> Diversão  > Arte e Cultura
 notícias por e-mail  fale conosco  rss terra celular

 Sites relacionados
Arteum
Blog
Caras
Disney
Fotolog
Fotosite
GLS Planet
Guia de Cidades
Guia de Motéis
OFuxico
Palavras Cruzadas
Passatempos
Portal Literal
Rádio Terra
Séries de TV
Teatro Chik
Virtual Books

 Fale conosco
Participe e envie suas sugestões aqui!

 Boletim
Receba as novidades por email. Grátis!

'
Arte e Cultura
Quinta, 8 de julho de 2004, 21h27 
Poesia estréia na Flip com Antunes e Cicero
 
Terra
Arnaldo Antunes: concretismo pop
Últimas de Arte e Cultura
» Recordando o século 20, mostras nos EUA provam poder da arte
» Mostra 'Insights' explora universo de artistas cegos
» Stephen King pode escrever sequência de 'O Iluminado'
» Artista faz esculturas com peças de carros
Busca
Busque outras notícias no Terra:
A poesia chegou atrasada na Festa Literária Internacional de Parati, que esqueceu do gênero literário na sua primeira edição, no ano passado. Mas nesta quinta-feira, a poesia aportou na cidade litorânea do Rio de Janeiro por meio da obra de Chico Alvim, Antonio Cicero e Arnaldo Antunes, que leram para o público alguns de seus poemas.

Especial sobre a FLIP

Depois da primeira rodada de leitura, quando cada um declamou cinco de seus poemas, a mediadora Maria Rita Kehl, psicanalista e também poeta, emendou: "Acho que a essa altura o público já percebeu que eles são bem diferentes, cada um usa a musicalidade de um jeito."

Enquanto Arnaldo Antunes marcava o ritmo de sua leitura batendo discretamente o pé, Chico Alvim era o oposto, lendo quase que sem entonação nenhuma. Cicero, que também é letrista, ficou no meio-termo.

Além de poetas, Antunes e Cicero são músicos e compositores. Antunes fez sucesso com o grupo de rock Titãs por uma década e, mais recentemente, ao lado de Marisa Monte e Carlinhos Brown no projeto Tribalistas. Como artista multimídia, ele tem três livros de poesia editados, entre os quais As Coisas, com o qual ganhou o prêmio Jabuti em 1992.

Cicero, que é filósofo e irmão da cantora Marina Lima, apresentou um poema inédito, Prova, em homenagem a José Miguel Wisnik. Ele também prestou tributo a Oscar Niemeyer ao ler um poema sobre o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, onde compara a obra a um disco voador e uma flor de concreto.

Arnaldo Antunes entoou Buraco do Espelho, quase que cantando, e outros poemas com forte influência dos concretistas que marcam sua obra: os irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Um deles, cuja letra chamou atenção da platéia, dizia: "O corpo existe / e pode ser pego / é suficientemente opaco / para que se possa vê-lo / Se ficar olhando o ânus / você pode ver crescer o cabelo."

Mais discreto, o mineiro Chico Alvim era o representante da poesia marginal, da qual foi um dos principais expoentes durante os movimentos alternativos dos anos 1970. Hoje ele é diplomata e embaixador do Brasil na Costa Rica.

Entre os poemas recitados por Alvim, estavam Luz, Elefante e Factótum, que dizia simplesmente: "Pior coisa/ é dever um favor a alguém/ Olha Virgílio/ a mim você não deve nada não/ Só a sua perna". Outro poema curto foi "Luta Literária", em que diz apenas: "Eu é que presto!"

"O que eu sinto (quando escrevo) são sentimentos contraditórios, às vezes domina a frustração", comentou Alvim. "Muitas vezes meus poemas são curtinhos, porque tenho a sensação de que não vou conseguir chegar ao fim."

Cicero falou que sente algo parecido. "Em alguns momentos, fico excitado quando percebo que tenho alguma coisa ali, que vai dar certo", disse. Mas tal excitação traz a insônia, a ansiedade. "Às vezes a gente pensa se quer fazer poesia ou viver."

Antunes foi na linha oposta. Compor, para ele, lembra sua infância, quando tinha um monte de brinquedos a disposição. "Sinto prazer; nunca me vi movido pela dor, pela angústia."
 

Reuters

Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.