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Arte e Cultura
Quarta, 22 de setembro de 2004, 16h50  Atualizada às 10h44
Gratuita, Bienal promete democratização da arte
 
Karina Burigo/Divulgação
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A Bienal de São Paulo ainda nem abriu suas portas, mas já tem um desafio de gente grande. Em sua 26ª edição, que acontece de 26 de setembro a 19 de dezembro no Parque do Ibirapuera, o evento chega com uma proposta - abstrata - de democratizar a arte. O meio de atingir tal objetivo, porém, é bastante concreto. Pela primeira vez os ingressos para assistir à Bienal serão gratuitos.

Artistas montam suas obras no Ibirapuera

Em entrevista para apresentação do evento - a segunda maior bienal de arte do mundo, estando atrás apenas da Bienal de Veneza -, o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Manoel Francisco Pires da Costa, falou sobre as perspectivas para esta que será a mais longa mostra promovida no Pavilhão do Ibirapuera - 86 dias. O anúncio foi feito nesta terça-feira, em meio à obras já expostas no primeiro andar do prédio de Oscar Niemeyer.

"Toda exposição de arte inevitavelmente está carregada de um ranço elitista. A nossa intenção é levar a Bienal para todo mundo. É promover a inclusão através da arte", explica ele, ao lado do curador, Alfons Hug, e do arquiteto Isay Weinfeld, responsável pelo trabalho cenográfico da exposição.

São esperados um milhão de visitantes até o fim da mostra. A última Bienal teve um público de 670 mil pessoas.

Arte contemporânea e "terra de ninguém"
Quem espera ver obras famosas de grandes artistas na Bienal deste ano vai se decepcionar. Como na última edição da mostra, a curadoria da Bienal preferiu não fazer salas especiais com quadros de pintores historicamente consagrados. Em 1998, por exemplo, a Fundação trouxe para o Brasil um dos exemplares do famoso O Grito, do norueguês Edward Munch. Em 1996, a pop art invadiu o Ibirapuera com a sequência de Marilyn Monroe, de Andy Warhol.

"Na verdade essa não é a nossa vocação. Em nenhum lugar do mundo as mostras promovidas pela Bienal trazem obras conhecidas do público comum. A intenção é mesmo mostrar o novo", explica Alfons Hug.

Entre os "novos", estão mais de 135 artistas, vindo de 55 países diferentes, que ocuparão os 30 mil metros quadrados do Pavilhão da Bienal. Os brasileiros chegam em maior número. Serão, no total, 20.

Das salas especiais, que serão oito nesta edição da mostra, três serão ocupadas por artistas nacionais. Artur Barrio, que tem dupla nacionalidade (portuguesa e brasileira), Beatriz Milhares e Paulo Bruscky. A China vem em seguida em número de salas especiais, com Cai Guo Qiang e Huang Yong Ping. Outras salas serão ocupadas com artistas do Chile, Alemanha e Bélgica.

"Queremos descobrir o Portinari, o Picasso de amanhã. Não trabalhamos com acervos, e é essa a nossa proposta", explica Hug, que comenta que a diversidade estética entre os expositores é uma resposta ao tema da Bienal, "terra de ninguém".

"O critério de seleção é sempre o mesmo. Atualidade da obra, relevância do artista dentro de seu país de origem, e, por fim, a capacidade de alcance global", revela Hug. "Uma boa obra de arte tem impacto visual e traz em si uma riqueza de metáforas. Esta definição também norteou nossa escolha".


 

Redação Terra