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Camila Pitanga e Marjorie Estiano vivem mocinhas em 'Lado a Lado'

9 set 2012
16h36
atualizado às 23h42
Márcio Maio

O movimento de renovação de autores na Globo continua firme e forte. Prova disso é que Cheias de Charme, dos estreantes Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, nem acabou e a emissora já aposta em uma nova dupla para lançar em seu time de roteiristas principais. O jornalista João Ximenes Braga e a escritora Cláudia Lage assinam o texto de Lado a Lado, novela de época que substitui Amor Eterno Amor na faixa das 18h a partir do próximo dia 10.

A trama explora contrastes que, sob a direção de núcleo de Dennis Carvalho e geral de Vinícius Coimbra, mostram que as necessidades das pessoas não devem ser medidas apenas por suas condições financeiras e sociais. E a escolha por retratar o período histórico após a Abolição da Escravatura não se deu à toa.

"Fomos alfabetizados assistindo a Escrava Isaura. Para mim, novela de época é a narrativa mais elementar que existe na memória", argumenta João, que conheceu a colega Claudia durante uma oficina de roteiro na Globo.

A história é centrada nos dramas de duas mocinhas. Isabel, personagem de Camila Pitanga, é uma jovem batalhadora que trabalha desde os 14 anos. Sabe ler e até fala francês - idioma que aprendeu com a patroa Madame Besançon, participação especial de Beatriz Segall -, mas passa por vários problemas para viver seu amor com o capoeirista e barbeiro Zé Maria, de Lázaro Ramos.

E, assim como a amiga Laura, vivida por Marjorie Estiano, luta por sua independência e liberdade. Mas, no seu caso, a luta tem um significado a mais: Lado a Lado se passa em 1904, 16 anos após a Abolição da Escravatura. Ou seja, retrata a busca pela dignidade de um grupo de negros que foi libertado, porém não aceito por todos na sociedade.

"Esse não é o foco principal, mas é claro que é um assunto que será mostrado. Sutilmente, mas não passará em branco", avisa Camila. Na verdade, o público acompanhará o início da amizade entre Isabel e Laura, já que as duas se conhecem no dia de seus casamentos, na sacristia da igreja. Sendo que a primeira, que deseja o matrimônio, fica à espera do noivo, que é preso antes da cerimônia. Já Laura, que não está certa de sua escolha, acaba dizendo o "sim".

Laura vive às turras com a mãe Constância, mais uma vilã de Patrícia Pillar, que viveu a inescrupulosa Flora de A Favorita em 2008. A menina quer trabalhar, estudar e, então, se tornar escritora. Mas como seu pai perdeu o título de Barão com a Proclamação da República e também o domínio em seus negócios, é o casamento dela com o ricaço Edgar, o noivo filho de senador interpretado por Thiago Fragoso, a principal esperança de reerguer a família. Mesmo que a união seja contra a vontade de ambos.

"Na verdade, eles se amaram. Mas ambos têm dúvidas se essa é a melhor coisa a fazer. O mais legal é que essa é a história de duas pessoas que se apaixonam de novo, depois que se casam nessa sensação de obrigação", adianta Thiago.

Para retratar o Rio de Janeiro de 1904, a equipe de Lado a Lado teve dificuldades em encontrar na própria cidade construções que conservassem características da época. Por isso, as primeiras cenas foram rodadas em Petrópolis, na Região Serrana fluminense, e também em São Luís, capital do Maranhão.

Petrópolis serviu para ambientar os bairros do Catete e Botafogo, na Zona Sul do Rio, onde ficam os casarões coloniais da trama. Já São Luís virou cenário para contar a parte da história que se passa na Gamboa, região central da cidade. "Petrópolis tem palácios e casarões bem preservados e o centro histórico de São Luís tem uma arquitetura semelhante à do Rio de 1904", explica o diretor geral Vinícius Coimbra.

Por se tratar de uma trama de época, o elenco já imagina que não será fácil rodar diversas sequências externas de Lado a Lado. O figurino - que conta com um acervo de 900 peças e é assinado por Beth Filipecki - é repleto de roupas com diversas camadas, principalmente o das mulheres que pertencem à parte rica da história. Além disso, luvas, chapéus, botas e diversas ornamentações serão bastante utilizados.

"Figurino de época é sempre muito elaborado. Era preciso estar bem vestido para se fazer bons negócios nesse período. Homens que usavam chapéus, por exemplo, eram sinônimos de pensadores, de donos do poder", pontua Beth.

Apesar de ser assinado por uma dupla de estreantes, o texto da novela passa pela aprovação do experiente Gilberto Braga, com quem João Ximenes Braga já trabalhou em Paraíso Tropical e Insensato Coração. Gilberto, aliás, faz questão de deixar claro o quanto é necessária essa renovação no grupo de escritores dos folhetins.

"Não dá para ficar com a mesma equipe o resto da vida. E eles têm toda consciência disso", constata. Mas o supervisor jura que praticamente não tem trabalho com os dois atuais pupilos. "Não pedi que reescrevessem uma linha. Dou palpites para o futuro, digo que acho melhor evitar uma cena assim ou assado, mas não fiz quase nada", garante.

Entre o morro e o asfalto
A equipe de Lado a Lado conta com duas cidades cenográficas construídas no Projac, complexo de estúdios de teledramaturgia da Globo. O primeiro serve para retratar a Rua do Ouvidor, localizada no Centro da cidade, com as características que ela tinha em 1904. São 2.550 m², sendo 10 metros de extensão de rua.

Ali ficam as fachadas de uma confeitaria, uma barbearia e um bar - pontos de encontro dos personagens -, do fictício jornal Correio da República e de outras dez lojas, além do Teatro Alheira. "Temos prédios neoclássicos, ruas estreitas e em paralelepípedo e calçadas em ladrilho hidráulico", adianta o cenógrafo Fábio Rangel. A confeitaria, a barbearia e o bar, em função da importância que ocupam na trama, contam também com cenários internos.

A confeitaria é o que mais impressiona no espaço. São 200 m², com direito a mezanino e ambientação sofisticada. Os dois andares contam com 40 lugares distribuídos em dez mesas. Já a outra cidade cenográfica é menor e reproduz a formação do Morro da Providência. Para isso, sete barracos foram construídos com tábuas de demolição. Destes, três deles ganharão cenários de interior dentro do estúdio da novela.

Quem é quem

Os protagonistas
Isabel (Camila Pitanga)

- Jovem batalhadora e romântica que trabalha desde os 14 anos na casa de uma rica senhora francesa, mas mora no cortiço com o pai, Afonso (Milton Gonçalves). Tem pensamentos considerados modernos para a época e ama Zé Maria (Lázaro Ramos).
Zé Maria (Lázaro Ramos) - Barbeiro, é conhecido como Zé Navalha. Capoeirista, se envolve em diversas confusões e injustiças porque o esporte era proibido por lei na época. Ama Isabel, mas os dois enfrentam muitas dificuldades tentando ficar juntos.
Laura (Marjorie Estiano) - Amante dos livros e das artes, não aceita a postura conservadora da mãe, a vilã Constância (Patrícia Pillar). Quer ser independente e trabalhar, o que destoa de tudo que se espera de uma mulher de sua classe social na época. Vai se casar com Edgar (Thiago Fragoso).
Edgar (Thiago Fragoso) - Rico, estudou Direito em Portugal, mas seu sonho é ser jornalista. Preocupado com as injustiças sociais, vai se casar com Laura.

Família Assunção
Constância (Patrícia Pillar)
- Grande vilã da trama, é uma mulher que faz tudo para manter a pose da família, já falida. Vive às turras com a filha Laura e lutará para que o marido tenha prestígio na carreira política.
Dr. Assunção (Werner Schünemann) - Barão do café no século XIX, entrou em decadência financeira com a Abolição e perdeu prestígio depois da Proclamação da República.
Albertinho (Rafael Cardoso) - Irmão de Laura, é o "playboy" da história. Sedutor, detesta trabalho. Dedica seu tempo às mulheres e ao futebol, esporte recém-chegado no País. Se apaixona por Isabel.
Umberto (Klebber Toledo) - Grande amigo de Albertinho, vai se envolver com Constância ao longo da história.
Celinha (Isabela Garcia) - Irmã mais nova de Constância e Carlota (Christiana Guinle). Solteirona atrapalhada e, por isso, é desprezada pelas irmãs.
Carlota (Christiana Guinle) - Irmã mais velha de Constância e Celinha. Viúva amarga, morre de inveja de Constância, mas é sua grande cúmplice nas vilanias.
Alice (Juliane Araújo) - Filha de Carlota, é o oposto de Laura: respeita as ordens da mãe controladora.

Morro da Providência
Afonso (Milton Gonçalves)
- Ex-escravo, é um homem trabalhador e pai de Isabel. Ainda está preso aos valores antigos. É barbeiro e, nas horas vagas, gosta de tocar modinhas em seu violão.
Caniço (Marcello Melo Jr.) - Capoeirista de má índole, usa o que aprendeu para atos marginais. Começa a trama como amigo de Zé Maria, mas logo se torna seu inimigo declarado.
Berenice (Sheron Menezzes) - Invejosa, tem raiva de Isabel porque ela sabe ler e fala francês. Tanto que quer lhe tirar o namorado, Zé Maria.
Jurema (Zezeh Barbosa) - É uma espécie de segunda mãe para Isabel. Líder na comunidade, passou anos lavando roupa e vendendo acarajé para construir uma casa grande onde todos se reúnem para comer e festejar.

Família Vieira
Bonifácio (Cassio Gabus Mendes)
- Casado com Margarida (Bia Seidl), é pai de Edgar e Fernando (Caio Blat) e também Senador da República. Aproveita o cargo político para conseguir benefícios e vantagens em seus negócios pessoais.
Margarida (Bia Seidl) - Senhora submissa ao marido, mas com boa índole.
Fernando (Caio Blat) - Jovem que não quer saber de estudos ou trabalhos, já que só gosta mesmo de jogar futebol. Trabalha com o pai, mas não se dá bem com ele. Por isso, sente inveja do irmão.
Catarina Ribeiro (Alessandra Negrini) - Cantora lírica brasileira com quem Edgar se relacionou em Portugal. Sua volta ao Brasil é marcada por muitos mistérios.

Teatro Alheira
Diva Celeste (Maria Padilha)
- Famosa atriz cômica e grande estrela do Teatro Alheira. Mas tenta sempre provar seu talento no drama, o que causa confusões entre os atores e o diretor. No passado, viveu um triângulo amoroso com Mario Cavalcanti (Paulo Betti) e Frederico (Tuca Andrada).
Mario Cavalcanti (Paulo Betti) - Diretor mal humorado do Teatro Alheira. É apaixonado por Diva Celeste.
Frederico Martins (Tuca Andrada) - Ator do Teatro Alheira bem egocêntrico e que se mete em diversas confusões com Diva e Mario.
Neusinha (Maria Clara Gueiros) - Camareira do Teatro, não sossega até pegar o lugar de Diva Celeste.
Quequé (Álamo Facó) - Contrarregra atrapalhado e desastrado do Teatro.
Eliete (Maria Eduarda) - Atriz do Teatro, será a primeira a sofrer com as armações de Neusinha.

Jornal Correio da República
Carlos Guerra (Emílio de Mello)
- Dono do Correio da República, jornal de oposição. Amigo e grande incentivador de Edgar no jornalismo.
Luiz Neto (Romis Ferreira) - Amigo de Guerra, é um intelectual que escreve no jornal, mas tem posições conservadoras sobre política, artes e comportamento social.
Jonas (George Sauma) - Jovem tipógrafo que sonha em ser jornalista.

Família do delegado
Praxedes (Guilherme Piva)
- Delegado autoritário que, em casa, se perde entre as mulheres da família.
Tereza (Susana Ribeiro) - Bibliotecária casada com Praxedes. Vive às turras com a sogra, Dona Eulália (Débora Duarte).
Sandra (Priscila Sol) - Filha de Praxedes e amiga de Laura. As duas se conheceram no colégio. Também sonha com a liberdade e a independência.
Dona Eulália (Débora Duarte) - Só pensa em fazer o enxoval da neta e não aceita o fato de a nora trabalhar fora.

Camila e Marjorie são as protagonistas da nova trama das 18h
Camila e Marjorie são as protagonistas da nova trama das 18h
Foto: Carta Z Notícias / TV Press
Fonte: TV Press

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