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Bela Gil, após polêmica da cúrcuma: ‘não vou mudar nada’

Apresentadora diz que tem mais dicas preparadas em entrevista exclusiva ao Terra

29 jul 2015
11h29
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A apresentadora e chef de cozinha Bela Gil não parece se abalar quando, não raro, recebe críticas nas redes sociais às suas dicas de alimentação e hábitos alternativos de saúde. Especializada em uma culinária que preza pelos alimentos naturais, Bela se viu no meio de um furacão na semana passada ao indicar a cúrcuma como substituto do creme dental.

Foto: Pedro Serrão / Divulgação

Passados alguns dias da polêmica, ela é taxativa: “não vou mudar nada” na relação com os usuários das redes sociais. A apresentadora diz, inclusive, que tem outras dicas preparadas e não se assusta com a reação de seus críticos: “algumas pessoas têm um olhar tão pequeno...”, lamenta, destacando, no entanto, que muita gente ofereceu apoio e solidariedade.

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Bela Gil segue com seus compromissos, que aumentaram em progressão geométrica desde que iniciou seu programa no GNT, o Bela Cozinha, em 2014. Neste sábado, por exemplo, ela participa de um evento do Convivium Slow Food, no Rio, movimento com o qual se identifica. A apresentadora já vive duas novas expectativas: o lançamento do segundo livro de receitas e a quarta temporada do programa, que começa no dia 4 de agosto. Confira a entrevista exclusiva de Bela Gil ao Terra .

Terra: Você se arrepende do programa em que você preparou o churrasco de melancia, que virou alvo de brincadeiras e críticas?

Bela Gil: Jamais, nunca! Eu adoro churrasco de melancia. Fui a Barcelona (na Espanha) há pouco tempo e comi um churrasco de melancia delicioso! O mundo é muito maior que o Instagram. Eles (os críticos) é que estão perdendo a oportunidade de experimentar o churrasco de melancia.

Terra: A orientação para o uso da cúrcuma no lugar do creme dental provocou a ira de muita gente. Já superou? Vai mudar a relação com o público do Facebook depois disso?

Bela Gil: Eu não vou mudar nada. Eu vou continuar colocando dicas, fotos do meu dia a dia, coisas que eu acho interessante dividir com as pessoas. Tenho dicas sobre alimentação, coisas em que acredito. Vou continuar fazendo a mesma coisa.

Terra: Os apoios que você teve contrabalançaram a quantidade de críticas à sugestão do uso da cúrcuma?

Bela Gil: Eu acho que sim, mas não vejo por esse lado. As pessoas têm um olhar tão pequeno, ficam discutindo coisas inúteis, ao invés de abrir o computador, dar uma pesquisada. Tem gente que não sabe nem o que é cúrcuma. Vai fazer uns estudos, sabe? Eu adoro uma discussão com gente bacana, construtiva, com pessoas que tenham um mínimo de conhecimento. Mas discussões vazias não têm a menor necessidade, não dou muita bola. Mas eu gostei de ver pessoas que compartilham do mesmo sentimento que o meu. Da mesma crença que a minha, em um mundo melhor. É engraçado dizer que Bela agora virou quase um adjetivo.

Terra: Como assim?

Bela Gil: Ah, dizem: ‘isso é muito Bela Gil. É a causa da Bela’. Fico feliz. É uma bandeira que eu tento levantar.

Terra: Você chegou a dizer que apenas deu uma sugestão, mas você é uma formadora de opinião de grande força na rede. Não imaginou que poderia acontecer essa reação negativa?

Bela Gil: Nunca. Em nenhum dos posts (que provocaram reação) eu imaginei que fosse dar em alguma coisa (polêmica). Eu não tenho muito essa preocupação. Se eu fosse ouvir (opiniões antes de postar) eu não botaria metade das coisas que coloco.

Terra: O brasileiro come mal?

Bela Gil: O brasileiro come mal porque ele troca o arroz com feijão pelos industrializados, pela lasanha congelada, pela salsicha. Na base, na essência, a gente até come muito bem... Em alguns lugares, no interior, principalmente, por não terem tanto acesso à industrialização. Porém, quando o industrializado chega na vida da pessoa, põe tudo por terra. Afinal, é prático, é mais barato, mais simples e mais “gostoso”. Porque para a maioria é melhor (o sabor do industrializado). Mas eu não sei como a pessoa pode pegar um biscoito recheado e dizer que aquilo é a melhor coisa do mundo. Pra mim, realmente o gosto não é bom. Então, tem que ter muita educação, muita disciplina. Seria muito fácil chegar em casa e pedir uma pizza. Mas eu não quero passar esses valores pra minha família.

Foto: Pedro Serrão / Divulgação

Terra: Sua filha está crescendo assim, se alimentando seguindo aquilo que você pratica. Como foi a sua alimentação na infância?

Bela Gil: Cresci comendo de tudo: arroz, feijão, rúcula, batata frita, legumes, até Mc Donald´s. Em casa sempre teve uma comida muito boa. Mas eles nunca me proibiram de nada. Eu saía e ia ao Mc Donald´s. Era uma coisa normal. Mas isso logo mudou na adolescência.

Terra: Você acha que é tarde decidir mudar os hábitos alimentares aos 30, 40 anos?

Bela Gil: Nunca é tarde. Minha mãe (Flora Gil) mudou aos 50 anos de idade. Qualquer um pode mudar e deve mudar, deve experimentar. Obviamente, começar uma educação na infância é muito melhor. Você educa e não tem que reeducar. Eu acredito no educar para não reeducar. É meio caminho andado, é como a criança aprender duas línguas ou andar de bicicleta, por exemplo.

Terra: Você disse uma vez algo como querer ajudar a mudar o mundo pela alimentação. Não há uma grande utopia nisso?

Bela Gil: As pessoas acham que é uma coisa muito utópica. Mas olha, tem gente que escolhe arte, tem gente que escolhe poesia, outros escolhem a política, pra mudar o mundo. Eu escolhi a comida. É difícil, mas é possível. A gastronomia pelo viés do social, do sustentável e do saudável. Com esses três tipos se unindo, a gente consegue construir um mundo melhor.

Terra: Qual sua relação com o Slow Food? De alguma forma, é possível dizer que você segue a doutrina deste movimento?

Bela Gil: Eu acredito muito no que o Slow Food prega (a comida limpa, boa e justa). Antes de conhecer o Slow Food, eu tinha uma visão integral de alimentação saudável, aquela que faz bem para o meio ambiente, para o corpo e para o produtor. Quando li o livro do (Carlo) Petrini (criador do movimento) e vi que a base (do Slow Food) é essa, ou seja, que prega a comida boa, limpa e justa, vi que era exatamente o mesmo em que eu acredito. Uma comida que não polui, que não envenena e justa para o produtor e para o consumidor. Me identifiquei muito. Não tem como não me atrelar a eles e resolvi fazer parte do movimento. Conheci o Petrini na Itália e vi que era uma pessoa incrível. Tento ajudar sempre.

Terra: Os convites para eventos devem ter disparado, não é? Você gosta de usar outros meios além da TV e da internet pra chegar ao público?

Bela Gil: Eu gosto de participar. Mas esse encontro especificamente do Slow Food é especial pra mim. Quanto mais pessoas souberem do Slow, quanto mais colocarem em prática, a comida vai agradecer, os animais vão agradecer... Vai ser bom pra todo mundo. Quanto mais força tiver, melhor pra sociedade.

Terra: Tem novidades para o programa ‘Bela Cozinha’?

Bela Gil: Tem. Vai estrear no dia 4 de agosto. Será com o mesmo formato, mudando os convidados. Haverá receitas ainda mais gostosas. A gente vai lançar o próximo livro em outubro. São as receitas do ‘Bela Cozinha’ referentes às segunda e terceira temporadas, além da edição de verão. Agora estamos entrando na quarta (temporada).

Terra

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