roteiro original.

O resultado é o que ele chama de "bate-bocas sexuais bilíngües" entre os personagens de Anita e Bernardo, com algumas das letras de Stephen Sondheim também traduzidas para o espanhol. Outros elementos, como a coreografia original de Jerome Robbins, não foram alterados.

A seleção dos atores para o musical já começou e será concluída por volta de meados de setembro, disse McCollum. O espetáculo ficará em cartaz por quatro semanas no Teatro Nacional de Washington a partir de dezembro.

Laurents disse que pretende usar atores hispânicos para os papéis dos Sharks porto-riquenhos e para o papel da protagonista Maria. "Não vou usar maquiagem para escurecer a pele da atriz", disse Laurents. "Acho importante ter uma latina no papel por uma simples razão - acredito que ela saberá como se sente um forasteiro. Se os atores tiverem sangue porto-riquenho, eles saberão o que é preconceito. Se eles tiverem qualquer tipo de sangue hispânico, eles saberão o que o preconceito significa."

Amy Traduções
 

The New York Times