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Paulo Climachauska foi o primeiro artista a tomar os corredores da 26ª Bienal de Artes de São Paulo para preparar sua obra, que foi feita em uma das paredes do pavilhão, no último andar, com 30 metros de extensão e cinco de altura.
Será o maior trabalho dentro de sua série "Construção por Subtração", na qual o artista paulistano de 42 anos utiliza linhas finas compostas por inúmeras operações matemáticas de subtração para criar imagens.
A Bienal abre no domingo para o público e terá, pela primeira vez na sua história, entrada gratuita. A 26a edição ganhou o tema "Território Livre" e exibirá o trabalho de 135 artistas, de 62 países.
Climachauska, usando canetas pretas, fez mais de 300 mil contas para produzir a imagem refletida do interior da Bienal, como se a parede ao fundo do último andar, de frente para rampa, fosse um grande espelho monocromático.
"Vendo de longe, parece uma vista em perspectiva do lado de dentro da Bienal. Mas quem chega perto, vê os detalhes das operações de subtração", explicou o artista em entrevista recente.
"É uma inversão do processo de construção da obra de arte, que é sempre a soma de materiais. Quanto mais eu retiro, subtraio, mais eu ocupo o espaço e construo", explica.
Ele trabalhou desde o final de agosto com uma equipe de três pessoas para terminar sua obra intitulada "Palácio", uma referência ao antigo nome do edifício projetado por Oscar Niemeyer, Palácio das Indústrias.
O trabalho, no entanto, está em gestação há mais de quatro meses, quando Climachauska começou a fotografar o espaço para tirar as medidas exatas para os desenhos. O site specific, nome dado para trabalhos feitos especialmente para um único lugar, levou cerca de 15 dias para ficar pronto.
Além do pavilhão no parque do Ibirapuera, Climachauska já desenhou anteriormente outros ícones da arquitetura moderna brasileira, como o edifício Copan, também de Niemeyer, e o edifício Louveira, de Vilanova Artigas, ambos trabalhos expostos no Projeto Parede, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no começo do ano. Também em 2004, apresentou suas obras nas Bienais de Cuenca, no Equador, e San Juan, em Porto Rico.
Depois da Bienal de SP, o artista viaja para Estocolmo, onde fará uma individual no Moderna Musset. Ele ocupará um espaço ainda maior, mas só irá decidir o que representar quando chegar lá.
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