| Walter Craveiro/Flip/Divulgação |
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| Paul Auster durante palestra na Festa Literária de Parati |
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Era o encontro que todos esperavam: Chico Buarque e Paul Auster. Literalmente, Parati parou para ver os dois. Eram 550 pessoas nos assentos no auditório da Tenda dos Autores, e mais de cem sentadas no chão. Entre os convidados, os cineastas Bruno Barreto, Hector Babenco e Cacá Dieguez, Roberto Irineu e João Roberto Marinho e o jornalista Zuenir Ventura. Na Tenda da Matriz, a poucos metros dali, mais de 1.100 pessoas assistiam ao encontro pelos telões. E na praça, uma multidão.
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Especial sobre a FLIP
Histeria marca palestra de Chico e Auster
Paul Auster deu o início literário ao encontro, com a leitura de fragmentos em inglês de Budapeste, mais recente romance do colega. Auster definiu Budapeste como um "excelente e interessante livro", vindo de uma "mente inteligente". Chico acompanhou a leitura atentamente, interessado, e aplaudiu entusiasmado. Respondeu com um trecho de Noite do Oráculo, também publicado no Brasil há pouco. Em seguida, inverteram-se os papéis, e cada um se lançou à própria criação.
Encerradas as leituras, a conversa foi mediada pela presidente da FLIP, Liz Calder, e pelo escritor Milton Hatoum, de Dois Irmãos, um dos mais respeitados autores brasileiros da atualidade. Na pauta, boa literatura, inspiração para a criação artística, relações com a crítica e bom humor de lado a lado.
Seja no Brasil, seja nos Estados Unidos, a crítica literária claramente não agrada aos autores. O americano contou que já recebeu boas e demolidoras avaliações, em momentos diferentes. Em conseqüência, decidiu deixá-las de lado. "A crítica não pode ser levada muito a sério", disse. Curioso é que, no início de carreira, o próprio Auster dedicou-se à atividade. "Mas a abandonei há mais de 20 anos. É coisa para se fazer quando jovem." O brasileiro recordou uma antiga rusga com a crítica nacional. Nos anos 80, ele veio a público e comentou que a avaliação de sua obra musical era "muito ruim". "Então fui considerado autoritário, como se eu rejeitasse a legitimidade de existência da crítica", disse. "Não, eu acho bom que se discuta."
Chico apontou também para o outro lado: os escritores. Discreto, reservado, ele defendeu, porém, um contato mais direto entre autores e entre eles e leitores. "Às vezes, leio entrevistas com escritores que sempre dizem a mesma coisa: 'Estou lendo Flaubert, Dostoievski e Kafka'", provocou. "Ou então: 'Não leio autores contemporâneos'. Ora, se ele não lê os contemporâneos, quem vai ler?" A platéia vibrou. "Então, eu acho que esses escritores são mesmo estranhos." Milton Nascimento, parceiro de Chico em Cio da Terra, diria: "Todo artista tem de ir aonde o povo está."
As informações são da assessoria de imprensa da Festa Literária de Parati.
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