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Arte
Quinta, 5 de maio de 2005, 10h25 
Coco Chanel, pioneira da moda, é tema de exposição em Nova York
 
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A história, o estilo e as criações da casa de alta costura Chanel estão numa exposição retrospectiva que mostra como a estilista Gabrielle "Coco" Chanel transgrediu as noções de bom gosto, elegância e beleza.

A exposição, que será aberta ao público amanhã, quinta-feira, no Museu Metropolitano de Nova York, lembrará os temas e os desenhos da Chanel através de modelos e acessórios pertencentes às coleções da casa e do Instituto do Vestido, afiliado ao museu, desde os anos 20 até hoje.

Através de apropriações formais e intelectuais do vestuário esportivo, masculino e dos uniformes de militares e de marinheiros, Coco Chanel criou uma moda que rompia com as tradições de sua época.

Como demonstram os modelos expostos no museu, a estilista desenvolveu um corte moderno e uma tipologia de vestuário particular que inclui seus famosos vestidos folgados do tipo camisão e os trajes de duas e três peças.

Mas o modelo que marcaria a moda por sua praticidade e resistência ao tempo foi o de seu vestido preto de corte simples, clássico e elegante, com saia no joelho, que serve tanto para o dia quanto para a noite, para um coquetel ou um jantar de gala.

Definidos por sua silhueta simples e falta de pretensão, os desenhos reducionistas de Chanel sempre seguiram o estilo de vida da mulher moderna.

Outra de suas inovações foi o uso de materiais "plebeus" como a malha, até então associada à roupa íntima masculina, e os contrastes entre branco e preto nos punhos das mangas e na gola, uma referência aos homens "dandys" de sua época.

Com o uso de tecidos práticos e as referências à roupa esportiva, masculina e de militares, Coco Chanel se libertou das restrições que a moda feminina da época impunha.

"Em minha juventude, as mulheres não pareciam humanas. Suas roupas eram contra o natural. Eu devolvi a elas sua liberdade, lhes dei braços e pernas de verdade, movimentos que eram autênticos e davam a possibilidade de rir e comer sem ter necessariamente que desmaiar", dizia Chanel.

Coco Chanel nasceu em Saumur (França), em 1883, mas como boa mulher faceira, sempre mentiu a respeito de sua idade e dizia que tinha nascido em 1893.

Ela passou sua infância num orfanato, mas ascendeu aos poucos à alta sociedade parisiense mantendo contato com aristocratas e figuras políticas da época.

Graças ao poder e aos contatos de seus amantes, entre eles um rico oficial militar e um endinheirado empresário inglês, ela conseguiu abrir sua própria chapelaria e, a partir daí, administrou o negócio e a arte da roupa.

Como diz um texto apresentado na mostra, Coco Chanel acreditava que a "moda é lagarta e borboleta" ao mesmo tempo.

"Seja uma lagarta de dia e uma borboleta de noite", aconselhava às mulheres. "Não há nada mais cômodo do que uma lagarta, nem nada é melhor para o amor que uma borboleta. A borboleta não vai ao mercado e a lagarta não vai à festa".

A exposição também apresenta uma retrospectiva histórica da divisão de perfumes e cosméticos da firma, alguns entre os mais vendidos do mundo, e as primeiras loções bronzeadoras e lápis de lábios.

Outras vitrines apresentam sua linha de acessórios, alguns com o já clássico logotipo da duplo "C", como as bolsas acolchoadas, os cintos de fivela dourada e os colares de pérolas e diamantes.

Inerente à mostra são os modelos do atual "cérebro" da companhia, Karl Lagerfeld, que desde que assumiu o comando da casa em 1983, 12 anos depois da morte de Coco Chanel, revitalizou o espírito e a identidade da firma.

As inovações são articuladas por ele quando cita, em geral com irreverência, os desenhos originais, combinando influências das culturas "refinada" e "popular".

Lagerfeld e a atriz Nicole Kidman estiveram entre os convidados de uma festa de gala em benefício do Instituto do Vestido realizada na última segunda-feira, que contava em sua lista de celebridades e figuras da alta sociedade nova-iorquina com o estilista Miuccia Prada e com Ivana Trump.
 

EFE

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