| Walter Craveiro/Flip/Divulgação |
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| "Nos Estados Unidos escritores não são pessoas famosas", declarou Paul Auster em Parati |
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Paul Auster ficou surpreso com a quantidade de gente que o parou na rua para tirar fotos. Ian McEwan adora o assédio e acha divertido ter gente com câmeras atrás dele. E a espanhola Rosa Montero considera tudo isso um grande circo.
Especial sobre a FLIP
Sejam eles mais ou menos conhecido, o fato é que os fãs de livros mostram-se quase tão devotados a seus autores prediletos quanto os que gostam de rock, ou dos atores das novelas, pelas ruas da cidade fluminense, onde um festival literário teve sua primeira edição no ano passado, atraindo 8 mil visitantes.
Os autores têm sido requisitados para dar autógrafos em qualquer lugar e até mesmo para jornalistas após as entrevistas coletivas organizadas nesta 2a Festa Literária Internacional de Parati, que acontece até domingo.
"Os escritores foram transformados em pop stars. Na última década, o mercado tomou as rédeas do negócio editorial, num estilo de produção semelhante ao da Coca-Cola", disse a escritora espanhola Rosa Montero durante sua palestra, na sexta-feira.
"A maioria dos escritores escreve porque não gosta de falar. Eu era gaga, minhas mãos suavam, eu tremia, meu rosto ficava vermelho; mas com este circo tivemos que aprender a falar e agora somos todos astros de rock", disse, arrancando risos da platéia.
"Hoje falamos na televisão e temos de parecer ou muito bonitos ou muito feios, mas garantir que os leitores lembrem da gente".
Exposição total é a regra durante as mesas literárias, com os autores lendo trechos dos livros, respondendo a perguntas do público, sendo fotografados e filmados.
Também precisam responder a perguntas filosóficas sobre o gênero humano, seu processo de criação e assuntos da atualidade, como meio ambiente, o terrorismo e os ataques de 11 de setembro aos Estados Unidos.
"Eu acho muito bom ser um rock star, porque na maioria das vezes não é assim", diz o inglês Ian McEwan, comentando a frase de Rosa Montero. "É uma delícia chegar a um lugar e ser seguido por câmeras", brincou.
Paul Auster - um dos escritores mais populares do festival ao lado de Chico Buarque, com quem divide uma mesa literária neste sábado -surpreendeu-se com o assédio do público. "Nos Estados Unidos escritores não são pessoas famosas", disse ele a jornalistas.
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