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Arte e Cultura
Domingo, 11 de julho de 2004, 14h02 
Recuperado, Ziraldo debate com Angeli e Verissimo
 
Walter Craveiro/Flip/Divulgação
"Não dá para fazer um jornal que apóie o governo", disse Ziraldo
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Língua afiada e rapidez nas repostas, eis os ingredientes que não faltaram ao encontro que reuniu Ziraldo, Angeli e Luis Fernando Verissimo na tarde de sábado. A certa altura, por exemplo, a luz faltou por uma fração de segundo. Assim que voltou, Angeli não teve dúvidas: "Foi o João Ubaldo", disparou ao microfone, levando o público que lotava o auditório à gargalhada.

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Pouco depois, foi a vez de Verissimo. Da platéia lhe perguntaram para qual momento da vida ele voltaria se pudesse escolher. De pronto, o cronista rebateu: "Serve o útero materno?".

Nessa toada, a conversa seguiu. O tema proposto para a mesa era "humor nos tempos de Lula". Responsável pela ressurreição do Pasquim, Ziraldo foi o primeiro a se pronunciar sobre o assunto. Ele afirmou que prefere se abster a criticar o governo em seu jornal.

Conhecido pela militância de esquerda, o humorista e escritor afirmou que passou a vida inteira lutando para que seu grupo chegasse ao poder. Quando isso finalmente acontece, por mais problemas que o governo apresente, acredita que não faz sentido criticar. Daí que o Pasquim esteja deixando de circular. "Não dá para fazer um jornal que apóie o governo", lamentou.

Verissimo, também simpatizante histórico da esquerda, foi na mesma direção. "Até que ponto criticar o Lula não é fazer o jogo da direita? É preciso paciência com as incoerências do governo, para que possamos ser coerentes com nós mesmos", afirmou o autor de Comédias da Vida Privada.

Famoso pela timidez e pela aversão a falar em público, Verissimo se mostrou especialmente loquaz quando o assunto enveredou para esse lado. Crítico feroz de FHC, ele estabeleceu um raciocínio que sacudiu a platéia. "Se FHC fez um governo que parecia o PFL, e se Lula faz um governo que parece o PSDB, então talvez o melhor fosse eleger o Maluf", ponderou. "Quem sabe ele não faria um governo de esquerda".

Angeli, por sua vez, mostrou-se menos envolvido com essa questão. Em suas próprias palavras, o humor que pratica não é "edificante". "Há dois tipos de humorista: o demolidor e o que procura soluções", considerou. "E eu me considero do tipo demolidor". João Ubaldo que o diga.

As informações são da assessoria de imprensa da Festa Literária de Parati.
 

Redação Terra