0
TV

Da vilã Carminha ao insosso Théo: veja os melhores da TV em 2012

28 dez 2012
15h06
atualizado às 15h06
  • separator
  • comentários

Não se pode dizer que se foi o tempo em que as tramas das 21h brilhavam. Mas as grandes surpresas deste ano acabaram se revelando em outras faixas. No Melhores de TV Press 2012, a escolhida na categoria melhor novela, por exemplo, veio das 23h: a adaptação de Walcyr Carrasco de Gabriela. Assim como o prêmio de melhor autor, uma vitória dividida pela dupla estreante João Ximenes Braga e Claudia Lages, responsável pelo texto de Lado a Lado. Uma prova de que apostar no novo muitas vezes pode trazer resultados proveitosos.

Por sua atuação como Carminha, de 'Avenida Brasil', Adriana Esteves foi eleita a melhor atriz do ano
Por sua atuação como Carminha, de 'Avenida Brasil', Adriana Esteves foi eleita a melhor atriz do ano
Foto: Carta Z Notícias/Divulgação

Avenida Brasil não fez feio. Marcos Caruso abandonou de vez o estigma de pai e marido "encostado", ganhando insuspeitos ares de galã maduro e sendo consagrado como melhor ator coadjuvante. Mas a unanimidade ficou mesmo com sua colega Adriana Esteves. Madura e visceral, a vilã Carminha conseguiu um feito que poucos malvados dos folhetins alcançam: uma redenção construída ao longo da exibição. De madrasta cruel que abandona a enteada órfã em um lixão a "loura má", ela salvou a mocinha da morte no final e, assim, faturou seu "happy end". No mesmo lixão, onde começou suas maldades, é verdade, mas feliz. O aterro sanitário cenográfico também não foi esquecido. Sua veracidade e perfeição fizeram com que uma imagem tão inóspita prendesse a atenção em um horário em que muitos telespectadores fazem suas refeições. Fez a novela conquistar o título de melhor cenografia.

Em tempos de valorização da classe C, Cheias de Charme apostou no exagero em todos os pontos da história. Principalmente na direção de arte, que abusou em cores e futilidades em diversos cenários, mas soube retratar ainda uma comunidade que funcionava como contraste a toda a ostentação. Até avião personalizado foi usado. Investimento alto também rendeu à Record o título de melhor série, com Rei Davi. Uma mostra de que o gênero bíblico pode mesmo ser um diferencial na emissora liderada por pastores, sem que isso signifique a evangelização de seu público. Mas ousadia mesmo quem trouxe à televisão em 2012 foi Luiz Fernando Carvalho. O diretor conseguiu flertar com o popular sem deixar de lado todo o seu requinte e olhar poético que anda quase extinto na tevê aberta, ao criar Suburbia. Só poderia mesmo ser dele o prêmio de melhor diretor do ano.

Novela - Gabriela
Desde a escolha do elenco, direção de arte e a própria direção de Mauro Mendonça Filho, Gabriela foi o grande destaque entre os folhetins de 2012. Mais até pelos personagens paralelos do que pelo próprio casal de protagonistas, vividos sem maior brilho por Juliana Paes e Humberto Martins.

Com uma luz sempre fiel aos tons quentes da trama criada por Jorge Amado, a produção caprichou também no figurino e trilha sonora – outras vitórias nos Melhores de TV Press 2012. O Bataclã, bordel da história, chamou a atenção pela cenografia rebuscada e revelou atuações que ajudaram a conquistar a boa média geral de 19 pontos de audiência.

Um dos casos foi Leona Cavalli, que conseguiu voltar no meio da trama como a antagonista Zarolha, prevista para ser deixada de lado já nas primeiras semanas. Giovanna Lancelotti foi outro destaque, que emocionou e mostrou uma construção consistente para a sofrida Lindinalva. Gabriela provou que a nova faixa de 23h é mesmo um grande acerto da Globo, com histórias mais curtas e uma liberdade de criação que não se consegue nos outros horários.

Atriz - Adriana Esteves, a Carminha de Avenida Brasil
Adriana Esteves conseguiu a unanimidade em 2012 entre os melhores da dramaturgia brasileira. Mesmo diante de atrizes como Cláudia Abreu e Leona Cavalli, que se destacaram em Cheias de Charme e Gabriela, a atriz finaliza o ano consagrada. Ao longo dos 179 capítulos de Avenida Brasil, ela conseguiu fazer da dissimulada Carminha uma das maiores vilãs da teledramaturgia nacional. Mas, ao contrário de várias colegas que já ocuparam o posto de malvada, Adriana aproveitou toda a ausência de maniqueísmos do texto de João Emanuel Carneiro para, no tempo certo, redimir sua personagem.

Ator - Antônio Fagundes, o Ramiro de Gabriela
Nos últimos anos, Antônio Fagundes parecia ter dificuldades para, na tevê, se distanciar do caminhoneiro Pedro, que interpretou no seriado Carga Pesada. Mas fez uso de toda sua experiência para transformar o rude Ramiro Bastos, de Gabriela, na atuação mais marcante da novela. E se despiu de qualquer vaidade para isso. Tanto que, em cena, aparentava bem além dos seus 63 anos.

Na pele do conservador coronel, o ator passou por uma caracterização que envolveu sobrancelhas e bigode postiços, que ajudavam a endurecer seu semblante, aliados a uma verruga na testa. Além disso, Fagundes construiu um jeito de falar carregado e um andar arrastado que acentuavam ainda mais o tom pesado que o fazendeiro exigia.

Atriz Coadjuvante - Carolina Dieckmann, a Jéssica de Salve Jorge
A ideia era que Carolina Dieckmann fizesse uma curta participação na reta inicial de Salve Jorge. Mas o vagaroso desenvolvimento da ida da mocinha Morena, de Nanda Costa, para a Turquia, vítima do tráfico humano, fez com que a atriz roubasse as cenas e todos os holofotes da novela se voltassem para a corajosa Jéssica. Carolina se mostrou pronta para segurar o posto de protagonista temporária e dar o pontapé que a trama de Gloria Perez precisava para que, finalmente, se iniciasse. Com isso, teve não só a morte de sua personagem adiada, como também conquistou a categoria  atriz coadjuvante, nos Melhores de TV Press 2012.

Ator Coadjuvante - Marcos Caruso, o Leleco de Avenida Brasil
O posto de galã nunca foi almejado por Marcos Caruso. O ator, aliás, jamais imaginou que pudesse conquistá-lo na televisão. Mas conseguiu, aos 60 anos, se surpreender ao se dedicar tanto na construção do ex-pugilista Leleco, de Avenida Brasil. O talento de Caruso sempre foi evidente, mas é fato que suas aparições mais marcantes nas novelas se deram em papéis de pais ou maridos tratados como bobões, como aconteceu em Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida e Três Irmãs. Na pele de um típico malandro do subúrbio, o ator conseguiu se reinventar e, ao lado de Débora Nascimento e Eliane Giardini, foi o responsável pelas sequências mais hilárias da história de João Emanuel Carneiro.

Autor - João Ximenes Braga e Claudia Lages, autores de Lado a Lado
Audiência não pode mesmo ser vista como sinônimo de qualidade. Apesar das limitações impostas pelo horário das 18h e até pelos paradigmas que insistem em sobreviver na teledramaturgia, João Ximenes Braga e Claudia Lages não se acomodaram. Ao estrearem como autores principais, com Lado a Lado, os dois conseguiram criar um contexto original, onde uma parte da história dos negros no Brasil é contada a partir do ponto de vista deles. Ao retratar os primeiros anos após a Lei Áurea, a dupla mostra a dura batalha desses ex-escravos para conseguirem viver dignamente.

Diretor - Luiz Fernando Carvalho, diretor de Suburbia
Luiz Fernando Carvalho é, sem dúvidas, um dos diretores mais autorais da televisão. Ainda mais em seus trabalhos recentes, em que passou a assinar também o texto. Muitas vezes, no entanto, paga um preço por isso. Ao se permitir as maiores ousadias dentro da Globo, corre o risco de amargar índices fracos de audiência, como já aconteceu com A Pedra do Reino. Desta vez, com Suburbia, Carvalho se volta para a periferia, mas com um tom poético e imagens conceituais que trazem um diferencial para a tevê aberta. E consegue um apelo popular que os últimos trabalhos do diretor não conquistaram.

Séries nacionais - Rei Davi
Depois de uma experiência desastrosa com A História de Ester, em 2010, e algum avanço com Sansão e Dalila, em 2011, a Record parece finalmente ter dado seu grande passo no gênero bíblico ao produzir Rei Davi. A escalação de Edson Spinello como diretor geral foi um grande acerto, assim como o aumento de investimentos. Os custos de produção chegaram a R$ 25 milhões, o que possibilitou um cuidado especial nos cenários, caracterizações e figurinos valorizados pela alta definição das imagens. Impressionaram também os efeitos de luz e sombras. Para isso, foi utilizada uma máquina de fog – fumaça artificial –, que reforçou o tom épico de várias sequências.

Figurino - Labibe Simão, figurinista de Gabriela
Labibe Simão ainda é um nome em ascensão entre as figurinistas da tevê, mas tem feito trabalhos notáveis no que diz respeito a, literalmente, dar roupa aos personagens. Assim como no ano passado, em O Astro, fez bonito na faixa das 23h da Globo. Na segunda versão de Gabriela, Labibe buscou inspiração no cinema da época e em figuras icônicas para compor alguns papéis. Como na dona do bordel Bataclan, Maria Machadão, vivida por Ivete Sangalo, declaradamente inspirada em Coco Chanel. Um caminho diferente do percorrido por Marília Carneiro, responsável pelos trajes usados em cena na adaptação original. Na época, ela buscou informações sobre Ilhéus de 1925 com os próprios moradores da cidade.

Fotografia - Walter Carvalho, consultor de fotografia de Lado a Lado
Trabalhar a luz de uma época sem energia elétrica é tarefa para gente grande. Não à toa, Dennis Carvalho contou com o auxílio de Walter Carvalho na hora de conceituar toda a fotografia de Lado a Lado. Partindo de ruas escuras e do princípio de que a luz vinha do fogo, da lamparina, o cineasta se desdobrou para ambientar uma época que só conhecemos através de retratos em preto e branco. Figura rara na tevê, Walter já mostrou seu talento na dramaturgia em Renascer e Rei do Gado e também é o responsável pela fotografia de O Canto da Sereia, microssérie que a Globo estreia no próximo dia 8.

Cenografia - Alexandre Gomes, Alexis Pabliano e Flávia Yared, cenógrafos de Avenida Brasil
A ideia de ter um lixão ambientando a maior parte dos capítulos iniciais de uma novela das 21h poderia soar, no mínimo, indigesta. Mas a equipe de cenografia de Avenida Brasil transformou as imagens do aterro sanitário cenográfico em um dos pontos altos da trama de João Emanuel Carneiro.

Foram 13 mil metros quadrados de cidade cenográfica construídos dentro do Projac, complexo de estúdios da Globo, inspirados no aterro de Jardim Gramacho, em Caxias, na baixada fluminense. A base foi feita de entulho de obras, cobertos por sacolas, roupas, panos e tudo mais que pudesse remeter a esse tipo de espaço. O impressionante resultado fez de Alexandre Gomes, Alexis Pabliano e Flávia Yared a equipe que se destacou na categoria cenografia.

Trilha sonora - Mariozinho Rocha, diretor musical de Gabriela
Poderia até ser taxado de falta de originalidade, mas a estratégia de manter a trilha sonora original da primeira versão de Gabriela com novos arranjos foi um grande diferencial na adaptação de Walcyr Carrasco do clássico de Jorge Amado. Em tempos de busca excessiva por ritmos que empolguem a nova classe C, Mariozinho Rocha soube dosar o conservadorismo e a ousadia na medida certa, acrescentando apenas uma ou outra canção por questões estratégicas. Se bem que seria bem difícil trazer de volta a história da personagem-título sem que fosse embalada pelos versos de Modinha para Gabriela, na inconfundível voz de Gal Costa. Repetir a música da abertura, aliás, também foi a sábia decisão tomada para o remake de O Astro, que inaugurou a fase das novelas das 23h na Globo.

Arte - Eduardo Feijó, produtor de arte de Cheias de Charme
Novelas das 19h são sempre pautadas na comédia e recheadas de exageros e esse parece ter sido o maior trunfo da equipe de arte de Cheias de Charme, que conquistou a categoria melhor arte. Difícil esquecer a vistosa estátua de Chayene, papel de Cláudia Abreu, que enfeitava Sobradinho, cidade natal da cantora, no Piauí. Desde ônibus e avião personalizados para as turnês dos artistas da trama à favela cenográfica, tudo reforçou o conceito de fábula, presente ao longo de todo o texto de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. 

Destaque negativo - Rodrigo Lombardi, o Théo de Salve Jorge
Já se tornou hábito assistir à derrocada dos mocinhos de Gloria Perez. Desde 2005, com o pacato peão Tião (Murilo Benício), de América, a autora não consegue sequer um final feliz para o casal principal de suas novelas. Pelo menos, não juntos. E, curiosamente, Rodrigo Lombardi amarga agora, em Salve Jorge, o que já viu o colega Márcio Garcia passar em Caminho das Índias.

Na época, o insosso Bahuan, papel de Márcio, perdeu o posto de galã para Raj, indiano vivido por Rodrigo. Por enquanto, Lombardi ainda não tem um substituto na trama das 21h. Mas, pelo que se vê até agora, parece mesmo que seu cavaleiro Théo não é "o cara", como supõe a música que embala suas cenas, Esse Cara Sou Eu, de Roberto Carlos.

 

Fonte: TV Press

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade
publicidade