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Arte e Cultura
Terça, 3 de novembro de 2009, 12h52  Atualizada às 13h55
Saramago enfrenta críticas de conservadores com 'Caim'
 
Marcelo Pereira/Terra
Saramago lança 'Caim'
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O escritor português José Saramago apresentou em Madri seu livro Caim, um olhar irônico sobre o Velho Testamento que recebeu críticas fortes da Igreja Católica e grupos de direita desde seu lançamento em Portugal, há duas semanas.

» Saramago lança livro em Madri e fala sobre próximo romance

"Não escrevo para agradar e tampouco escrevo para desagradar", explicou o autor, Prêmio Nobel de Literatura em 1998. "Escrevo para desassossegar."

No livro, caim e deus - com seus nomes sempre grafados com letra minúscula - fazem um trato e acordam que o castigo por matar abel será vagar pelo mundo com uma marca na testa e sem chegar a morrer.

Assim, em tom humorístico, o escritor português faz uma crítica à obediência cega.

"É verdade que há um movimento de ''embotamento'', com perdão, na sociedade atual, em meu país e em qualquer outro", disse Saramago na segunda-feira.

Caim segue na esteira de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de 1991, no qual o autor revisou o Novo Testamento, dando-lhe um novo narrador.

Sua nova obra vem provocando uma reação por parte da extrema direita política portuguesa que Saramago definiu como "muito violenta", embora tenha dito que quem criticou o livro ainda não teve tempo de fazer sua leitura.

"(A queixa principal) é que não deveria ter feito uma literatura literal em lugar de simbólica", comentou. "O problema é que as visõnge dos holofotes da mídia.


 

Reuters

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