Longe dos palcos há nove anos, Paulo José retorna sexta-feira (21) em Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar, que inaugura o Teatro Oi Futuro, em Ipanema. Na peça em homenagem à poeta morta na década de 80, o ator divide a cena com Ana Kutner - uma de suas três filhas do casamento com Dina Sfat -, a quem também dirigiu. "A vida é feita de acasos. Quem planeja já sabe que vai dar errado. A ideia de fazer o espetáculo está rolando há tempos", diz Paulo, que atribui à última cirurgia a segurança para voltar às temporadas teatrais. "A operação me fez muito bem e me senti apto a voltar, pois agora controlo melhor os movimentos", explica.
No tempo de cortinas fechadas, Paulo esteve (muito) envolvido com cinema, TV e projetos da cena cultural, e não perdeu a leveza. "É meu 'Parkinson de Diversões'. Eu me dou bem com a doença. Quando as peças estão saindo da garantia, com a idade, vão aparecendo os problemas. Tem gente que tem gota, o fígado está um patê... A doença é degenerativa, mas o envelhecimento o é", resume, sabiamente.
A filha companheira de cena é também parceira de vida - "Temos ligação forte demais", diz Ana - e dá sermão quando necessário. Em fevereiro, quando o ator quase se afogou nos mares da Bahia, em intervalo das filmagens de Quincas Berro D'água (Sérgio Machado), Ana assumiu o papel de mãe autoritária. "Soube pelo Jornal Nacional e liguei desesperada. Ele me disse: 'Mas não foi nada...'. E brincou: 'É doce morrer no mar...'", conta ela, interrompida pelo pai: "De fato não aconteceu nada, eu nem engoli água, mas tinha um cidadão filmando e virou uma coisa de maluco", explica.
A preocupação de Ana se estende para o excesso de trabalho de Paulo José, recomendação que o ator pretende - "Vamos ver até quando" - acatar: "Tenho que recarregar meu chip, e minha maneira é tendo muita coisa para fazer", diz ele, que emendará a peça com o próximo filme de Selton Mello.
Ativo, Paulo José luta há 16 anos contra o mal de Parkinson e, no final do ano passado, fez a primeira etapa de uma cirurgia de estímulo cerebral profundo. De acordo com o chefe da neurocirurgia do Hospital Geral de Ipanema, Salim Michel, esse é o procedimento mais promissor dentro das condutas de hoje.
"É colocado um marca-passo no cérebro que diminui principal - mente o tremor e a agitação. A bateria precisa ser trocada com frequência", explica o médico. Paulo José ainda vai operar o outro lado do cérebro. "Vou fazer o segundo ato, pois a melhor cirurgia é a bilateral", diz o ator.







