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Arte e Cultura
Sexta, 14 de outubro de 2005, 17h40 
"Brasil parou na área social", diz José Saramago
 
Anelise Infante
 
AP
José Saramago disse que o Brasil avançou pouco na área social
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O escritor português José Saramago disse nesta sexta-feira que o Brasil não avançou o suficiente na área social e que quem realmente está satisfeito com o país é o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Tenho a impressão de que, do ponto de vista político e social, o Brasil parou. A economia parece que está a funcionar. Pelo menos o FMI parece que está contente e quando o FMI está contente, é mau sinal", declarou ele em Salamanca, na Espanha, durante um evento cultural da 15ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo Ibero-americanos.

"Parece que há alguns protestos sociais e o povo anda insatisfeito lá no Brasil, exatamente porque no campo social não se avançou muito."

O único escritor de língua portuguesa premiado com o Nobel, que recebeu em 1998, disse também que prefere evitar conclusões precipitadas em relação às acusações de corrupção no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Todo esse processo está complicadíssimo em averiguações. Qualquer palavra que eu diga pode parecer absurdo porque não conheço os fatos e portanto não posso dar uma opinião, principalmente ante uma campanha eleitoral", afirmou.

Personalização
"Não vale a pena personalizar uma coisa como esta. É demasiado grave que o presidente do Brasil depois do trabalho que começou a fazer, não tão bom, na verdade, por problemas como a reforma agrária, que não avançou, o programa Fome Zero avançou pouco (¿) seja responsabilizado. Mas não estou decepcionado com ele, o problema não é esse."

Saramago também criticou a Cimeira, pedindo que os governantes se preocupem em aplicar na prática as recomendações que propõem em eventos como esse.

"O que se tem a fazer é verificar quais foram e são as intenções dessas cimeiras. Verificar das anteriores o que se cumpriu e o que não. Averiguar as razões porque o que estava planejado não chegou a realizar-se para que o mundo saiba qual o grau de aproveitamento desse trabalho."

"É muita gente, são muitos países, muitas vezes os interesses não coincidem, às vezes são até interesses opostos. Portanto não é fácil. O importante é saber se isto serve para ajudar a resolver os gravíssimos problemas da América Latina", concluiu Saramago.
 

BBC Brasil

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