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| O escritor mineiro Fernando Sabino |
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Morreu nesta segunda-feira, aos 80 anos, Fernando Sabino. O escritor mineiro, que completaria 81 anos amanhã, sofria há dois anos com um câncer no esôfago. O enterro está marcado para esta terça-feira, às 11h, no Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro, onde o corpo do escritor está sendo velado. A seu pedido, a lápide trará a inscrição: "nasci homem; morri menino".
Especial Fernando Sabino
A saúde de Sabino piorou no mês passado. Desidratado, chegou a ser internado no dia 24 de setembro na Casa de Saúde Pinheiro Machado. Mas recebeu alta dois dias depois, pois queria passar seus últimos dias ao lado da família. Nos últimos anos, manteve-se recluso. Em 2003, ao explicar o motivo pelo qual não comemorou seus 80 anos, disse: "Meus amigos estão no São João Batista, que fecha às 18h". O escritor se referia ao mesmo cemitério onde será enterrado nesta terça.
Autor de Encontro Marcado, O Grande Mentecapto e O Homem Nu, entre outros, Sabino era considerado um dos maiores cronistas brasileiros. Sua última obra foi Os Movimentos Simulados, romance lançado em junho deste ano e que adormeceu em sua gaveta por cerca de 60 anos.
Gestar projetos por vários anos não era uma novidade para Sabino. Seu primeiro livro, por exemplo, demorou mais de três décadas para chegar às prateleiras. Começou a escrever O Grande Mentecapto na década de 40, nos Estados Unidos, e o lançou somente 33 anos depois, quando já estava de volta ao Brasil - em 1946, formado em Direito, ele embarcou para Nova York ao lado do amigo Vinícius de Moraes, e trabalhou no Escritório Comercial do Brasil e também no Consulado Brasileiro no país.
Antes de se dedicar exclusivamente à literatura, o mineiro escreveu textos inspirados pelas aventuras de Karl May, os policiais de Edgar Wallace, Sax Rohmer e Conan Doyle. O primeiro conto policial de Sabino foi publicado na revista Argus, órgão da Secretaria de Segurança de Minas Gerais.
Em 1967, o escritor resolveu criar sua própria editora, a Sabiá. Cinco anos depois, acabou vendendo o negócio a José Olympio. Nesta época iniciou sua carreira de cronista nos jornais Diário Carioca e O Jornal, ambos do Rio de Janeiro. Ao lado dos amigos e também escritores Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende, formou o trio que resgatou a crônica do limbo em que se encontrava na literatura brasileira.
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