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Criador do 'Esquenta!' perde a timidez e vira apresentador na Globo News

16 nov 2013
21h20
atualizado às 21h24
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Hermano Vianna é do tipo que tem opinião sobre tudo. E o que não falta é espaço para ele expor seus pensamentos e experiências. Antropólogo, pesquisador cultural, idealizador de programas de TV, consultor de novelas e colunista do jornal carioca O Globo, o paraibano de 53 anos sempre evitou aparecer no vídeo. "Tenho essa postura mais discreta desde sempre. Não é frescura, eu apenas gosto de ficar observando tudo dos bastidores. O meu grande interesse é o outro", explica.

<p>Apesar de estar na TV desde os anos 80, só agora Hermano Vianna se tornou protagonista, em 'Navegador'</p>
Apesar de estar na TV desde os anos 80, só agora Hermano Vianna se tornou protagonista, em 'Navegador'
Foto: Zé Paulo Cardeal/TV Globo / Divulgação

Atualmente, além de estar por trás do tom carnavalesco e da mistura do Esquenta!, programa apresentado por Regina Casé, Hermano resolveu deixar a timidez de lado e mostrar a cara no recém-lançado Navegador, do canal pago Globo News.

Espécie de mentor da produção, Hermano divide a tecnológica mesa do Navegador com Alê Youssef, José Marcelo Zacchi e Ronaldo Lemos. Sob o viés da inovação, o quarteto passeia por assuntos diversos. Vão de música ao cenário político, passando por comportamento, novas tecnologias e os efeitos de todos esses temas na sociedade.

"São assuntos pertinentes e a interação do espectador é fundamental na construção do programa. Estou me divertindo muito. Existem muitos programas de debate na TV, mas acho que nosso diferencial é propor uma análise depois que o programa sai do ar. Nossa missão é estimular o público a navegar pelos novos caminhos da web também", resume.

Você trabalha nos bastidores da televisão desde o final dos anos 1980. O que o levou a aceitar o convite do Navegador e, enfim, aparecer no vídeo?
Hermano Vianna - A culpa é da Eugênia Moreyra (diretora-geral da Globo News). Não foi o primeiro convite que tive para aparecer na TV. Esse eu relutei, mas fui vencido. A questão vai além da timidez: eu não gosto mesmo de me ver na tela. Tanto que não vi o documentário Herbert de Perto, que aborda a vida e a carreira do meu irmão, Herbert Vianna, só porque apareço dando depoimento. Minha ideia inicial era ser apenas uma voz, tipo o Lombardi, e fazer algumas interferências com o programa em andamento. Mas a Eugênia me convenceu de que o resultado disso seria estranho (risos).

Passada a estreia do Navegador, como você avalia seu desempenho?
Foi tranquilo. Eu gostei. Tinha muito mais receio de como seria essa estreia. Mas o fato de estar "protegido" pela conversa, assuntos e amigos que dividem comigo o comando do programa, torna tudo mais fácil. O nervosismo passa e o que fica é o papo informal sobre coisas que me interessam muito. Vejo o Navegador de forma muito documental. São quatro caras que se conhecem há muitos anos, mostrando novas possibilidades que estão no mundo e na internet.

Sua primeira experiência na TV foi um especial sobre música na extinta Rede Manchete. Mas sua carreira é marcada pelos programas que criou ao lado de Regina Casé a partir da década de 1990, casos de Programa Legal e Muvuca. Como surgiu essa parceria?
Conheci a Regina em uma exposição do ex-marido dela, o (artista multimídia) Luiz Zerbini. Fomos apresentados e ela me elogiou pelo Africa Pop, documentário que fiz na Manchete, e disse que estava lendo meu livro O Mundo Funk Carioca. Na época, ela estava utilizando referências do livro para criar um personagem para o TV Pirata. Nos aproximamos e começamos a ver nossas afinidades artísticas. Fui o primeiro a levá-la a um baile funk, enquanto ela me levava para festas inusitadas, como um casamento cigano (risos). O humorístico acabou. E em uma reunião com o Daniel Filho (diretor artístico da Globo na época), ela falou sobre o Programa Legal (1991), nossa primeira parceria.

A cultura de massa e a periferia sempre o inspiraram?
Gosto de ir além do óbvio. Na virada dos anos 1980 para os 1990, o Brasil vivia uma época de ressaca do rock nacional e estrangeiro. Cenas culturais fortíssimas emergiam à margem disso tudo e sem qualquer visibilidade. Sobretudo, a cultura do hip hop e do funk. A expressão "periferia" nem tinha essa força toda que tem hoje. Ao lado da Regina, a ideia foi "jogar luz" sobre certos movimentos, locais, personagens, comportamentos e ritmos musicais que foram tendo destaque ao longo dos anos. Esse nosso mergulho proporcionou o surgimento de outros programas como o Brasil Legal e Central da Periferia. Considero o Esquenta! como o reflexo de tudo que a gente produziu antes.

Entre tantos programas, você consegue eleger o seu preferido?
Nunca parei para pensar nisso. Mas acho que o Programa Legal, apesar de ser a primeira produção, ainda é a mais completa. Revendo alguns episódios, vejo que a linguagem dele ainda é muito inovadora e que precisa ser devidamente estudada e analisada pelos críticos e pesquisadores de televisão. Era um mix de humor, documentário, shows musicais e programa de auditório, mas feito na rua.

Fonte: TV Press

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