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Arte e Cultura
Sexta, 24 de setembro de 2004, 15h37 
Especialistas dão dicas para quem vai à Bienal
 
Fausto Fleury/Divulgação
Ilha de Capri, 2002, obra de Beatriz Milhazes. Cortesia da Galeria Fortes Vilaça, São Paulo e Stephen Friedman Gallery, Londres
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A cidade de São Paulo foi tomada pela arte contemporânea e assim permanecerá até o final do ano. Trata-se de uma rara oportunidade para dar um mergulho radical nesta forma de expressão, já que a Bienal de Artes só acontece a cada dois anos.

Especial 26ª Bienal de São Paulo

A Bienal de São Paulo, que abrirá ao público no domingo e ficará em cartaz até 19 de dezembro no parque Ibirapuera, exibirá obras de 135 artistas. Os organizadores esperam receber 1 milhão de visitantes e, pela primeira vez na história do evento, fizeram com que a entrada fosse gratuita.

Enquanto dura o evento, todas as galerias de arte da cidade aproveitam o fluxo de convidados estrangeiros e de outras partes do país para mostrar o melhor de seus catálogos.

A seguir, artistas, curadores e críticos dão dicas para que o espectador de primeira viagem - aquele que nunca foi a uma exposição de arte contemporânea - aproveite melhor a visita.

ALFONS HUG, curador-geral da Bienal pela segunda vez consecutiva
"Para mim, uma mostra de arte contemporânea é como aprender um novo idioma. Há vários graus de aproximação e domínio. Nunca ninguém disse que inglês era uma coisa elitista só porque é difícil. Visitar uma mostra desse tipo é uma experiência subjetiva e individual. Não é uma aula de biologia ou matemática. Apesar de todo o esquema de apoio (como a equipe de monitoria), no final das contas, é ele (o visitante) e a obra, e só."

ARTUR BARRIO, artista presente na Bienal
"O espectador tem que tentar ver e não olhar as obras. Porque ver é aprofundar o olhar, é penetrar no objeto, questioná-lo. O olhar por si só não tem interesse. O visitante não pode simplesmente passar e ir embora, e depois dizer que foi na Bienal."

LISETTE LAGNADO, crítica de arte
"A Bienal com entrada livre é a oportunidade que um espectador de primeira viagem tem de ir várias vezes e, de preferência, com um amigo para poder estabelecer uma troca durante o percurso. Que passe duas horas - o tempo de uma sessão de cinema - a cada visita. Que dedique uma visita para cada andar. Que tente encontrar, diante de cada trabalho, um motivo mínimo para gostar ou desgostar dele."

AGNALDO FARIAS, professor e curador independente
"O visitante vai precisar de um bom cantil e de um sapato confortável para flanar pela exposição. De certo não vai entender algumas obras num primeiro momento, mas é assim mesmo. Há coisas incompreensíveis mas que podem ser também inesquecíveis. É característico da arte o poder de ficar martelando imagens em sua cabeça, por anos às vezes. Tem que ir com calma e ter a noção que não está em um shopping center, de frente para vitrines de lojas."

HIDEKO SUZUKI TAGUCHI, proprietária da Galeria Deco, em SP
"Primeiro, é preciso que o público tenha uma mente aberta, já que muitas das propostas são bem distintas a olhos não acostumados com conceito. Pode ser um pouco chocante à primeira vista, mas gera uma dúvida, discussão, o que é um fator importante. E não levar em consideração beleza e harmonia, que são elementos típicos da Arte Moderna, completamente ultrapassados agora. O interessante é visitar mais de uma vez para um melhor entendimento."

NELSON LEIRNER, artista que participou de três Bienais nos anos 1960 e foi homenageado na edição de 2002
"A primeira coisa que ele (o visitante) teria que fazer é não ter qualquer tipo de julgamento rápido. A pessoa tem que ser cuidadosa e pensar que, se esta obra está aqui, tem alguma razão de ser, não é tão arbitrário. Então, pense um pouco sobre a razão disso tudo existir. Tente ver um pouco do futuro, já que os artistas às vezes são um pouco premonitórios, nesse caos que é a arte contemporânea."
 

Reuters

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