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Arte e Cultura
Sábado, 10 de julho de 2004, 12h26 
Escritoras declaram guerra à "literatura feminina"
 
Walter Craveiro/Flip/Divulgação
A escritora carioca Adriana Lisboa durante leitura na Flip
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A idéia de reunir três escritoras para uma mesa chamada "Vozes Femininas", na 2a Festa Literária Internacional de Parati, causou uma crise de gênero na sexta-feira.

Especial sobre a FLIP
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O trio composto pelas autoras Rosa Montero (Espanha), Isabel Fonseca (EUA) e Adriana Lisboa (Brasil) criticou a escolha do tema, que considera superado.

Lisboa, que aos 34 anos publicou três romances e ganhou o prêmio José Saramago de literatura, questionou o quão estranho falar em uma literatura feminina e muito mais organizar uma mesa sobre o assunto.

"O fato de não haver uma literatura masculina torna estranha a existência de uma literatura feminina, que vira quase uma subliteratura", afirmou.

A tal deformação do gênero literário também irrita a espanhola Montero, que está lançando seu romance mais recente, A Louca da Casa, em português.

"Se uma mulher escreve sobre um personagem feminino, ela faz literatura feminina; se um homem escreve sobre um personagem masculino, ele escreve sobre o gênero humano", disse Montero, sob risos da platéia.

"Um livro é tudo o que é um escritor. É o idioma, os sonhos, as leituras. O fato de ter nascido no campo ou na cidade também exerce enorme influência sobre sua obra. Eu gostaria de ver uma mesa literária sobre escritores que nasceram no campo", ironizou.

De fato, o tipo de produção de cada uma das autoras parece completamente distante um do outro. Mais tímida, a jornalista uruguaia naturalizada norte-americana Isabel Fonseca preferiu se concentrar na leitura de trechos de seu livro sobre a vida dos ciganos na Europa.

Durante quatro anos, ela conviveu com grupos de ciganos que migravam da Albânia para a Polônia. Dos relatos que coletou surgiram Enterrem-me em pé, publicado em 1995, que chega agora ao país pela Companhia das Letras.

Durante a palestra, ela contou a história de uma cigana conhecida como Papusza (Boneca), que foi rejeitada pelo grupo por saber ler, escrever, cantar e finalmente por ter suas obras publicadas.

A carioca Lisboa leu um trecho de Beijo de Colombina, inspirado em um poema de Manuel Bandeira, a quem define como norteador de sua obra. Considerada uma das mais interessantes revelações da literatura brasileira, ela ganhou o prêmio José Saramago em 2003.

A jornalista e escritora Montero se ateve a uma passagem de A Louca da Casa/I>, onde brinca com o leitor insinuando que o livro é uma autobiografia, mas com a qual ela aproveita para contar várias "mentiras literárias".

Ela narra, por exemplo, como identificou uma foto sua de infância com uma anã que viu na televisão de um hotel na Alemanha.

"Descobri que meus romances estão cheios de anões. Os Escritores têm fantasmas que se colam às histórias, são parasitas da imaginação. Os meus são anões", disse.
 

Reuters

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