- Hermano Freitas
- Direto de Salvador
Escolhido pelo governador Jaques Wagner (PT) por sua atuação no teatro, o secretário estadual baiano de cultura Márcio Meirelles (sem partido) vê no fomento à produção de cultura audiovisual local uma forma de diminuir as diferenças sociais e gerar renda. Meirelles relata a experiência da TVE baiana, que terceiriza a produção de pequenos documentários como incentivo a pequenas produtoras.
Meirelles representou na quinta-feira o governador do Estado na abertura do 1° Encontro Internacional da Diversidade Cultural, realizado em Salvador por diversas entidades a favor de políticas públicas pela diversidade cultural.
Confira a íntegra da entrevista:
Uma das reivindicações das entidades de defesa da diversidade cultural é o direito de produzir e divulgar cultura local, ainda que com reserva de mercado. Como o senhor vê isso?
É certo que seja assim. É uma luta enorme, uma luta internacional. No país é uma luta de caráter mais nacional que estadual. Aqui na Bahia a gente uniu a política do audiovisual com a radiodifusão, então a nossa TV é pública e incentiva e fomenta a produção de conteúdos. Temos feito muitos editais e licitações, para produzir o mínimo possível e fomentar o máximo possível.
Explique um pouco melhor isso, produzir o mínimo possível fomentando o máximo?
(Risos) A TVE produz jornalismo, mas tudo aquilo que é conteúdo especial, como documentários, programas temáticos, como sobre o carnaval, existe uma licitação para produzir mini-documentários produzidos em várias partes da cidade, para que possam dar uma visibilidade ao todo, não só aos grandes desfiles. Então é isso que eu digo, produzir menos e fomentar mais. Quando se faz isso você injeta recursos no mercado.
É uma forma de distribuição de renda?
Sim, pequenas produtoras e jovens cineastas que entram no mercado e que produzem coisas de qualidade, como clipes de música. Fazemos muito editais para conteúdos, mini-séries, pilotos de programas. Então você tem um veículo de televisão pública e tem a política do audiovisual. Temos incentivado os cineclubes e a difusão do cinema. Ainda é muito pouco, mas é o que podemos fazer no nível estadual. Mas é uma briga nacional.
Se a produção cultural é boa e de qualidade, precisa de reserva de mercado, precisa de lei e incentivo público?
Precisa, porque a cultura é um processo. A gente está acostumado, por uma política anterior, a consumir muito mais um produto que vem de fora, em especial dos Estados Unidos, do que nossa própria produção audivisual.
O senhor vê isso como imposição ou como algo que foi construído a partir do gosto popular?
Foi uma construção a partir de permissividade. Permitimos que acontecesse, talvez por falta de uma produção local, pelo investimento incrível do governo americano em sua própria produção cinematográfica. Então ficamos para trás. Na medida em que ganhamos competência e
fôlego para ter uma produção maior como agora, quando temos uma diversidade de um cinema que é, entre muitas aspas, comercial, de entretenimento até o cinema de reflexão, de instigação e mudança, temos uma gama enorme de produção audiovisual que precisa ser vista.
Mas as pessoas querem ver?
Não é que a produção não tenha qualidade, mas é que estamos acostumados a uma estética. A gente que eu falo é o senso comum. Estamos acostumados até a uma sonoridade de língua. Evidente que isto tem se modificado com as políticas de incentivo. Existem políticas que não são apenas para garantir um mercado, mas também para impedir que todos os recursos saiam do País. Você tem um lançamento de um filme internacional com várias cópias em vários cinemas ao mesmo tempo, competindo com a produção local e impedindo muitas vezes o fomento da produção local. Então, é uma forma de todo mundo sair ganhando. Não se trata de impedir que o cinema americano venha para cá, mas que a gente também possa distribuir nossos filmes fora daqui, que a gente seja visto fora daqui.
O repórter viajou a convite da produção do 1° Encontro Internacional da Diversidade Cultural.






