| Rogério Lorenzoni/Terra |
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| O tema deste ano é "Território Livre" e para comemorar os 450 anos da cidade de São Paulo, a mostra terá entrada franca. São 56 países exibindo suas idéias de 26 de setembro a 19 de dezembro |
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A 26ª Bienal de São Paulo começa como um "território livre" para 135 artistas de 62 países mostrarem novas formas de pensar a arte como elemento de transformação da sociedade.
Especial 26ª Bienal de São Paulo
Veja fotos da abertura com a presença do presidente Lula 
O conceito de "Território Livre" foi escolhido como tema da Bienal porque, na dimensão estética, "designa o espaço no qual a realidade e a imaginação estão em conflito" e com o qual se identifica um grande número de tendências artísticas, segundo o curador geral da mostra, o alemão Alfons Hug. "Os artistas são os guardiães das fronteiras de um reino situado além da sociedade administrada, em paragens além do alcance do poder interpretativo das instâncias política e econômica", expressou Hug em um ensaio sobre o tema da Bienal.
A exposição, definida pelo presidente da Fundação Bienal, Manoel Francisco Pires da Costa, como a maior depois da Bienal de Veneza (Itália), estará aberta ao público até 19 de dezembro. "A Bienal busca um novo pensamento na arte tanto no exterior como no Brasil", declarou Pires da Costa aos jornalistas na apresentação oficial da exposição.
Dos 135 artistas selecionados, 55 representam o Brasil e estarão espalhados por três andares do Pavilhão Bienal do Parque Ibirapuera de São Paulo, compartilhando o espaço com trabalhos de outros 80 convidados.
A América Latina estará representada por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Paraguai, Peru, Porto Rico, Uruguai e Venezuela, países cuja produção artística tradicionalmente esteve fora do "grande circuito", da mesma forma que a de Ásia e África, segundo Hug.
Entre as mostras latino-americanas, destacam-se as fotografias com imagens urbanas captadas pelo olhar de viajante do equatoriano Pablo Cardoso, os traços arquitetônicos do argentino Pablo Siquier e as imagens da paixão despertada pelo futebol em uma partida fictícia entre México e Brasil, obra do mexicano Miguel Calderón.
A Espanha estará representada por Fernando Sánchez Castillo, que apresentará um novo projeto intitulado Gato Rico Morre de Ataque do Coração em Chicago, vídeo sobre a censura à imprensa no Brasil no fim dos anos 60, um dos períodos mais duros da ditadura militar (1964-1985).
O título inspira-se na manchete sarcástica, absurda e superficial que o jornal Correio da Manhã publicou em inglês (Rich Cat Dies of Heart Attack in Chicago) em 14 de dezembro de 1968, diante da impossibilidade de informar sobre o "AI-5", decreto do dia anterior que conferia ao então presidente, Arthur da Costa e Silva, plenos poderes ditatoriais.
Uma das obras mais chamativas é a instalação Gimme Gummi, do austríaco Leo Schatzl, na qual um Fusca vermelho ostenta dezenas de cabos elásticos coloridos. O visitante pode subir no veículo, que o artista e seus assistentes fazem girar e depois deixam que volte livremente, em um curioso experimento pseudocientífico.
Na "terra de ninguém" que será a Bienal, o palco também tem um toque artístico, pois no pavilhão que abriga a mostra, criado por Oscar Niemeyer, o espaço interno que acomodará vídeos, pinturas, esculturas, fotografias e instalações foi desenhado por Isay Weinfeld, o arquiteto mais cotado do momento no Brasil.
"Weinfeld criou uma arquitetura que respeita a dramaturgia, a estética e a luz do edifício", disse Hug sobre a cenografia da Bienal. Contribuindo para a democratização da arte, o acesso à Bienal será gratuito pela primeira vez, e a expectativa dos organizadores é que mais de um milhão de pessoas visitem-na durante os quase três meses em que estará aberta ao público.
"O objetivo é abrir a casa, receber o maior número de pessoas e ajudar a reduzir as diferenças sociais do país", disse Pires da Costa ao explicar a função social da arte e o caminho percorrido pela Bienal de São Paulo em seus 53 anos de existência.
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