inclusão de arquivo javascript

 
 

Palacete das Artes Rodin Bahia: uma passagem para França

26 de outubro de 2009 12h51 atualizado às 22h36

Em Paris, bebe-se champanhe logo cedo. Em Salvador, o drinque de sugestivo nome "capeta" é um dos grandes destaques de sua cultura etílica em bares e festas. Apesar das diferenças culturais, Paris e Salvador partilham, desde 2006, um endereço que abriga a paixão pela arte do mestre da escultura contemporânea Auguste Rodin (1840 - 1917). Localizado no arborizado e sofisticado bairro da Graça, em Salvador, o Palacete das Artes Rodin Bahia - um casarão de 1912 restaurado - faz uma ponte imaginária entre a capital baiana e o Museu Rodin de Paris, como a única filial fora da Europa do endereço parisiense.

» Veja as fotos do museu

Nesta segunda-feira (26), a partir das 19h, essa parceria irá se tornar mais sólida com a abertura da exposição Auguste Rodin, Homem e Gênio, só para convidados.

A exposição, abrigada no Palacete das Artes, trará peças originais de Rodin confeccionadas em gesso - o material compõe os moldes, que irão moldar o bronze com as expressões, gestos e feições inconfundíveis criadas pelo gênio. Esta é a primeira vez que obras que Rodin efetivamente manipulou deixam a Europa para compor uma mostra.

Arquiteturas e paisagismos irmãos
O palacete da Rua da Graça, 284, projetado pelo arquiteto Rossi Baptista, foi construído em 1912 - ano no qual Rodin ganhou sua primeira exposição em Tóquio e da inauguração da Sala Rodin no Metropolitan Museum of Art de Nova York - para abrigar a família do industrial e comendador português Bernardo Martins Catharino (que faleceu em 1944). Não à toa foi o local escolhido para sediar uma extensão brasileira do Museu Rodin de Paris. Como o original, o Palacete das Artes está localizado numa propriedade salpicada por jardins e arvoredos, e que, quando construído, se encontrava numa região afastada da cidade.

Guardada as devidas proporções, a propriedade onde se encontra o Museu Rodin também é arborizada e, quando construída, era afastada do centro de Paris - além de manter outras semelhanças com sua "irmã" soteropolitana. O local, denominado Hôtel Biron, dois anos após a morte de Rodin passou a abrigar o museu que leva o do escultor e hoje é um das visitas obrigatórias em Paris.

Virando museu
A ideia do Rodin Bahia ¿nasceu¿ em 2002, quando o artista plástico baiano e então diretor da Pinacoteca de São Paulo, Emanoel Araújo, iniciou seu trabalho de convencimento do Governo da Bahia e da direção do Museu Rodin para firmarem uma parceria, que celebraria a união de França e Brasil, Paris e Salvador, em torno de Rodin. A pretensão era abrigar a única filial do museu francês fora da Europa.

Quatro anos depois, o Governo da Bahia entregava à população brasileira o Palacete Catharino transformado em Palacete das Artes Rodin Bahia.

O restauro foi encomendado à dupla de arquitetos mineiros Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, responsável também por erguer um espaço contemporâneo, anexo ao casarão. O resultado: um prédio em vidro, alvenaria e metal em comunhão perfeita com o palacete de formas arquitetônicas e interior - recheado de afrescos do italiano Oreste Sercelli - restaurado, retrato da pungência econômica e cultural do início de um Brasil industrial.

A restauração do palacete, tombado em 1986, envolveu estudos arqueológicos e de prospecção de cada parte da edificação de quase 100 anos, a recuperação e a reconstituição de pisos, lustres e afrescos - descarecterizados em razão da deterioração natural. A recuperação das pinturas originais das paredes do palacete empreenderam um tempo maior, por ter sido praticamente um trabalho cirúrgico. Com a ajuda de espátulas, bisturi e decapagem química (uso de uma solução de álcool etílico absoluto), o trabalho de Sercelli foi reaparecendo e hoje pode ser apreciado pelos visitantes do museu.

Conhecendo o museu
O Palacete das Artes Rodin Bahia, com seus 4.850 metros quadrados de terreno, 3.055 metros quadrados de área construída e mais de 300 metros quadrados de paredes com pinturas murais, abre as portas nesta terça-feira (27) ao público pela primeira vez, desde que era um embrião, em 2002, todo completo. Ou seja, com seus prédios e jardim completamente recheados das obras que ele nasceu para abrigar, as de Auguste Rodin. E nem é preciso correr, como acontece com a maioria das mostras de artistas internacionalmente cultuados. As 62 obras em gesso do escultor parisiense ficarão expostas durante três anos.

A seguir, a descrição de cada espaço do museu:

O Palacete
Prédio principal do museu, abriga as obras em gesso de Rodin e espaços para atividades educacionais, como oficinas e ateliês.

O Anexo
Ligado ao Palacete por uma passarela de concreto, faz a ponte do passado com o presente. No espaço serão exibidas mostras de artistas contemporâneos.

O Jardim de Esculturas
Em referência aos jardins do Hôtel Biron, decorados com esculturas de Rodin, esse jardim tropical também traz obras em bronze do mestre da escultura.

Serviço
Auguste Rodin, Homem e Gênio

Palacete das Artes Rodin Bahia
Rua da Graça, 284 - Salvador, BA
De segunda a domingo, das 10h às 18h, com entrada franca até 31 de dezembro (após esse período poderá ser cobrado ingresso)

*Márcia Pereira viajou a convite do Governo do Estado da Bahia/Bahiatursa

Redação Terra