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31 de dezembro de 2013 • 20h30

Em 'Amores Roubados', Dira Paes volta a trabalhar com a temática da traição

Dira Paes disse que personagem trai porque não tem freios morais
Foto: JORGE RODRIGUES JORGE/CARTA Z NOTÍCIAS / TV Press

As complexas relações humanas sempre foram alvo de curiosidade de Dira Paes. E é justamente ao interpretar suas personagens na TV e no cinema que ela tenta elucidar, ou ao menos vivenciar, boa parte de seus questionamentos. Na pele da voluptuosa Celeste, de Amores Roubados – minissérie que estreia na próxima segunda, dia 6 –, Dira assume que a questão do desejo e do vício em tensões sexuais da personagem foram fundamentais para aceitar o trabalho. "É um assunto instigante. A Celeste tem um bom casamento, é feliz nele, mas se entrega aos seus mais íntimos prazeres sem qualquer culpa. É um comportamento muito humano. E, por isso, acho que o público logo vai se identificar", analisou.

Natural da pequena Abaetetuba, no Pará, a atriz de 44 anos comemora o tom mais despudorado da minissérie, onde divide tórridas sequências com Cauã Reymond, o protagonista da trama. "Gosto quando posso estar em um produto diferente e a minissérie é extremamente corajosa. A sensualidade dos meus papéis não me assusta em nada", assumiu Dira, que, depois de emendar o fim de Salve Jorge com a preparação para Amores Roubados, só quer saber de descansar. "Estou sem grandes planos para o futuro. Vou esperar 2014 começar, curtir a família e depois analisar algumas propostas de trabalho", contou.

TVPress – Apenas 15 dias separam o final de Salve Jorge e o início dos trabalhos de Amores Roubados. O que a levou a encarar os estúdios de novo em um espaço tão curto de tempo?
Dira Paes – Quando o assunto é televisão, eu quase sempre funciono a partir de convites. Se fosse para fazer tudo o que aparece, o público não iria mais aguentar me ver no ar. Eu gosto de ter um tempo entre um trabalho e outro, mas a personagem e o chamado do José Luiz Villamarim foram irresistíveis. Celeste é bem diferente dos tipos que têm aparecido para mim na televisão.

TVPress – O que difere a Celeste de suas últimas personagens?
Dira – A intensidade. Eu fiz muitos filmes ao longo da minha carreira e personagens muito fortes em vários deles. Chegar ao ponto certo da Celeste foi mais próximo do trabalho que faço no cinema do que a preparação para a televisão. De cara, ela é o "elo" da minissérie com um assunto ainda espinhoso nos dias atuais: a traição. Mas não é aquela coisa cheia de culpa e moral. Ela é apaixonada pelo marido, gosta de estar casada com um cara rico, mas também tem sua libido totalmente conectada à sensação de perigo. Isso a leva para um mundo de loucuras e luxúrias.

TVPress – A Norminha de Caminho das Índias tinha um dilema bem parecido com o da Celeste. Como você foge de uma possível repetição de nuances e trejeitos a cada trabalho?
Dira – As tramas de Norminha e Celeste têm relação apenas pela questão da traição. Na novela, o assunto teve uma repercussão enorme por conta do tom cômico. Portanto, o que muda mesmo é o desenvolvimento das personagens, já que a força das situações estão em xeque em Amores Roubados. O que leva a Celeste a trair o marido é sua falta de freios morais. Ela é uma grande refém de seus desejos e vai fundo nisso. Minha personagem em Caminho das Índias era mais uma questão de libido e ela sofria com isso. Então, são tipos de composição bem diferentes.

TVPress – Presença bissexta na TV durante os anos 1990, você passou a fazer ao menos um trabalho por ano a partir do fim de A Diarista, em 2007. O que sedimentou sua relação com a televisão?
Dira – Eu, enfim, consegui organizar o meu tempo (risos). Mas não é só isso. Quando fiz Araponga e Irmãos Coragem, eu estava tão envolvida com meus projetos cinematográficos que não conseguia curtir aquele momento de estar em estúdio de forma tão plena. E foram trabalhos maravilhosos, produções carregadas de arte mesmo. No entanto, no período em que o Alvarenga (José, diretor) me chamou para fazer A Diarista, vi que era bem possível conciliar uma redescoberta da TV com os filmes que gosto de fazer. Tanto é que, durante as gravações do seriado, eu filmei Celeste e Estrela, Meu Tio Matou um Cara, Baixio das Bestas e 2 Filhos de Francisco, entre outros. Foi um período muito bom, onde exercitei minha atuação na direção do humor.

TVPress – Sua carreira na TV, inclusive, é recheada de personagens cômicas bem populares. No entanto, você está sempre variando entre tipos de humor e dramáticos. É uma imposição sua?
Dira – Não acho que seja imposição, mas uma postura. Não ligo para importância, tamanho ou classe social das minhas personagens, mas quero que elas tenham história própria dentro da trama. Se não, fica meio complicado de se trabalhar. É muito bom sentir o carinho do público por conta das risadas com a Norminha, por exemplo. Ao mesmo tempo em que gosto de roçar algumas "feridas" e sensibilizar as pessoas com tipos como a Celeste, de Fina Estampa, que sofria com a violência doméstica.

Amores Roubados – Globo – Estreia dia 6 de janeiro, às 22h15

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