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Arte e Cultura
Sábado, 19 de julho de 2008, 10h38 
"Ainda não me sinto uma escritora", diz Fernanda Takai
 
Leandro Souto Maior
 
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Que a cantora Fernanda Takai se arriscava na literatura, não é novidade. Além das letras de músicas do Pato Fu, há três anos ela escreve crônicas para dois jornais, um de Minas Gerais e outro de Brasília. As 40 melhores foram selecionadas e publicadas no livro Nunca Subestime uma Mulherzinha (Panda Books) em outubro do ano passado.

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Com a agenda cheia, não só pelos compromissos com Pato Fu, mas também da bem sucedida recém começada carreira solo, a cantora não realizou muitos encontros com o público para falar especificamente do livro, o que finalmente aconteceu no Rio na tarde desta sexta-feira, na livraria Saraiva, no Centro.

Compareceram ao bate-papo, seguido de autógrafos e fotos, de antigos fãs - desde o início da carreira do Pato Fu, em 1992 - até os mais recentes, pescados pelo novo lançamento Onde Brilham os Olhos Seus (em que fez uma releitura do repertório de Nara Leão).

"As crônicas são sobre o cotidiano da minha casa. As musas são as mulheres da minha família", conta Fernanda, que também falou bastante sobre o CD solo na conversa com o público.

"Na verdade, minha voz é muito mais para uma cantora de bossa que de rock. Muita gente sempre fez referência da minha voz com a da Rita Lee, que é roqueira mas também é bastante bossa. O Nelson Motta foi a primeira pessoa que pescou o lance com a Nara. E ano que vem são 20 anos sem a Nara Leão", disse, quem sabe apontando para a possibilidade de mais um CD com mais do riquíssimo repertório da 'musa da Bossa Nova'.

"No contrato, ainda tenho que gravar um disco solo, mas não sei quando será nem o repertório".

Em termos de números, Fernanda Takai tem produzido muito mais solo que com o Pato Fu. "Também tenho cantado com outros artistas. Gravei com o Geraldo Azevedo e com o Tom Zé recentemente. Mas minha prioridade é o Pato Fu. Ano que vem lançaremos o décimo disco da banda", garante.

Antes de Onde Brilham..., muita gente sabia quem era Fernanda Takai, mas nunca tinha a ouvido cantar. Um resultado positivo também com o livro pode ser a garantia de uma próxima reunião de mais crônicas, que ela continua escrevendo para os jornais.

"Não é um plano imediato, ainda não me sinto uma escritora", diz, modestamente. "Mas é claro que se for um sucesso, se vender bem, se a editora sugerir, outro volume pode vir a acontecer."

Ainda falando sobre literatura, ela contou que começou a ler pelos gibis do Maurício de Souza, depois Monteiro Lobato até Cecília Meireles.

"Com uns 8 ou 9 anos, a música tomou o meu tempo, mas ainda gosto muito de ler. Hoje vou desde Stephen King a José Saramago. O Fernando Meirelles fez muito bem em comprar os direitos do Blindness", diz, referindo-se à adaptação do diretor de Cidade de Deus para a obra de Saramago.

"Eu mesma tive esse ímpeto. Quando li, pensei na hora que daria um filme."

Por enquanto, a cabeça de Fernanda Takai está nas férias que pretende tirar no ano que vem. Até março ela está em turnê com o Pato Fu e até o meio do ano ainda cumpre agenda de sua carreira solo.

"Até o meio do ano que vem não vou lançar nada, só fazer a manutenção desses projetos na estrada. Nunca trabalhei tanto na minha vida, depois vou dar uma desacelerada para cuidar mais da minha filha".

Na tarde de autógrafos, a amapaense criada em Minas Gerais contou ainda que é formada em Relações Públicas e que a passagem pela faculdade foi fundamental para a carreira.

"Minha interface com o público é muito melhor por ter passado por uma universidade. Se eu parasse de cantar, voltaria para a Comunicação."

Ela mesma responde as cartas e e-mails dos fãs. "Faço questão de cuidar disso pessoalmente. Quando recebo um postal da Suzanne Vega lá de fora eu dou pulos de alegria, então eu sei bem como é trocar essa energia com os fãs dos dois lados", compara.
 

JB Online