atualizado às 19h10

"Tentei me 'enfeiar' para ser aceita", diz Alinne Moraes

A atriz participou da coletiva da peça 'Dorotéia', nesta segunda-feira (23), em São Paulo Foto: Léo Pinheiro / Terra
A atriz participou da coletiva da peça 'Dorotéia', nesta segunda-feira (23), em São Paulo
Foto: Léo Pinheiro / Terra
 
Beatriz Carrasco
Direto de São Paulo

Ela é uma prostituta que, ao perder o filho, abandona a profissão e volta a morar com três tias feias e conservadoras. Sua beleza é encarada como um pecado e, para se adequar à nova vida, ela precisa abrir mão de sua vaidade. Interpretada por Alinne Moraes, Dorotéia é a personagem principal da peça homônima de Nelson Rodrigues, adaptada por João Fonseca neste ano. Em entrevista coletiva realizada na capital paulista nesta segunda-feira (23), a atriz contou que se identifica com o dilema da jovem: "tentei me 'enfeiar', para ser aceita, para ser querida", disse.

Após temporada no Rio de Janeiro, Dorotéia estreia em São Paulo neste sábado (28) e fica em cartaz até 14 de outubro, no teatro Raul Cortez. No palco, a trama escrita em 1949 comemora o centenário do escritor recifense, que nasceu em agosto de 1912. "Se não me chamassem para montar um Nelson no centenário, eu ia ficar muito frustrado", confessou João Fonseca sobre a peça que foi encenada pela primeira vez em 1950, com a assinatura de Zbigniew Ziembiński, figura de destaque no nascimento do teatro moderno brasileiro.

Considerada uma peça "maldita", a adaptação se enquadra nos textos míticos de Nelson Rodrigues e traz um tema atemporal: o fardo da beleza. Alinne, 29 anos, contou que Dorotéia reflete experiências que vivenciou quando era mais jovem. No início de sua carreira como modelo, a atriz tentava passar despercebida ao esconder o rosto com um boné. Suas curvas, porém, ajudaram-na a abrir portas: "eu trabalhei a beleza como aliada", pontuou.

Interpretadas por Gilberto Gawronski, Alexandre Pinheiro e Paulo Verlings, as tias de Dorotéia são desprovidas de "quadris" e exibem características físicas medonhas. Elas seriam, então, a representação da mulher séria, já que a beleza, por si, seria um desrespeito, uma falta de honra. "Beleza é pecado", enfatizou o diretor sobre como o machismo classifica as mulheres belas, que estariam sempre "devendo algo" ou tendo que provar que não se limitam apenas à aparência.

No final da trama, Dorotéia alcança o respeito ao, finalmente, se tornar feia. Esta cena, segundo Alinne, foi seu maior desafio, já que ela não contou com o apoio de maquiagem para mudar seu rosto. Ela, que usou como artifício caretas e mudanças de expressão, afirmou que "a feiúra vem de dentro pra fora". Neste momento, a paulista ainda comentou que já conheceu muitas pessoas no meio artístico que, mesmo bonitas, ficaram "bem feias" após uma conversa.

Em sua segunda experiência nos palcos, a atriz - que em 2007 estrelou Dhrama: O Incrível Diálogo entre Krishna e Arjuna, de João Falcão - relatou que sua "única formação é a prática". Para entrar no universo do teatro, Alinne chegou a recusar três papéis na televisão. "Na Globo, a gente fica preso", contou, ao pontuar que a pesada carga horária impediria que tivesse outros trabalhos em paralelo.

A paulista ainda expôs a sua opinião sobre o poder de influência das novelas. "A TV não é só entretenimento", enfatizou ela, que já interpretou uma lésbica, ao destacar a importância de levantar bandeiras como a do homossexualismo. Apesar de sua paixão pela televisão, Alinne, que está na TV Globo há 12 anos, disse que "precisava respirar coisas novas". O teatro, então, seria uma boa experiência para incrementar sua carreira.

De volta à TV
No final deste ano, Alinne voltará à televisão em uma minissérie global, ainda sem título definido. A trama irá abordar o fim do mundo que, segundo algumas interpretações, teria data marcada para 22 de dezembro de 2012. A atriz, que já leu o roteiro, disse que "está muito engraçado".

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