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'Escrito nas Estrelas' é escolhida Melhor Novela de 2010; veja outros

18 dez 2010
08h24
Mariana Trigo

A teledramaturgia decidiu roubar quase todas as cenas na tevê aberta em 2010. Paisagens paradisíacas, abordagens espiritualistas, humor inteligente e uma profusão de seriados preencheram as telas cada vez mais finas das tevês com qualidade mais apurada de sons e imagens, captadas por produções que têm se superado na tecnologia HD. No entanto o que mais se sobressaiu foi a estética do texto e as atuações comoventes. Como as da novela Escrito nas Estrelas, a mais votada neste ano pelos editores que publicam TV Press. A história rendeu à trama da autora Elizabeth Jhin a eleição nas categorias Melhor Autor, Melhor Novela e Melhor Atriz para a carismática Nathália Dill. A despeito do sucesso vespertino, foi o horário nobre da Globo que mais se destacou. Com uma caprichada fotografia e produção de arte, Passione estreou com maestria em cinematográficas locações italianas. Mas abusou do sotaque, errou na escalação do vilão Fred, de Reynaldo Gianecchini - eleito Pior Ator - e finalmente conseguiu terminar o ano num ritmo que se equilibra entre o humor e o mistério. Mérito de Gabriela Duarte que, após uma coleção de personagens insossas, fez de Jéssica a maior conquista de sua carreira na tevê. Com isso, foi eleita na categoria Atriz Coadjuvante ao lado de Bruno Gagliasso que, com o divertido bígamo Berilo, ganhou na categoria Ator Coadjuvante. No entanto, a novela micou ao fazer tanto estardalhaço para revelar o tão misterioso segredo de Gerson, personagem de Marcello Anthony.

Na contramão da pluralidade de talentos da trama das seis e das surpresas de Passione, Ti-ti-ti foi uma das promessas mais equivocadas do ano. O remake da bem-sucedida trama de Cassiano Gabus Mendes, exibida há 25 anos, estreou com sucessivas decepções, apesar da satisfatória audiência. Mesmo com a interessante adaptação de Maria Adelaide Amaral, a história extrapolou na caricatura. Sua estética anos 80 não foi suficiente para se tornar atraente e a produção acabou se esvaindo em exageros. O único mérito tem sido a bem costurada atuação de Murilo Benício, que ganhou a eleição na categoria Melhor Ator.

Novela
Melhor: Escrito nas Estrelas
2º Melhor: Ti-ti-ti

Além da vida
A temática espiritualista de Escrito nas Estrelas embolsou todas as atenções este ano. Eleita a Melhor Novela, a produção de Elizabeth Jhin ultrapassou as fronteiras dos assuntos sobrenaturais e se destacou por um texto comovente, mas sem sentimentalismos. Com atuações pertinentes, Nathália Dill, Jayme Matarazzo e Humberto Martins conseguiram contar uma história de amor ao longo dos séculos sem escorregar em pieguices. Dosada por pitadas de humor, a trama abordou a fertilização humana em uma barriga de aluguel a partir do sêmen de um jovem que morreria tempos depois da coleta. Tudo de forma verossímil e sem deixar de debater os aspectos éticos do tema. Prevaleceram as belas imagens, inspiradas no genial filme Asas do Desejo, do diretor alemão Win Wenders.
Pior: Tempos Modernos
2º Pior: Uma Rosa Com Amor

Fiasco cosmopolita
Ambientada no centro nervoso da capital paulistana, a trama Tempos Modernos, eleita como Pior Novela, foi um retrocesso na dramaturgia da Globo. A produção, que marcou a estreia de Bosco Brasil como autor solo na Globo, se equivocou desde a escalação de protagonistas poucos carismáticos ¿ vividos por Fernanda Vasconcellos e Thiago Rodrigues ¿, até a exagerada alusão às histórias em quadrinhos. Isso sem falar no quanto Grazi Massafera foi caricata como a vilã inspirada em personagens de cartoon. Com uma edição nervosa e pouco atraente, a história virou um mosaico de desacertos em confusos cenários. Quase tudo se passava em um gigantesco edifício no Centro de São Paulo, batizado de Titã, gerenciado pela pífia atuação de Antônio Fagundes, como o empresário Leal.

Atriz Revelação
Melhor: Milena Toscano
2º Melhor: Mayana Moura

A galope
De espora nos pés, Milena Toscano entrou pisando firme em Araguaia. A loura de rasgados olhos azuis mal era lembrada por sua coleção de participações em tramas da Globo desde 2004. Mas quando vestiu o rústico e charmoso figurino da protagonista Manuela na trama de Walter Negrão, a bela começou a falar grosso e dizer a que veio em seu galope pelas matas do Araguaia. Segura como a destemida veterinária da trama rural, Milena que ganhou a eleição na categoria Atriz Revelação, vem se destacando como a durona mas apaixonada personagem, que marca sua estreia como protagonista.

Ator Revelação
Melhor: Fiuk
2º Melhor: Humberto Carrão

Carga genética
No universo mais jovem da dramaturgia, o ano foi de Filipe Kartalian Ayrosa Galvão, o Fiuk. O cantor e guitarrista que protagonizou "Malhação" como o descolado Bernardo nem parecia que faria tanto estardalhaço. Mas bastou começar a convencer como o mocinho da novela adolescente para conseguir ser eleito na categoria "Ator Revelação" na eleição de "TV Press". Com jeito propositalmente tímido e uma legião crescente de fãs fervorosas, o ator já assinou contrato longo com a Globo e está quase emplacando na grade de 2011 o seriado "Tal Filho, Tal Pai", que será exibido como especial de fim de ano no próximo dia 23.

Atriz
Melhor: Nathália Dill
2º Melhor: Mariana Ximenes

Além dos limites
Em cena, os olhos expressivos de Nathália Dill conseguem demonstrar quaisquer sentimentos de suas personagens. Com uma indisfarçável força dramatúrgica, a atriz caminha com facilidade entre papéis das mais variadas facetas. Foi com essa pluralidade cênica que Nathália conseguiu atrair todos os olhares para sua correta interpretação da personagem Vitória/Viviane em Escrito nas Estrelas. Sua capacidade de emocionar em cena garantiu que ela fosse eleita na categoria Melhor Atriz.
Pior: Gabriela Durlo
2º Pior: Grazi Massafera

Fracasso bíblico
A parceria de Gabriela Durlo com a Record tem rendido frutos para a atriz. Depois de estrear na emissora em Vidas Opostas, em 2007, a atriz viveu papéis de destaque até protagonizar a minissérie bíblica A História de Ester em março deste ano. No entanto, compor uma protagonista e segurar uma produção que se passa 400 anos antes de Cristo com uma diversidade de cenas mais complexas foi demais para a atriz. Gabriela não conseguiu convencer como a destemida judia que vira rainha da antiga Pérsia e acabou sendo a atriz mais votada na categoria Pior Atriz.

Ator
Melhor: Murilo Benício
2º Melhor: Tony Ramos

Na dose certa
O mundo pode estar caindo ao redor de Murilo Benício, mas o ator quase sempre consegue se sobressair em sua atuação. Não tem sido diferente em "Ti-Ti-Ti", trabalho pelo qual foi eleito "Melhor Ator" na votação deste ano por seu impagável costureiro espanhol Victor Valentim. O papel, que foi interpretado com maestria por Luiz Gustavo há 25 anos, agora parece igualmente convincente pelos recursos que Murilo utiliza em cena. Mesmo com direção deficiente e grande parte do elenco acima do tom, Murilo se sobressai dosando com sabedoria os traços de comédia do costureiro sem afetações caricatas numa história onde quase tudo apela para o exagero.
Pior: Reynaldo Gianecchini
2º Pior: Alexandre Borges

Rascunho da maldade
Os papéis vilanescos são um risco para atores sem embasamento dramático. Os recursos mais comuns nesse caso são um excesso de caras e bocas, voz demasiadamente pausada e uma frequente cara de mau. Estes têm sido alguns dos escorregões mais frequentes de Reynaldo Gianecchini com o maquiavélico Fred desde o início de "Passione". Por este temível conjunto da obra e uma transparente inconsistência ao construir o vilão, o ator foi eleito pelos editores como o "Pior Ator" de 2010 na trama de Silvio de Abreu.

Melhor Atriz Coadjuvante
Melhor: Gabriela Duarte
2º Melhor: Zezé Polessa

A volta por cima
Gabriela Duarte deixou de ser "a chatinha do Brasil" para se tornar uma das atrizes que mais surpreendeu este ano na teledramaturgia. Na pele da perua Jéssica, de Passione, Gabriela sacudiu a poeira do tédio que embalava todos os seus papéis anteriores para construir uma personagem com personalidade, que transitou com segurança entre cenas de um humor pastelão e o melodrama mais rasgado do gênero. E conseguiu se destacar nas mais variadas tomadas numa composição surpreendente que fez com que a atriz fosse a mais votada na categoria Melhor Atriz Coadjuvante.

Melhor Ator Coadjuvante
Melhor: Bruno Gagliasso
2º Melhor: Werner Schünemann

Além do óbvio
Bruno Gagliasso nunca conseguiu interpretar galãs em sua carreira. Mesmo assim, o ator tem alcançado o mérito de embasar sua trajetória em papéis absolutamente diversificados. O último deles tem sido como o bígamo italiano Berilo, em Passione. Apesar de soterrado com o cansativo sotaque italiano em cenas de um humor exagerado, Bruno transmite emoção e veracidade com o personagem que sofre por se dividir entre dois amores. Ao protagonizar cenas tão verossímeis nesta reta final da história, o ator comemora seus primeiros 10 anos de carreira eleito na categoria Melhor Ator Coadjuvante.

Alexandre Rodrigues, Jayme Matarazzo e Nathália Dill em 'Escrito nas Estrelas'
Alexandre Rodrigues, Jayme Matarazzo e Nathália Dill em 'Escrito nas Estrelas'
Foto: Divulgação
Fonte: TV Press

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