atualizado às 20h41

'Tas ao Vivo': China terá time do Corinthians, diz Andrés Sanchez

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Sanchez: Santos tem 'leve' favoritismo sobre Corinthians
 

A forma pomposa com a qual o Corinthians apresentou o jogador chinês Zizao, no último dia 1 de março, foi alvo de chacotas por parte da imprensa e de torcedores rivais. No entanto, de acordo com afirmação do ex-presidente do clube Andrés Sanchez no Tas ao Vivo desta quarta-feira (13), a vinda do atacante asiático é parte de um planejamento muito maior - que pretende colocar a marca do alvinegro entre as principais do mundo do futebol.

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"Daqui a um, dois meses, vamos inaugurar o time do Corinthians na segunda divisão do futebol chinês", revelou o atual diretor de seleções da CBF em entrevista concedida ao apresentador do programa, Marcelo Tas, nos estúdios do Terra. "O Corinthians está fazendo uma parceria com a China que daqui a um ou dois anos vocês vão ver. No futebol, o futuro é a China. A gente não quer mais um milhão, dois, três. A gente quer bilhão."

Ainda assim, Sanchez negou que Zizao seja apenas parte da estratégia de internacionalização corintiana, afirmando ver o jovem atacante como um jogador de grande qualidade, que vai dar alegrias à torcida. "Ele vai jogar, sim. Já está treinando novamente. Claro, não vai ser a nossa salvação, mas vai ajudar."

Até agora, entretanto, passados três meses desde que foi apresentado como reforço do atual elenco, o atleta chinês sequer vestiu a camisa alvinegra em partidas oficiais. "Ele é franzino e não dá para lutar caratê e jogar bola. Então um jogador deu uma entrada mais forte e ele acabou machucando o ombro", lamentou Sanchez.

Mas, mesmo se não render no time, Zizao está longe de ser a única aposta recente do ex-presidente - ele não gosta do termo cartola, já que cumpriu apenas um mandato pelo clube - para o alvinegro do Parque São Jorge. Nos últimos anos, o Corinthians contratou ao menos três atletas que desde o início foram vistos com desconfiança: Ronaldo, Adriano e o argentino Defederico. Apesar de apenas o primeiro ter rendido, Sanchez ainda vê todas as apostas como tendo sido "bacanas".

"Quando nós montamos o time no ano passado, era óbvio que o Adriano seria o goleador, o cara do ataque. Mas o Adriano tem um problema só dentre todos os falados por todos: ele não quer jogar bola. E quando o cara não quer, não tem jeito. É o mesmo problema do Ronaldinho, por exemplo. Mas se eu fosse dirigente de novo, voltaria a contratá-lo, porque não existe jogador do nível dele no Brasil. Era só colocar na cabeça dele para voltar a jogar bola, porque, quando ele estava no Corinthians, treinou, faltou em alguns treinos, sim, mas o problema mesmo é que não queria jogar."

"Já o Defederico, veio emprestado e fizemos a aposta. Aquele negócio de ser o novo Messi foi coisa da imprensa, não nossa. Mas eu ainda acredito muito nele, que está agora no Estudiantes, da Argentina", explicou.

Itaquerão, não!
As conquistas de Sanchez no Corinthians não foram poucas. Mesmo sendo considerado excessivamente falastrão, ele conseguiu diversas vitórias, como voltar para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro - e, no ano passado, conquistar o título do torneio - com campanha invejável, repatriar Ronaldo Fenômeno e, a maior de todas, garantir o sonho há tanto desejado pelos torcedores do time: finalmente construir um estádio à altura das partidas do alvinegro. E em Itaquera.

Mas há um ponto que não o agrada nem um pouco em relação às reportagens relativas à provisoriamente chamada Arena Corinthians: o fato de ela ter sido "batizada" de Itaquerão.

"Não se pode falar Itaquerão, ainda mais você, que é do business. Parte da imprensa, infelizmente, ainda não se conscientizou de que é necessário mudar isso", disse a Marcelo Tas, explicando que o estádio será intitulado com qualquer nome, contanto que seja pago, ao longo de 20 anos, o valor de R$ 405 milhões pelos naming rights. "O Terra pode fazer um checão e colocar lá: Arena Terra. O nome será de quem pagar. Já Itaquerão será o melhor sonho de todo mundo, porque não é estádio. Deve ser algum apelido para Itaquera."

Sanchez ainda garantiu não ter havido "blefe" quando ele recusou um projeto para a construção de uma arena para o clube, ainda durante a Copa do Mundo de 2010, alegando que tinha outra proposta. "Quando eu estava na África, o Conselho do clube trouxe um novo projeto. Ainda não tínhamos assinado o primeiro (de Pirituba), mas eu sabia que aquele que a gente tinha era melhor. Então pedi 60 dias para apresentar o projeto", explicou. "Se você fizesse no Morumbi (uma das sedes da Copa de 2014), não tem metrô, não tem trem. Pirituba idem. No estádio do Corinthians, o metrô é a 200, 300 metros. Então o Governo (do Estado de São Paulo) não precisou investir tanto. E a zona leste é uma zona carente, a mais populosa de São Paulo, e o plano é fazer com que as pessoas trabalhem por lá, não precisem se deslocar para isso, é ótimo para a região."

Ainda em relação ao clube, diferente do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, de quem é grande amigo, Sanchez não se diz com vontade de reassumir algum dia sua presidência. Conselheiro vitalício do clube, ele afirmou que o trabalho é extremamente cansativo, pois, além do futebol, há quase uma centena de departamentos para serem comandados - algo recrudescido pelo fato de existir uma pressão desigual sobre o dono do cargo, uma vez que "todo mundo vive de Corinthians". "Espero não voltar mais, porque é muito pesado. O Mário (Gobbi, atual presidente) está fazendo uma boa administração, talvez um pouco mais pé no chão, mas boa. Além disso, não tem como mudar, não tem como os presidentes interferirem, porque o Corinthians vai se tornar de qualquer jeito um dos maiores do mundo em um futuro próximo."

Anos polêmicosAndrés Sanchez assumiu a presidência do Corinthians após a queda do cartola Alberto Dualib, no segundo semestre de 2007, quando o time caiu para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro - consequência da malfadada parceria com a empresa MSI, representada na época pelo iraniano Kia Joorabchian. Repentinamente migrando da situação para a oposição do clube - ou seja, de apoiador a detrator de Kia -, ele afirmou que só não negocia mais com o empresário para evitar "escândalos".

"Se a parceria tivesse sido feita da forma correta por ambas as partes, rolaria. Mas tanto o Corinthians quanto o Kia erraram muito. A direção do Corinthians e a MSI brigavam todo dia, teve muito desgaste", lamentou. "Mas o Corinthians não precisa mais de parceiro nenhum para seguir em frente. É dos poucos clubes do Brasil que têm esse privilégio"

Outro assunto abordado, em pergunta enviada por um internauta ao programa, foi a respeito do polêmico título do alvinegro no Brasileiro de 2005, no qual houve anulamento de onze jogos, que beneficiaram diretamente o time, além de um polêmico pênalti não-marcado na penúltima rodada do torneio, no confronto entre Corinthians e Internacional, no volante Tinga, que foi expulso por "simulação" e prejudicou a equipe gaúcha. "Não compramos aquele campeonato. Já fomos beneficiados e prejudicados pela arbitragem, assim como o Inter, afinal os árbitros são seres humanos e estão sujeitos a erros. Ali, no caso, o árbitro achou que não foi pênalti - e eu também."

Sanchez também falou sobre um período bem distante do início de sua ação política na agremiação, a chamada Democracia Corintiana, liderada pelos então jogadores Sócrates e Casagrande na década de 1980. Para ele, apesar dos discursos, o movimento foi mais importante para o Brasil do que para o clube. "Quem estava no clube na época me disse que eram três, quatro, não eram todos os jogadores. Acabou sendo bom para o País."

Terra