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Arte e Cultura
Sábado, 4 de julho de 2009, 15h17 
Flip debate os conflitos da adolescência
 
Fabiano Rampazzo
Direto de Paraty
 
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Tendo como mote o livro O Fazedor de Velhos, do escritor Rodrigo Lacerda, a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) discutiu na manhã desta sexta-feira alguns dos conflitos vividos pela maioria dos adolescentes. O autor subiu ao palco da FlipZona - braço juvenil da Flip, que traz uma programação voltada para os jovens - e falou um pouco da história de seu livro, além de opinar sobre algumas questões tipicamente adolescentes.

Assim, na carona do romance, Lacerda comentou sobre a dificuldade que as pessoas têm de envelhecer. "Todo mundo quer ser jovem. Homens aos cinquenta anos se vestem como garotos, mulheres fazem cada vez mais plásticas, as pessoas têm dificuldade de aceitar a velhice", disse.

Questionado sobre o desejo inverso da maioria dos adolescentes, que anseiam pela hora de poderem tirar a carteira de motorista e dos benefícios da maioridade, Lacerda ponderou. "Isso realmente acontece. Mas quero dizer que eu também não sou contra as pessoas fazerem plásticas, não é isso. O que me incomoda é o fato da maioria das pessoas recusar a velhice."

Na defesa do que chama de "amor romântico", que segundo o autor está se perdendo, Lacerda lembrou a experiência de um amigo, pai de uma adolescente. "Ele descobriu que a filha estava fumando e, logo depois, que ela tinha beijado dois garotos em uma mesma festa. E para ele essa segunda informação foi bem pior. O dano de fumar é menor do que o de beijar duas pessoas em uma mesma festa, pois isso é a banalização do amor", disse.

Contudo, a platéia, em sua maioria adolescente, não pareceu concordar muito com isso. "Qual o problema de beijar na boca?", questionou a estudante Catharina Alves de Carvalho, 14 anos. Para Daniela da Cruz Gomes, 15 anos, beijar mais de uma pessoa na mesma balada é menos nocivo. "Prefiro mil vezes ficar com vários meninos do que fumar. Eu odeio cigarro!" Rodrigo Lacerda admitiu o tom moralista de seu discurso, mas disse preferir isso a ir de encontro ao senso comum que orienta a maioria das pessoas hoje em dia.
 

Especial para Terra