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| O poeta Pablo Neruda |
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O Chile lembrará nesta segunda-feira os 100 anos de nascimento do poeta Pablo Neruda, que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, foi perseguido político, atuou no mundo da diplomacia e morreu 12 dias depois do início da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1973.
Confira Especial Pablo Neruda
O presidente Ricardo Lagos comandará a principal cerimônia comemorativa na cidade de Parral, 315 km ao sul de Santiago, onde o escritor nasceu em 12 de julho de 1904.
O evento de Parral, apenas um de 600 atos programados em todo o Chile e outros países, contará com a presença do autor brasileiro Thiago de Mello.
O colombiano Gabriel García Márquez e o português José Saramago, ambos prêmio Nobel, desistiram de visitar o Chile, mas participarão de cerimônias em seus respectivos países.
Em Isla Negra, na costa central do Chile, onde a casa do autor de Canto Geral virou um museu que conserva seus objetos e coleções, músicos e cantores populares apresentarão os versos de Neruda transformados em canções.
Discursos, exposições fotográficas e debates lembrarão a obra do poeta, que em 1924 publicou seus Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada, um de seus livros mais populares, inspirada em suas musas de juventude.
Mais tarde viriam Os Versos do Capitão, Elegia e As Uvas e o Vento, ao lado dos poemas que refletiram suas inquietações sociais, como Espanha no Coração, baseado na dolorosa guerra civil desse país, e Canto Geral, no qual apresenta sua visão sobre o passado e o presente da América Latina.
Membro do Partido Comunista, extinto no Chile em 1948, Neruda teve que entrar na clandestinidade e seguir para um exílio, que começou na Argentina e passou por outros países latino-americanos, europeus e asiáticos, até seu retorno ao país natal em 1953.
Dezoito anos mais tarde, quando era embaixador na França, recebeu o prêmio Nobel de Literatura.
Casado com a pintora argentina Delia del Carril, durante o exílio visitou o México e conheceu a cantora lírica Matilde Urrutia, que seria sua esposa até sua morte, em 23 de setembro de 1973.
Doze dias antes, em 11 de setembro, o presidente socialista Salvador Allende, seu amigo e companheiro de batalhas, havia cometido suicídio no palácio de La Moneda, quando os militares liderados pelo general Pinochet instalaram uma ditadura no país, que só acabou em 1990.
Os 100 anos de Neruda também serão lembrados em todos os países com os quais o Chile possui relações diplomáticas, onde cem escritores, artistas e estudiosos da obra do poeta receberão uma medalha especial impressa com sua imagem.
O argentino Ernesto Sábato e o escritor mexicano Carlos Fuentes estão entre as pessoas que receberão a distinção.
"Nos cinco continentes estão homenageando o poeta, o homem que sempre foi fiel a seus ideais de mudança e se comprometeu com eles", afirmou a chanceler Soledad Alvear.
Os eventos organizados no Chile e outras nações incluem ciclos de conferências, maratonas de leitura, recitais poéticos, concursos literários e seminários, entre outras atividades.
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