|
A escritora Siri Hustvedt, casada há mais de 20 anos com Paulo Auster, a grande estrela da 2ª Festa Literária Internacional de Parati, está lançando no evento seu primeiro livro publicado no Brasil, O Que Eu Amava/i>, sobre as relações do mundo das artes na Nova York dos anos 1970.
A obra conta a história de amizade entre um historiador de Arte e um artista, que passam a morar no mesmo prédio e se tornam pais na mesma época. Num dado momento, uma tragédia interrompe a vida dos personagens e muda suas trajetórias.
"Pessoas do mundo inteiro me disseram que choraram nessa parte, o que, de certa maneira, me deixou feliz", disse a escritora a jornalistas na manhã de quinta-feira, evitando falar da "tragédia" para não estragar a surpresa.
"O livro é bem pouco sentimental e, se as pessoas choram, é porque eu consegui passar o sentimento do personagem naquele momento."
"Escrever para mim é uma coisa profundamente física e uma experiência rítmica", continuou Hustvedt, que diz ter reescrito quatro vezes o romance.
Como Paul Auster, ela começou a carreira literária escrevendo poemas. Sua primeira coletânea, Reading to You, foi publicada em 1982. Dez anos depois, lançou o romance Blindfold, que em 2000 virou filme (Of Women and Magic) pelas mãos do diretor francês Claude Miller.
Ela também escreveu um livro de ensaios sobre arte, Yonder, no qual se concentrou principalmente na obra do pintor Vermeer. Hustvedt já tem dois livros de ensaios prontos, um deles a ser lançando em 2005.
Contrariando expectativas, ela revela que o primeiro trabalho produzido a quatro mãos com o marido Auster frustrou a ambos. "Foi um roteiro, há alguns anos. A experiência deu certo, mas, como o filme não ficou bom, resolvemos tirar nossos nomes dos créditos."
Apesar disso, a escritora disse que ambos têm referências muito semelhantes. "Somos o porto seguro um do outro", afirmou. Eles se conheceram na época em que Auster escrevia Invenção da Solidão, em 1982.
Impressões de São Paulo
No Brasil pela primeira vez, Hustvedt comentou a arquitetura de São Paulo, por onde passou antes de ir a Parati, e disse que ainda não teve tempo de visitar museus, coisa que sempre faz quando conhece um lugar diferente.
"Fiquei fascinada pela arquitetura de São Paulo, pelos prédios tão díspares entre si. Poderia andar por São Paulo durante semanas. Gosto dessa diversidade, de pessoas diferentes convivendo no mesmo espaço. Nova York é um pouco assim também."
Entre os escritores brasileiros, Hustvedt citou Machado de Assis, de quem leu Memórias Póstumas de Brás Cubas.
"Era uma edição muito antiga e na contracapa o texto falava sobre um personagem cínico. Mas eu discordo, achei-o profundamente humano. Uma pessoa cínica não estaria tão ligada a sentimentos como ele estava", disse a escritora.
|