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A revolução cubana sempre tentou se antecipar aos seus inimigos, criando sua própria "contra-revolução", como é o caso de Miami, afirmou o escritor cubano Norberto Fuentes, ao apresentar seu livro La autobiografía de Fidel Castro, em Madri.
"A contra-revolução de Miami está controlada pela Revolução, pela segurança do Estado", disse Fuentes.
"Muito da história da dissidência (cubana) é uma dissidência criada pela revolução de propósito. É uma norma da revolução criar contra-revoluções", afirmou o escritor, de 61 anos, que foi estreito colaborador do líder cubano, Fidel Castro.
"A revolução sempre esteve à frente de seus inimigos (...), se antecipa aos seus inimigos potenciais e cria sua liderança", continuou Fuentes, que agora é considerado "persona non grata" na ilha.
"Eu faço a história de Fidel Castro, eu não fiz um livro para criticar ou para deixar de criticar. Eu tento interpretar uma informação que tenho sobre ele e sobre a revolução vivida de perto (...) e tento interpretá-la com certa distância, ainda mínima, eu penso", disse o escritor cubano.
Segundo ele, Fidel Castro costuma usar as pessoas, segundo seus interesses e os interesses da revolução e teria conspirado "contra o governo de Salvador Allende desde o princípio" porque sua vitória no Chile "significava a derrota de sua tese sobre a guerrilha e a luta contra os Estados Unidos".
O escritor disse ainda que o ditador cubano é "um homem inteligente, culto e talhado para o poder", um conceito que considerou ser "a sseência da revolução cubana".
Autor de livros como Condenados de Condado, com o qual ganhou o Prêmio Casa das Américas de 1968, e Reencuentro con Hemingway, Fuentes chegou a acompanhar Fidel Castro na cúpula dos países não-alinhados de Harare, em 1986, antes de cair em desgraça.
Seus vínculos com o general Arnaldo Ochoa e com Antonio de la Guardia, ambos executados em 1989 pelo regime de Havana num obscuro caso envolvendo drogas, acabaram colocando-o sob vigilância policial permanente, até ser detido ao tentar fugir de Cuba e libertado graças à pressão internacional.
Em setembro de 1994, após uma greve de fome e com a ajuda de amigos escritores, especialmente os americanos Norman Mailer e William Kennedy, e com a intermediação do colombiano prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, Fidel lhe permitiu sair num avião mandado pelo então presidente mexicano Carlos Salinas.
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