| Henrique Araújo/Clix/Divulgação |
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| José Wilker encena 'A Cabra ou Quem É Sylvia' no Festival de Teatro de Curitiba |
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Quem foi ao Teatro Guaíra na noite desta segunda-feira para assistir apenas a uma comédia dirigida por Jô Soares, com José Wilker e Denise Del Vecchio no elenco, durante o Festival de Curitiba, pode ter saído do espetáculo chocado se antes não se informou sobre do que se tratava o espetáculo A Cabra ou quem é Sylvia?.
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Com diálogos fortes e cenas pesadas, com referências a zoofilia, incesto e pedofilia, o texto do norte-americano Edward Albee provoca o público com questionamentos sobre os valores morais, a tolerância, a manutenção das aparências.
As provocações deixaram incrédulos os espectadores mais desinformados, que foram ao teatro esperando, talvez, uma comédia "pastelão". Alguns não resistiram a tanta perturbação e acabaram deixando o espetáculo antes mesmo do final.
"Horrível, insano, muito pesado, muitos saíram antes do final", comentou a estudante Ana Maria Lemos, que apesar de ter se sentido incomodada, ficou até o desfecho da trama.
Mas a maioria dos cerca de dois mil espectadores, já sabia do que se tratava o espetáculo ou foi mais receptivo a tudo, porque a tragicomédia familiar foge totalmente do lugar comum ao expor um triângulo amoroso em que a chave do adultério é Sylvia, uma cabra.
O casal feliz, bem sucedido e moderno, Martin (José Wilker) e Stella (Denise Del Vecchio), convivia em harmonia há 22 anos e não se queixava de ter um filho gay (Gustavo Machado). Mas toda a convivência se transforma quando Martin diz estar apaixonado pela cabra, numa situação sem precedentes. Um tabu que o casal, por mais moderno que seja, não tem referências para enfrentar, num risco à imagem de profissional de sucesso de Martin.
Com todo seu despojamento, José Wilker conta, com um discurso hilariante, que não é questão de perversão sexual, que ele está realmente apaixonado pela cabra, que a ama tanto quanto a sua esposa. A descoberta muda completamente a vida do casal e o comportamento de Stella, desmoronando a família feliz.
"Sensacional, te faz rir o tempo todo e, ao mesmo tempo pensar sobre o que é moral", comentou o comerciante Emerson Prado, ao final do espetáculo. "A sociedade já está até aceitando a infidelidade, mas quando o caso chega a esse absurdo, choca um pouco. Achei excelente", disse a professora Priscila Cobucci.
A Cabra ou quem é Sylvia tem nova sessão marcada para às 21h desta terça-feira, mas os ingressos já estão esgotados.
Hoje no Festival
Oitenta e oito apresentações estão marcadas para esta terça-feira no Festival de Curitiba. Os destaques da programação são as estréias de mais três espetáculos que compõem a mostra oficial. No Guairinha, Guilherme Leme é O Estrangeiro, monólogo adaptado do livro de mesmo nome de Albert Camus, que marca a estréia de Vera Holtz como diretora.
No Sesc da Esquina, o grupo Barracão Cultural, de São Paulo, encena o espetáculo A Mulher que Ri. No Pequeno Auditório do Teatro Positivo, Elias Andreato é o ator, diretor e dramaturgo do monólogo Doido, que faz sua estréia nacional hoje, no Festival de Curitiba.
A programação completa do Festival de Curitiba pode ser consultada no site www.festivaldecuritiba.com.br. Os ingressos estão sendo vendidos na bilheteria montada no Shopping Mueller ou pelo site www.ingressorapido.com.br.
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