| Walter Craveiro/Flip/Divulgação |
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| O autor de Budapeste organizou a partida literária |
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Ziraldo aparece e abraça seus colegas Angeli e Luis Fernando Verissimo. Perto dali, Paul Auster come feijoada ao lado de sua mulher, a também escritora Siri Hustvedt. O escritor angolano José Eduardo Agualusa chega atrasado e engata conversa com português Miguel Sousa Tavares.
Especial sobre a FLIP
Veja as fotos! 
Todos esperavam algo que nada tem a ver com literatura: a partida de futebol marcada a pedido de Chico Buarque para a tarde de sábado, dia que começou ensolarado mas terminou com pancadas de chuva. O encontro fez parte da 2ª Festa Literária Internacional de Parati, que terminará no domingo.
Chico Buarque driblou os holofotes quando chegou ao clube onde aconteceu o jogo - um campo próximo à cidade - e só apareceu, já de uniforme, com camiseta azul com o logotipo da Flip, bermuda branca e chuteiras. Ensaiou umas embaixadinhas e tirou fotos com os adversários, o time local da cidade, chamado "Parati Futebol Clube".
O time de Chico Buarque ganhou o primeiro jogo de virada por 3 a 2 e, na partida seguinte, contra a equipe do professor e músico José Miguel Wisnik, a vitória foi de 5 a 2. O músico e compositor, que fez 60 anos recentemente, marcou apenas um gol, na segunda partida.
Início de jogo. Liz Calder, inglesa idealizadora da Flip, dá o pontapé inicial na bola e a manda direto para o time adversário. Confusa, ela continua em campo. "Quer continuar aí para jogar um pouco?", brinca Luiz Schwarcz, presidente da Cia das Letras e "treinador" do time de Chico Buarque.
Completavam o time o dono da Livraria da Vila, Samuel Seibel, e seu filho Rafael, além do assessor de imprensa Vinícius França (dois gols) e Antônio Pedro Fonseca (um gol), neto de Rubens Fonseca.
Chico Intocável
Na platéia, antes de começar a chuva forte, estavam Auster, Agualusa e Miguel Sousa Tavares. Entre os poucos convidados, alguém comentava: "ninguém tem coragem de chegar no Chico", e outros três concordaram.
Com um placar ainda desfavorável, o músico levanta os braços e reclama que não tem ninguém com ele no ataque. Mais tarde, volta-se para o árbitro - "desconta aí juiz (o tempo da partida)" - enquanto o outro time, que estava ganhando, troca um de seus jogadores.
"O Chico joga redondo, é inteligente, mas não é um astro do futebol", disse Carlos Alberto, conhecido como Carlinhos Alicate, após o término da primeira partida, que seu time perdeu. O colega ao lado, que acha melhor não se identificar, alfineta, brincando: "pô, mas o juiz favoreceu o time deles, sem dúvida."
Antônio Pedro Fonseca, 24 anos, que já jogou futebol com Chico Buarque algumas vezes na época em que moravam em Paris, também elogiou a "inteligência do jogo" do colega. "Ele tem um estilo de meio-campo, armador camisa 10. Joga com calma, não sai chutando e faz bons passes. Ele tem cadência, não é afobado."
Foi no segundo jogo que o autor de Budapeste fez seu gol, já quando a chuva começara. Em outra passagem, chutou firme, mas a bola bateu de raspão na trave. O jogo, no entanto, foi interrompido pela chuva, que apertou e inviabilizou a partida.
Molhado e aparentando cansaço pela correria do futebol, Chico Buarque saiu do banheiro com uma multidão de jornalistas, flashes e holofotes em sua cara. "O pessoal das letras tem que treinar mais", disse. "Vocês saíram quando começou a chuva? Então perderam a melhor parte (o gol dele)."
Ele e Paul Auster, que há tempos já tinha ido embora do clube, dividem uma mesa neste sábado, onde cada um lerá um trecho de seus romances mais recentes - Noite do Oráculo, de Auster, e Budapeste.
"Não sei da poesia, mas gosto muito de seus livros. Invenção da Solidão eu gostei muito, achei maravilhoso," disse Chico sobre um romance antigo de Auster.
No final, enquanto os convidados voltaram para a feijoada, o cantor e compositor foi tirar fotos com os alunos da escolinha de futebol do clube, que haviam cedido o horário da aula para as partidas de futebol "literárias".
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