| Lucilia Guimarães/Divulgação |
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| Frank Black e Kim Deal juntos novamente? Há muito se esperava por isso |
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A segunda edição do Curitiba Pop Festival movimentou a capital paranaense durante os últimos dias 7 e 8. Pelo palco montado na Pedreira Paulo Leminski passaram, ao todo, 19 atrações, sendo três internacionais, totalizando cerca de 15 horas ininterruptas de pop/rock alternativo.
O público pressionou e a organização removeu as grades que separavam quem havia comprado a primeira leva de 3 mil ingressos (com local privilegiado, em frente ao palco) de quem conseguiu entrada apenas na segunda leva, de mais 5 mil ingressos, colocados à venda semanas depois graças ao imenso furor causado pela vinda dos americanos-ícones do Pixies.
Com público menor e disperso mesmo na hora dos shows, o primeiro dia só conseguiu arrancar aplausos da platéia na apresentação do Sonic Jr, duo alagoano que mistura regionalismos com experimentações eletrônicas e que tocou depois de bandas queridas da cena independente, como o Pipodélica (SC), e antes da primeira atração internacional, os cheios-de-pose e desconhecidos Hell On Wheels (Suécia).
Por irônico que pareça, duas bandas curitibanas, Kingstone e Íris, passaram praticamente despercebidas. O primeiro, por estar evidentemente deslocado com seu ska praieiro num festival destinado ao público roqueiro; o segundo, por ter um som cheio de nuances e pouco enérgico, inapropriado para um grande evento ao ar livre.
Vindos de três concorridos shows em São Paulo, o Teenage Fanclub (Escócia) fechou a noite com o show mais redondo. Perfeitamente pop e visivelmente contentes de estarem no palco, os cultuados escoceses extraíram a maior parte de seu repertório do álbum Grand Prix (95), com direito a coro da platéia exausta pelo frio intenso na faixa About You.
Pixies, Pixies, Pixies
O aguardado segundo dia, que começou no meio da tarde, trouxe pelo menos uma boa revelação: as melodias apuradas do Excelsior (Curitiba) surpreenderam os poucos que chegaram cedo no local. Enquanto os três primeiros grupos do dia, Tarja Preta (Curitiba), Poléxia (Curitiba) e Grenade (Londrina) tocavam, as poucas pessoas da platéia se concentraram nas tendas que vendiam CDs e camisetas e na praça de alimentação.
Os Autoramas (RJ) brincaram com os acordes de Here Comes Your Man, hit do Pixies, antes do fraquíssimo punk rock do Pelebrói Não Sei (Curitiba).
Entre o pop radiofônico do Ludov (São Paulo) e a vanguarda bem-recebida do Mombojó (Recife), o show correto dos curitibanos do Relespública, marcando 15 anos de estrada de luta rock, chamou o público pra frente do palco.
Quem foi apresentado com certo destaque - o trio de roqueiros gaúchos Frank Jorge, Flu e Wander Wildner e a ressuscitada guitar band Pin Ups (São Paulo) - foi quem mais decepcionou. Destacados no release como "Crosby, Stills, Nash & Young punk-sulista", os gaúchos fizeram uma apresentação que mais parecia passagem de som, fora de ritmo e desencontrada. E os Pin Ups, remontados para este show, se viram obrigados a pedir aplausos numa jam session que incluiu covers do The Stooges e Jesus & Mary Chain.
Pontualmente à 0h do dia 8, Curitiba recebeu a única apresentação na América Latina da reunião dos Pixies. O contrato deixava claro que o grupo tocaria por uma hora e meia, a partir daquele horário. Por isso, os minutos contados de cada um dos shows anteriores.
Não importa que eles tenham voltado apenas pelo dinheiro, ou que não tenham trocado uma palavra sequer com o público, nem mesmo um olá. Tecnicamente perfeito, os tiozinhos mostraram que uma década não foi suficiente para apagar o brilho do rock milimetricamente tosco que influenciou Nirvana e Radiohead.
Foram noventa minutos irretocáveis, começando com Bone Machine, que arrancaram urros a cada hit: uníssono em Monkey Gone To Heaven, animação geral em Here Comes Your Man e comoção no bis, que contou com Gigantic e Debaser. O baterista, com um sorriso no rosto, tirou fotos da público no início e no fim da apresentação.
Histórico, o show do Pixies colocou o Curitiba Pop Festival no calendário da música pop e o consolidou como o mais relevante festival de música alternativa do país. 1) por trazer grupos antes impensáveis para o Brasil e 2) por colocar os holofotes em uma nova safra do rock nacional.
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