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 Jorge Pardo diz que pichação é "legal e estranha"
29 de setembro de 2004 09h09 atualizado às 09h09

Obra do cubano Jorge Pardo, pixada na abertura da 26ª Bienal de São Paulo. Foto: Rogério Lorenzoni/Terra

Obra do cubano Jorge Pardo, pixada na abertura da 26ª Bienal de São Paulo
Foto: Rogério Lorenzoni/Terra

O artista cubano, radicado nos Estados Unidos, Jorge Pardo achou "legal e estranho" ter uma obra sua pichada na 26ª Bienal de Artes de São Paulo. O vandalismo aconteceu no domingo, no dia da abertura da Bienal, e só foi percebido por volta das 17 horas. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Pardo avaliou o acontecimento.

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"Se alguém faz alguma coisa no seu trabalho, isso é positivo, para mim, porque escolheram a minha peça entre as expostas", contou o artista na reportagem. "Quem fez isso deve discordar de alguma coisa na obra. Pode ser outro artista fazendo sua própria obra dentro da minha. Pode ser só uma brincadeira", concluiu Pardo.

Segundo o artista, não é a primeira vez que uma obra sua é pichada em uma exposiação. "Já picharam, uma vez. Foi na Alemanha, em uma obra que eu fiz para o "Munster Sculpture Project", um píer de madeira em um lago. Fizeram um cartoon no trabalho. Mas eu não fiquei bravo. Não fico bravo com isso", contou.

Pardo não culpa a organização da Bienal pela pichação. "Não culpo ninguém. É muito normal isso acontecer num evento grande e tão público como esse. É difícil evitar esse tipo de incidente. E pichar a obra de alguém também não é tão incomum. Já é tradicional", avaliou o artista.

Segundo a assessoria de imprensa da Bienal, a obra ficará de Jorge Pardo separada do público por tapumes até que seja completamente restaurada, mas os visitantes poderão acompanhar todo o processo de recuperação da mesma.

Como a obra é de madeira, não há como apenas pintar a palavra "Não", grafitada em uma das paredes internas do trabalho de Pardo. A curadoria da Bienal já entrou em contato com a equipe do cubano para encontrar a melhor maneira de fazer a restauração.

A organização do evento busca pistas do pichador, mas, por precaução, a segurança foi reforçada com mais 15 guardas e cinco bombeiros. A Bienal está aberta todos os dias da semana, das 9h às 23h, até 19 de dezembro, e é gratuita.

Redação Terra