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21 de julho de 2011 • 07h46 • atualizado às 07h51

Em 'Amor & Sexo', Fernanda Lima vai além do auditório

Fernanda Lima é sucesso em Amor & Sexo
Foto: Divulgação
 
Mauro Trindade

Amor & Sexo é o programa mais atual da televisão. Primeiro porque abandonou qualquer didatismo que tenha esboçado nas duas temporadas anteriores. A cada momento torna-se mais descompromissado e divertido, que é sua vocação. Não adianta pensar que o formato de programa de auditório, como o de Amor & Sexo, é capaz de popularizar discussões mais sérias e aprofundadas. Não funciona, a menos que seja uma paródia do próprio programa de auditório e de outros formatos da televisão. Algo como Woody Allen fez com o concurso de Miss América, em O Dorminhoco, ou o grupo inglês Monty Phyton no Futebol dos Filósofos.

Cada vez mais o programa deixa de lado o tom pseudo-educativo e parte para opiniões aleatórias - respeitadas por todos - e para a galhofa. Fica muito mais divertido. Caso de Sexo Animal, quadro que a apresentadora Fernanda Lima estrelou ao lado de André Marques. Tinha até um especialista de plantão, mas o tom era absolutamente descontraído e brincalhão.

Em segundo lugar porque o que se discutiu a respeito de sexo nas últimas semanas foi um fenômeno. Em especial, a questão do homossexualismo e a forma como os meios de comunicação devem tratá-lo. Boa parte das novelas passaram a contar com personagens gays e, em Insensato Coração, há blocos inteiros que tratam do tema, catalisado pelo Projeto de Lei 122, que proíbe a discriminação sexual. Já se disse um pouco de tudo a respeito, até mesmo que o Brasil está sob a ameaça de um "imperialismo homoafetivo", mas não custa lembrar que ainda se mata homossexuais a paulada em todo o país.

O que parece um desacerto nos folhetins não é a tematização, mas uma agenda política que torna o homossexual eternamente bonzinho. O politicamente correto termina por transformar opções sexuais em atestados de conduta, como se o caráter de alguém fosse definido pelo interesse em homens e mulheres deste ou daquele sexo. Não é. O teatro brasileiro há muito tempo exibe personagens com uma variedade de facetas que fazem destes personagens de tevê rasos como um pires. Basta reler Plínio Marcos ou Nelson Rodrigues.

A dramaturgia vive entre o risco do politicamente correto e do preconceito puro e simples. É difícil acertar a mão. Há casos geniais, como a peça e a minissérie Anjos na América, de Tony Kushner, por exemplo, com atuações memoráveis de Al Pacino e Emma Thompson. Com muito menos recursos, mas infinita tolerância e despretensão, Amor & Sexo acertou a mão.

TV Press