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29 de abril de 2010 • 21h08

'Bela, A Feia' se sobressai com transformação da personagem de Giselle Itié

Giselle Itié e Bruno Ferrari em cena da novela 'Bela, A Feia', da Record
Foto: TV Record / Divulgação
Mariana Trigo

A segurança de Giselle Itié após a metamorfose física de sua personagem Bela em Valentina, em Bela, A Feia, trouxe ganhos nítidos para a trama da Record. Além do fôlego da audiência da trama, que se eleva com média de 15 pontos, a história ficou mais atraente - em diversos sentidos. A começar pela visível química em cena da personagem de Giselle com Bruno Ferrari, que vive o simpático engomadinho Rodrigo.

Muito à vontade em cena, o casal de atores conseguiu transformar um texto quase piegas do reencontro amoroso do casal em tomadas até sofisticadas, com uma estética interessante e uma cumplicidade que parece ter sido ensaiada há tempos. Com os cabelos longos soltos, vestidos justos e uma maquiagem bem acabada, a curvilínea Giselle mostra que foi a atriz correta na escalação da personagem. Principalmente por cuidadosos detalhes que a atriz mexicana valoriza no papel. Como permanecer com o sorriso característico e expressões convincentes de sua fase como a mal-ajambrada Bela de semanas atrás.

Essa modificação da "gata borralheira" parece ter refletido positivamente pelos demais núcleos da história. A começar pelo popular núcleo da Zona Portuária, encabeçado pelo carismático Bemvindo Sequeira como Clemente. Cada vez mais convincente na pele do dono de bar, o ator veterano consegue erguer todas as cenas com o escrachado Nelson, de Cláudio Gabriel. Mesmo em papéis que poderiam derrapar para a caricatura desde o início da história, ambos têm ressaltado que, mesmo diante de situações de comédia pastelão, é possível elevar o nível da trama apenas pela atuação.

No entanto, o mesmo não se pode dizer dos vilões de Sessão da Tarde da história. Até hoje, André Mattos ainda insiste na mesma risada em quase todos os seus personagens, como se estivesse num quadro do Zorra Total. Ou mesmo Simone Spoladore, que de atriz "cult" e de timbre grave, tem exagerado com tons acima como a antipática gasguita Verônica.

Em meio a esses cenários contraditórios e de uma direção consistente de Edson Spinello, a história também se destaca pela agilidade da edição. Avesso à morosidade de parte das tramas da Record, o folhetim de Gisele Joras, adaptado do colombiano Betty, La Fea, não se acomoda. Tem sempre algo acontecendo que consegue prender a atenção numa mistura consistente de humor com drama e romance. Pelo menos o suficiente para fazer de uma adaptação latina, quase sempre recheada de excessos, um produto atraente para a tevê brasileira.

TV Press