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Arte e Cultura
Domingo, 5 de julho de 2009, 10h01  Atualizada às 10h20
Tas debate o poder da internet no Brasil com jovens na FlipZona
 
Fabiano Rampazzo
Direto de Paraty
 
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A FlipZona acontece dentro de uma pequena sala onde funcionava o antigo cinema, na Praça da Matriz, em Paraty, sala que na manhã deste sábado (4) ficou mais que pequena com a presença de Marcelo Tas, apresentador do programa CQC, da Band. E os que se amontoaram nas escadas, cadeiras, bancos, tablado, assoalho, assistiram a um debate dinâmico, divertido e com muita informação para adolescentes - e ex-adolescentes.

De cara, Tas buscou um diálogo direto com os professores presentes, insistindo para que eles "ouvissem mais seus alunos", que cada vez mais absorvem e dominam as novas tecnologias. "O Brasil é hoje o País que mais usa rede sociais no mundo, nós temos uma facilidade inexplicável para entender e nos adaptarmos a essas interatividades", disse.

O apresentador mostrou números da universidade de Berkley que mostram que somando 2002 e 2003 teremos uma quantidade de informações transmitidas maior que todos os anos anteriores da história da humanidade. "A partir de 2000 houve um aumento gigantesco nesse fluxo. Há pouco tempo tínhamos a TV, jornal e toca-discos, e hoje temos celulares, internet e Ipods", exemplificou.

No bate-papo, Tas lembrou um episódio quando fotografou um veículo da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), de São Paulo, com uma placa de Curitiba. "A CET estava multando carros que usavam placas de Curitiba para pagarem menos imposto e, de repente, no trânsito, vejo um veículo deles com essa placa. Fotografei na hora e postei em meu blog", disse.

Em seguida, a CET, em carta oficial, disse não ser verdade o fato, acusando Tas de ter feito uma montagem. A carta então foi também publicada no mesmo blog. "Minutos depois começaram a chegar dezenas de fotos, enviadas pelos internautas, com outros veículos da CET usando as tais placas de Curitiba. Quer dizer, a facilidade na troca de informação está em um nível que o próprio leitor pode hoje advogar em nome do jornalista. Eu mesmo nem precisei provar nada."

Pixelman
Marcelo Tas mal falava com sua filha, segundo ele, uma típica adolescente que evitava os pais nesta fase da vida. Um dia viu umas ilustrações que um rapaz, blogueiro, fazia a partir de fotos de outros blogueiros. Tas achou aquilo tudo bem interessante e entrou em contato com o rapaz, que usava a alcunha de Pixelman.

"Pois bem, num belo dia minha filha, que não falava comigo havia uns dois anos, invade meu estúdio berrando 'pai, você conhece o Pixelman? Não acredito! É o cara mais famoso da internet, pai!'". A moral da história seria algo como "a internet tem vida própria". "Vocês não tem ideia da quantidade de gente que ninguém conhece o rosto, nem o nome, mas que tem milhões de views na web. Isso é mais uma consequência desta revolução que estamos presenciando", concluiu o apresentador.

A Wikipedia, enciclopédia online que já foi muito questionada e que hoje é, de longe, a mais utilizada do planeta, também valeu um parágrafo na palestra de Tas. "E ainda hoje tem muita gente, muitos professores que recomendam seus alunos a não usarem a Wikipedia, que hoje tem 8% de erros, mesmo porcentual da badalada enciclopédia britânica. Claro, com a diferença que a britânica tem 200 mil verbetes, enquanto a Wikipedia tem aproximadamente 2 milhões."
 

Especial para Terra