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Arte e Cultura
Quinta, 29 de outubro de 2009, 17h00  Atualizada às 18h13
Christiane Torloni diz que ouve a voz de Raul Cortez em encenação
 
Ana Carolina Moura
 
Celso Akin/AgNews
Christiane Torloni fala sobre peça em SP
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Christiane Torloni se emocionou ao falar de Raul Cortez (morto em julho de 2006), em encontro com a imprensa nesta quinta-feira (29), em São Paulo. A atriz interpreta a protagonista da peça A Loba de Ray-Ban, a versão feminina do papel que foi de Cortez na primeira montagem do espetáculo, em 1987, da qual também participou. "A música do texto é a voz do Raul. Eu sei as falas da minha personagem, mas ouço o Raul falando e isso é algo muito forte pra mim", disse ela, com lágrimas nos olhos.

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A Loba Ray-Ban, de Renato Borghi, conta a história de três atores de teatro que vivem um triangulo amoroso. Júlia, que foi casada com Paulo, se apaixona por Fernanda ao vê-la num teste. Há 22 anos, o texto estava centrado em um homem. Na primeira montagem, Christiane viveu o papel da mulher traída, que hoje é de Leonardo Franco. Já o papel de Franco ficou com Maria Maya, filha de Wolf Maya.

Para Cristiane, os espetáculos de 1987 e o de hoje marcaram uma "passagem de nível". "Há 22 anos, eu estava chegando aos 30, uma fase maravilhosa, em que a mulher se distancia dos seus conceitos da adolescência. Agora vivo outra passagem. Cheguei à maturidade. O texto tem o mesmo emblema para mim como teve há 22 anos. Hoje ele diz: 'você é uma loba, então seja uma'", explicou.

A atriz enfatizou que nos dois anos em que levantou recursos para montar a peça ela passou por um processo de crescimento. "Eu entrei num concurso de dança (o Dança dos Famosos, do Domingão do Faustão), algo que nunca pensei que faria e muito menos que pudesse ganhar, reuni assinaturas para um projeto ambiental (o Amazônia para Sempre), fiz uma novela das 20h (Caminho das Índias) e um filme (Chico Xavier). Esses projetos me fizeram alcançar a maturidade também nos palcos", disse.

Cristiane também falou sobre a abordagem da homossexualidade na peça. "Isso ainda é um tabu. Não acho que a questão seja bissexualidade ou homossexualidade. A peça fala de liberdade", frisou. Esta não é a primeira vez que a atriz interpreta uma lésbica. Em 1998, ela foi o par romântico de Silvia Pfeifer na novela Torre de Babel. "Era um casal tão tranquilo, mas por se tratarem de lésbicas, elas morreram em uma explosão de um shopping", lembrou a atriz.

Serviço:
A Loba de Ray-Ban
Data: até 20 de dezembro.
Horário: Quinta e Sábado, às 21h; Sexta, às 21h30; Domingo, às 19h.
Local:Teatro Shopping Frei Caneca - Rua Frei Caneca, 569 - 6º Andar.
Preço: Quinta R$ 70; Sexta a Domingo R$ 80.
 

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